Rádio na Era do Blog: Twitter e jornalismo no Apagão

 

Foi no meu rádio de pilha, que estava sem pilha (tinha umas guardadas do lado da vela, na gaveta), que ouvi a cobertura da CBN sobre o apagão na noite de ontem. O celular, surrado do dia de trabalho quase apagando, me colocou no ar na rádio para descrever o que (não) via nas ruas do Morumbi. E um modem de celular conectado no laptop com seu resto de bateria me ajudou a navegar na internet e retransmitir outras tantas informações – muitas das quais tendo como fonte repórteres e profissionais da CBN. O Twitter ligado enquanto pode também serviu para varrer os caminhos do corte de energia elétrica.

Com estes equipamentos em mãos foi possível entender parte do que se passou na noite de terça e madrugada de quarta – até onde consegui me manter acordado. Hoje cedo, a quantidade de e-mails de ouvintes-internautas era enorme contando a experiência que tiveram em casa com o radinho de pilha ligado. Bom número de pessoas citou que “ouvia o rádio no meu celular”.

E assim o Brasil se informou de mais um blecaute na energia elétrica.

A forma de consumir informação mudou muitos nos últimos poucos anos. A formação de redes sociais tornou-se importante para a construção do nosso conhecimento. Mas o jornalismo persiste. E a cobertura do apagão prova isto.

Um interessante post da colega Vanessa Ruiz diz que “é possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo …. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo”. (Leia o texto completo aqui)

Li, também, o texto do meu ex-colega de Terra e minha referência em jornalismo, José Roberto de Toledo, intitulado “A noite em claro no Twitter”. Craque na varredura de informações disponíveis na rede, Toledo remoeu as tuítadas possíveis na madrugada, ouviu rádio (pena não ter sido a CBN) e acompanhou a cobertura jornalística. Encontrou, também, as ferramentas usadas por Itaipu para enviar informações durante a crise.

Lido tudo, fez as contas, puxou o traço e chegou ao seguinte resultado: “O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra”. (Leia o post completo aqui)

Concluo que todas as formas de informação são bem-vindas mas a inteligência é insubstituível. E o rádio de pilha, também, pois às duas da manhã não tinha mais notebook nem celular com força para se manterem vivo.

7 comentários sobre “Rádio na Era do Blog: Twitter e jornalismo no Apagão

  1. É Milton, o bom velho rádio…. se não fosse bom, não teria permanecido p/ se tornar velho, né?
    Isso prova erradas as teorias da conspiração, q vivem gritando: o rádio vai acabar, o livro vai acabar, a TV vai acabar !!!

    No escuro, a melhor companhia ainda é o rádio….e aqueles q nele trabalham, chuva, sol.dia útil ou feriado….

    abs

  2. Meu pai foi o primeiro a ligar o rádio ( que tinha pilhas novas). Eu no meu MP4, só 2 radios eu achei a primeira CBN e ao lado Eldorado, as outras foram todas embora com a falta de energia.

    Achei muito legal todos os ancoras e reporteres da CBN participarem da programação, nunca tinha visto algo parecido, companherismo puro!

    Bom, gastei toda bateria do Mp4, hoje pela manhã acordei com meu pai escutando o mesmo rádio com as pilhas ainda vivas, aquelas da noite do apagão!

  3. No apagão de ontem celulares, muitos não funcionavam, eu tendo que entregar um trabalho para hoje cedo, meu notebook sem bateria pq usei na rua não deu para carregar por causa do apagão, o 3G onde moro é capenga, usei o PC até terminar a carga de um nobreak.
    Não vai demorar vamos começar a nos comunicar usando tambores, sinal de fumaça.
    Não dispenso meu “radimpia” comprado a mais de quinze anos para a minha mãe.
    Agora só que ver as desculpas que os téNocratas vão inventar para tentar explicar o apagão.
    Raio, caiu torres, terroristas do Bin Laden, MST, alguma feroz torcida revoltada porque seu time perdeu o jogo,ficaram com raiva e cortara os fios, esse tá na moda, alguma carreta entrou com tudo numa das torres, seria a nova versão do Katrina que veio nos visitar? que mais.
    E assim, na visão de muitos o Brasil “progride”
    Basta viajarem por ai para conferirem.

  4. Olá Milton…

    Após as experiências dos apagões dos anos passados, durante a queda de energia de ontem já tinha percebido algo diferente. A energia ficou fraca, oscilava, tipico problema de grande proporção. Se fosse regional, apenas acaba.

