De foco


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Foco” na voz da autora

A flor

Há que mudar o foco da luz. Do jeito que estão as coisas, o ruim recebe toda ela enquanto o bom vai morrendo.

feito planta famélica
inodora angélica

Dá para continuar? É isso que a gente vai escolher? É assim que você e eu pretendemos viver?

o flash deve iluminar a imagem que a gente quer eternizar
a imagem que escolher é a que vai dia a dia nos acompanhar

também há que alimentar o positivo para que cresça e tome espaço
pra que o negativo diminua se enredando no laço

não precisa o negativo aniquilar
basta que o deixe restrito ao seu lugar

ou você se esqueceu de como foi que cresceu
ou acha que tudo simplesmente por acaso aconteceu

que um dia você acordou
e esse ser que hoje se olha no espelho
do nada se formou

Cada dia, cada minuto do dia, precisa de atenção, de carinho e de alimento. Não dá pra acordar e dormir.

dormir e acordar
no piloto automático funcionar

Coloque dois vasos de flores na sala de casa, troque a água e livre um deles das folhas mortas;

não lhe vire jamais as costas

Com o outro, no entanto, faça diferente. Deixe que a água, antes limpa, se encha de bactérias, e deixe que elas dele se alimentem.

e o que vai acontecer
é óbvio meu amor que vai sofrer e logo em seguida morrer

é isso que eu quero dizer
se é que você quer me entender
que criamos para nós armadilhas
e nos aprisionamos em pequenezas e quinquilharias

o pior disso é que se prestamos atenção
vemos que vivemos presos ao passado
chorando pelo que foi
sem nos darmos conta da riqueza e da alegria

diferentes é claro na nova realidade
que tenta nos prender nos envolver
para que nunca nos livremos da saudade

E você, está focando o quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeura, professora de língua estrangeira e desenvolve cursos na área de comunicação e expressão. Aos domingos, é luz própria no Blog do Mílton Jung.

9 comentários sobre “De foco

  1. Foco apagado, vida no escuro…Foco perdido, vida em cima do muro…Não espere cair para encontrar, acender e manter aceso seu foco. Reaja rapidamente, reaja…-Grato ML.

  2. Infelizmente Malu, todos estamos focados na infeliz imagem dos fatos do caso Uniban.

    A ignorância e intolerância, sempre nos rodeia com intuito de nos tirar foco do crescimento como seres humanos.

    Não devemos desistir do foco de termos corpo e alma saldáveis, seja de Kilt ou de minissaia.

    Beijos

  3. Mário,

    linda a tua intervenção e não é só minha opinião
    poeta meu primo que é bom poetar

    Só quem já viveu extremos pode saber onde está o equilíbrio e ir atrás dele. E somos poucos. Poucos que experimentamos extremos e que, mesmo assim, reagimos e decidimos manter as comportas abertas, deixando jorrar a vida nas duas direções.
    Obrigada.
    Beijo,
    ml

  4. Questão de ordem!

    Devemos focar na família, nos amigos e em nós mesmos!

    Aquilo que nos circunda muitas vezes nos faz mal!

    Devemos viver à vida intensamente focando no agora, naquilo que nos traz felicidade e nos faz bem!

    Beijos Malú!

  5. Malu,

    O seu texto ficou martelando em minha mente. Por que seria?

    Daí lembrei de mais um de meus causos familiares, que tem tudo a ver com foco. Tem relação com dentes novamente: (risos)

    Quando morava com meus pais e meus irmãos, com minha cabeleira já ensaiando a calvície, tive um problema com um dente do siso o qual me deixou com cara do Fofão. Isso foi em um fim de semana. No domingo passei pela sala, pela cozinha e todos os ambientes comuns de nossa casa e com muita dor, pedi para meu irmão ir buscar remédio.

    Foi muito engraçado o espanto de todos que enfim, repararam que eu estava com peça e lataria avariadas. Depois de horas nos mesmos ambientes, ninguém tinha reparado meu problema. Ninguém teve um segundo de foco em mim, apesar de estarmos juntos na mesma casa.

    Conclusão: Nós seres urbanos, vivemos rodeados de companheiros de trabalho, amigos e família; e mesmo sem querer deixamos de olhar, reparar uns nos outros. Isso aos poucos, vai tirando a intimidade até com membros de nossa família. Agora com meus poucos mais de 40 anos, além de minha querida mãe e minha mulher, sou íntimo apenas de meus dois amigos. Com meus irmãos, troco respeito e tímido afeto; a intimidade perdemos com o tempo. Ou seja, mesmo sendo do mesmo sangue, sem perceber perdemos o foco uns dos outros.

    O bom viver, é um policiamento diário. Não devemos perder o foco de quem amamos, pois, depois de perdido, o foco é irrecuperável.

    beijos

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