Ciclovia na Marginal: “Esqueceram do peão de bicicleta”

 

Bicicleta na pistaConstruir uma ciclovia que atenda as centenas de trabalhadores que deixam o extremo sul de São Paulo em direção aos bairros mais nobres pela Marginal Pinheiros e não apenas mais uma faixa de lazer. Encontrar soluções para a travessia dos ciclistas e pedestres que estarão confinados na pista segregada entre o rio e os trilhos da CPTM e a pista da Marginal.

Estes são dois dos desafios que o Governo do Estado ainda terá de enfrentar para tornar realidade a construção da ciclovia na Marginal Pinheiros, segundo cicloativistas que lotaram uma das salas do Palácio dos Bandeirantes, na tarde desta segunda-feira.

O projeto apresentado pelo arquiteto Ruy Ohtake, contratado por uma instituição particular, contempla apenas a parte nobre do traçado, do Parque Villa Lobos até a ponte João Dias, passando pelo Parque do Povo e as estações Cidade Jardim e Berrini, da CPTM (O Andre Pasqualini, nos comentários, me corrigi: o projeto vai do Villa lobos até o Parque do Povo, apenas). O restante do trajeto ficaria por conta da Companhia Paulista de Trens Metropolitano, mas sem que tenha sido entregue qualquer desenho.
Para o dirigente esportivo Marcos Mazaron, da Federação Paulista de Ciclismo, deve haver alguns ajustes no projeto apresentado por Othake, mas a ideia da ciclovia foi aprovada. André Pasqualini, do Instituto CicloBR, está bem mais preocupado: “Esqueceram de olhar para o peão que trabalha com bicicleta, estão vendo apenas os que usarão a pista como lazer”.

Quarta-feira, amanhã, os ciclistas se reunirão com Ruy Ohtake pois até agora não foi apresentada uma saída para quem precisa deixar a ciclovia e atravessar a Marginal, cruzando a linha do trem. Estela Goldestein, da CPTM, ouvida pela repórter Alessandra Dias, da CBN, confessa a dificuldade do Governo para conciliar as necessidades de ciclistas, pedestres e motoristas.

Ouça a reportagem de Alessandra Dias, da CBN

A Secretaria Municipal dos Transportes e a Companhia de Engenharia de Tráfego são as únicas que parecem não estar preocupadas. Sequer compareceram no Palácio dos Bandeirantes para dar sugestões ou, ao menos, ouvir as reivindicações. A rejeição da CET às bicicletas é histórica e reconhecida por pelo menos dois dos secretários municipais que estiveram no encontro – Eduardo Jorge, do Verde e Meio Ambiente, e Walter Feldman, dos Esportes. Oficialmente, não assumem esta opinião, pois estariam atacando o super-secretário Alexandre de Morais que cuida da coleta do lixo, da varrição, dos ônibus, das lotações, dos táxis, do trânsito … Não dá tempo para cuidar das bicletas, mesmo.

7 comentários sobre “Ciclovia na Marginal: “Esqueceram do peão de bicicleta”

  1. Milton, só corrigindo, o projeto conceitual apresentado pelo Arq. Ruy Ohtake vai do Parque Vila Lobos até o Parque do Povo, ao lado da ponte Cidade Jardim e não até a ponte João Dias.

    O erro no meu ponto de vista está em abrir o trecho de 12 km, entre a Billings até a estação Vila Olimpia sem fazer “no mínimo” 3 acesso, junto as pontes Socorro, João Dias e Morumbi. Se isso não acontecer não passará de mais uma ciclovia de lazer na cidade.

    Que coloquem 3 passarelas como aquelas em rodovias e depois licitem acessos faraônicos.

    Quarta participo da reunião e se não armarem um plano de emergência para construção de acessos junto essas pontes, retiro todo o meu ânimo até então.

    Aliás minhas opiniões sobre a reunião de ontem está aqui.

    http://is.gd/3ZrjF

    Abraços

    André Pasqualini

  2. André, como já comentei anteriormente, eu NÃO sei andar de bicicleta. Isso não me impede, porém, reconhecer a importância e a urgência da implantação de ciclovias por toda a cidade.

    Fico na torcida para que as autoridades encarem as ciclovias como um meio de transporte tão importante como outro qualquer e não somente como “lazer de fim de semana”.

    Implantar uma ciclofaixa e não criar acessos a ela parece piada.

  3. Caros amigos, um bom exemplo de tudo que vem sendo falado sobre essa nova cilclovia é o que aconteceu na Zona Leste. Onde hoje existe a maior ciclovia inacabada da cidade, são 12km com poucos acessos e trechos interrompidos.

    O elemento agravante é que a ciclovia não foi devidademente terminada e tem um trecho de 300m que oferece muitos perigos para quem a usa, como por exemplo atravessar quatro faixas da radial.

    A ciclovia foi entregue em um ano de eleição e muito “oba oba”, corremos o mesmo risco com a ciclovia da marginal pinheiros.

    Seguem links com fotos: http://is.gd/40sOI

    Grande Abraço

  4. Nas visão dos tecnocratas, ” piãozada que se danem”
    Por que utilizam bicicletas para irem ao trabalho?
    Porquê, nós que dependemos de transporte publico, tb não tenho automovel por opção, somos transportados que nem gado, porco, sardinha em latas no transporte publico em qualquer hora do dia.
    Só por isso!
    Sem chance:
    Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.
    É bem por ai!

  5. A Estela Goldestein falou na entrevista que não dá pra atravessar a linha do trem, não dá pra atravessar no meio da Marginal, não dá pra usar as passarelas de acesso às estações… Concordo com tudo isso. Mas ela esqueceu de algo que me parece mais do que óbvio: há inúmeras pontes cruzando a Marginal Pinheiros!

    Deve-se construir acessos em cada uma dessas rampas. E não precisa ser algo faraônico, lindo, obra de arte arquitetônica. Não! Simples rampas de acesso em cada ponte resolvem o problema. Pode ser usada a mesma tecnologia adotada nas passarelas de pedestres construídas a custo relativamente baixo sobre rodovias. Pra que complicar?

    Para quem se interessar, gravei um vídeo na pista que se transformará em ciclovia: http://twurl.nl/xxuhx3

    Se ela será apenas para lazer ou realmente útil para transporte, os acessos dirão.

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