    No que restou de luz, fui pegar o radinho \"sapinho\" de minha filha e umas pilhas recarregaveis. Foi ouvindo a CBN que confirmei a extensão dos problemas e confirmou minha ideia que o apagão ia demorar a se resolver.

    Fui andando pelo prédio, verificando elevadores, conversando com vizinhos, sempre com o radinho \"sapinho\" na mão. Ainda bem que já era tarde e a filha estava dormindo, pois senão ficaria sem as notícias…

    Nem quis ligar o modem 3G e acessar as noticias. Pra que? Já tinha tudo na mão, pelo radinho \"sapinho\" de minha filha…

  5. Caro Mílton
    A afirmação de que o rádio de pilha é insubstituível é um tanto verossímil pela constatação prática enquanto “garantia” de acesso a informação, ou por menor probabilidade de falha, porém peca um pouco pelo romantismo.
    No país, não temos ainda a cultura de contingência, de plano B, de sobrevivência, coisa mais comum em países e grupos que já lidaram com a carência e incerteza de certos serviços, seja por qualidade, seja por situações adversas e extremas como racionamento e/ou guerras. Onde seria mais provável encontrar um castiçal e velas ou equivalente? Na casa de nossos avós, nas nossas respectivas moradias de adulto ou numa república de jovens? E qual seria o placar no confronto entre urbanos e rurais?
    Prova da falta da cultura de contingência é a quantidade de emissoras FM que saíram do ar em SP por falta de geradores. O que dizer dos hospitais noticiados e afins? A PM diz que registrou queda de ocorrências. Foi mesmo registro de queda ou queda nos registros por falta de infraestrutura?
    O mesmo vale para nós: o radinho de pilha tem seu mérito, talvez maior do que devido, mas pelo pouco interesse que temos nas ferramentas alternativas de subsistência ou em medidas para situações extremas. Quem de nós tem um carregador a dínamo ou mesmo um estoque extra de alimentos?
    Ocasiões como a de ontem são oportunidade para se pensar: o que fazer quando o principal falha?
    Seja como for, sempre uma reflexão interessante para se ler por aqui em seu blog.
    Abraço!

  6. De fato, o rádio foi o único recurso que muitos tiveram de utilizar em busca de informações. No meu caso, felizmente havia carregado o celular durante o dia e o utilizei na função rádio logo após as luzes lentamente se apagarem até por volta de meia-noite. Felizmente boa parte das emissoras que ouço (CBN entre elas) estava no ar.

    Era curioso ver repórteres falando de suas casas, narrando as situações que viam da janela para ilustrar para seus ouvintes o que acontecia (ou melhor, não acontecia…) E o uso do verbo “ver” foi proposital, pois a quantidade de detalhes transmitida nos dava a impressão de que realmente estávamos do lado de cada um deles dividindo aqueles momentos.

    Mesmo com a volta da eletricidade, após fazer uma ronda na internet (a Reuters já informava o problema no Brasil), chequei a TV e voltei a usar o “rádio” via celular. Cansado, por volta das 2h, entreguei os pontos e fui dormir. A sensação era de que as coisas estavam se encaminhando e de que a manhã de quarta seria bem melhor que a noite de terça.

  7. Milton, com o apagão, deitei na cama, peguei meu radinho de pilha e fiz uma coisa que adorava fazer na infância quando morava no Pantanal de Porto Murtinho-MS onde o gerador era desligado às 11 horas da noite e a maioria dos moradores sentava na rua para contar histórias, fumar um cigarrinho de palha para matar mosquitos e eu adorava deitar no escuro e ouivir a Radio Globo do Rio de Janeiro. Ontem com o apagão deitei na cama e ouvi várias emissoras além da CBN para ver como cada emissora estava informando o mesmo fato. Cheguei a conclusão: todas deram um show de informação, até emissoras que só tocam músicas passaram a dar inmformação sobre o apagão. Hj ao chegar nas bancas de jornal, fiquei surpreso tbém com a agilidade da midia impressa, afinal, o apagão ocorreu na hora em que a maioria dos jornais já estava para fechar. Li muitas matérias nos jornais de SP, muita informação já tinha ouvido no rádio. Acredito que o Radio foi fundamental para esses veículos tbém. Mas a agilidade da midia impressa e das emissorass de rádio merecem os parabéns.

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