Da moto para a ambulância

Motos na Radial

A cobertura jornalística é prova do que vou escrever agora: o caminho que motoboy costuma percorrer com maior rapidez é da moto para a ambulância da SAMU. Morrem cinco por dia na capital paulista, se calcularmos aqueles que não resistem ao acidente após chegarem ao hospital. Fora os demais que ficam mutilados e impotentes para trabalhar devido as sequelas.

Marcelo Veronez percorreu este mesmo caminho, mas de maneira inusitada. Atento a violência do trânsito, cansado de perder amigos a todo momento e sensibilizado ao tentar ajudar um paciente que precisava de doação de órgão, ele abandonou a profissão, prestou concurso na prefeitura e virou motorista de ambulância.

A história deste ex-motoboy não para por aqui. Criativo, passou a escrever, compor e falar sobre a vida desta turma de jovens que roda em alta velocidade entre os carros. Conversei com Marcelo Veronez no CBN SP e ele contou alguma de suas façanhas:

Ouça a entrevista com Marcelo Veronez, no CBN SP

Ouça o Rap do Motoboy

6 comentários sobre “Da moto para a ambulância

  1. Bom dia!
    De vez em quando utilizo os serviços de motoboys e conversando com um recentemente, realmente a vida destes jovens não é nada fácil.
    A maioria não tem salário fixo e recebe por entregas realizadas
    Então minha gente o negócio para poderem ter um ganho razoável é “pau na máquina”
    Porém, muitos abusam da sorte e assim dão sorte para o azar pilotando as suas máquinas de duas rodas pela cidade de forma irresponsavel e sem o menor respeito quanto as regras de transito.
    Obviamente, estes estão mais vulneráveis a acidentes fatais quando não ficam aleijados infelizmente.
    Por outro lado muitos motoristas parece que tem ódio mortal desta classe de trabalhadores e jogam os seus possantes sobre êles covardemente.
    Ja tive moto e sei como é.
    Armando Italo

  2. Realmente é um trabalho muito perigoso, mas conheço alguns motoboys que dependem desse serviço para sustentar sua família.

    O problema é que a falta de responsabilidade, a disputa acirrada pelo espaço das ruas aqui da região metropolitana entre as motos e os veículos é tão grande que a cidadania e vontade de voltar para casa depois de um dia de serviço fica para segundo plano, colocando em risco a vida dessas pessoas que “rasgam” a cidade em duas todos os dias.

    Mas temos que lembrar que quando estamos em casa e pedimos uma Pizza, queremos que a mesma chegue rapidinho, logo quem entra em ação nesse momento?

    Abraço,

  3. Daniel e Armando, que não é nome de dupla sertaneja, vocês estão cobertos de razão quanto à problemática do trânsito paulistano. Valiosas vidas, se é que alguma vida não é valiosa, são desperdiçadas a toa, sendo que muito de ruim poderia ser evitado com um pouco mais de boa vontade dos motoristas dos carros e das motos, além de melhorias nas vias, muitas vezes irregulares e mal sinalizadas. Esse problema só tem se agravado com o aumento das frotas de carros e motos.

  4. O mais engraçado que vejo nessas matérias, é que todos os meios de comunicação enchem linhas para falar que morrem 5 motociclistas por dia, mas em nenhum momento eles comentam que morrem em MÉDIA 8 pedestres covardemente atropelados (assassinados) em grandes avenidas ou ruas de lazer, ou ainda as vitimas indiretas, outra tantas que morrem pela poluição causada pelos veículos (como comenta o Paulo Saldiva) que travam toda a cidade a troco de chegar 2hs mais cedo para estacionar perto do trabalho.

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