Avalanche Tricolor: A emoção de ver Danrlei

 

Danrlei se despede do futebol, no Olímpico (Foto: Gremio.net)

Grêmio/95 4 x 3 Amigos de Danrlei

Amistoso – Olímpico Monumental


Com o cabelo molhado e um sorriso no rosto, Danrlei descia o longo corredor que dava acesso ao vestiário em minha direção. Algumas pessoas o cumprimentavam, gritavam seu nome, acenavam ou pediam autógrafo. Fiquei encostado na parede apenas assistindo a passagem dele. Já havia reclamado de algumas atitudes do goleiro gremista, bravejado por gols que não poderia ter tomado, mas aquele era o momento de reverenciar o ídolo. Fazia 10 anos que ele vestia a camisa tricolor com uma paixão rara neste futebol contaminado pelo o que há de pior no profissionalismo. E acabara de conquistar o título de campeão da Copa do Brasil de 2001, ao vencer o Corinthians por 3 a 1, em um lotado estádio do Morumbi.

Como torcedor, aquela foi uma conquista especial para mim, afinal ao contrário de todas as demais não estava apenas na arquibancada. A convite de Juca Kfouri, era narrador de futebol da Rede TV! e por estas coisas que o destino nos oferece, a emissora ganhou o direito de transmitir a Copa do Brasil, exatamente no ano em que o Grêmio iria vencê-la – o que não podemos considerar apenas uma coincidência, afinal nenhum clube venceu tantas Copas com o Imortal Tricolor. Foram sete finais e quatro títulos.

Ao ver Danrlei passar no túnel do Morumbi, vitorioso mais uma vez, tive vontade de agradecê-lo por tudo que havia feito pelo Grêmio. Dos tempos do futebol moderno, era o único jogador gremista capaz de tirar do sério o adversário. Ao contrário de outros ídolos que vestiram a camisa tricolor, Danrlei não era cobiçado pelos torcedores contrários, era odiado pelo olhar provocativo que tinha, pelo peito empinado e pelas brigas em que se envolvia. Por tudo aquilo que o fez amado no estádio Olímpico.

Neste sábado, 30 mil pessoas foram ao Olímpico Monumental abraçá-lo em partida que marcou, oficialmente, o fim da carreira deste que foi dos maiores goleiros que passaram pelo clube. Um time que desde sua origem sabe reverenciar os atletas que se atrevem a vestir a camisa número 1, a ponto de ter levado o nome de Eurico Lara, uma lenda, para o seu hino oficial.

Em campo, estava boa parte dos jogadores que conquistaram a Libertadores de 1995 e outros tantos craques que mereceram o título de Imortal Tricolor. Tarciso que com quase 60 anos ainda é capaz de correr a nos fazer lembrar dos tempos do Flecha Negra; Jardel que nos ofereceu mais um gol de cabeça em cruzamento de Paulo Nunes; Dinho que dividiu bola em jogo amistoso com a mesma seriedade de quem decide um título; Mazaropi que saiu nos pés dos atacantes mesmo com um barriga que não cabe mais no calção.

Que minha mulher e meus filhos não leiam esta Avalanche, mas assim como me emocionei ao ver Danrlei comemorando seu 12o. título pelo Grêmio, em 2001, hoje tive vontade de chorar pela homenagem prestada a ele e por ele. Danrlei, aos 36 anos e fora do futebol, ainda é capaz de provocar estas reações no coração de um gremista. E se não lhe cumprimentei, ao vivo, há oito anos, aproveito este espaço agora para deixar registrado meu agradecimento: Obrigado, Danrlei !

6 comentários sobre “Avalanche Tricolor: A emoção de ver Danrlei

  1. Mesmo não torcendo para o Grêmio também sinto orgulho dessa camisa que tão bem representou o Brasil.
    Danrlei pode não ter sido exemplo da mais gloriosa disciplina de um jogador de futebol, mas foi um exemplo de verdadeira paixão pelo clube. Coisa que é difícil de ser hoje em dia.
    Deixe sua mulher e filhos verem que vc tem sentimentos. Isso é muito bom!
    Emoção é prá poucos felizes.

  2. Terminei a tarde inchado de tanto chorar. Como foi bom ver tantos ídolos, tanta história, numa só tarde. Como foi bom lembrar de tantos momentos felizes, que se misturam ao nossos momentos pessoais na década de 90. Uma coisa lembra a outra.Estando em SP consigo agora dimensionar o quanto Porto Alegre e Grêmio são importantes pra minha vida.
    Parabéns a torcida que mais uma vez deu show.
    Abs Steffen

  3. Milton,
    Ha quinze dias Danrlei e Dinho vieram até minha cidade, num evento organizado pela associaçao de gremistas daqui. Impressionante o carisma dele, e mais impressionante é estar diante de um idolo verdadeiramente apaixonado pelo nosso time. Ainda que va cometer a besteira de se envolver na politica, devemos repetir Luiz Carvalho e torná-lo Presidente dessa instituiçao chamada Grêmio Foot Ball Porto Alegrense. Ontem, mesmo tendo 37 anos, chorei várias vezes, desde a entrada dos times, vendo o time de 95 reunido de novo, passe de Paulo Nunes, gol de Jardel, Mazaropi. Foi inesquecivel. Viva Danrlei.

  4. Não consigo me perdoar por ter perdido aquilo ao qual você,Mílton,pela televisão,outros pelo rádio e 30 mil pessoas assistiram ao vivo num Olímpico,nesse sábado, em tarde de emoção e saudade. Depois de ler seu texto,então,me senti ainda mais culpado pela maldita distração,coisa que afeta,principalmente,os velhos como eu.

  5. Parabéns MIlton pelo seu comentário. Hoje, morando no DF, sou assíduo ouvinte da CBN. Quero registrar que também sinto saudades de um grande locutor: “gol, gol, gol!” Gostava de ouvir narrando jogos do Gremio. Os da faixa de cinquentinha sabem de quem estou falando. abçs.

  6. Graças a Deus soubemos dar ao Danrlei a despedida que ele mereceu e que talvez não pudemos dar à outros. Também gostaria de ver outros jogadores terem esse tipo de iniciativa, pois o Danrlei correu atrás de tudo para essa festa, e acabou empolgando a sua gente azul, que soube retribuir com gratidão a trajetória desse como nós apaixonado pelo Imortal. Foi um sábado inesquecível da minha vida gremista, quando subiu aquele time, que com certeza vai ser o último de toda a vida do Grêmio que realmente foi um 11 sólido, pois com tantas transferências e 10% de empresário, não existe mais jogador que permaneça tanto tempo em clube algum (lá se vão os nossos Réver e Victor, logo logo). Os momentos máximos da tarde foram principalmente Paulo Nunes cruzando e Jardel cabeceando (frenesi no Olímpico como só se vê em gol chorado de Libertadores) e Danrlei tocando um bumbo com a sua face estampada em frente a banda da Geral, pra delírio daquela geração de jovens que cresceu junto com o Grêmio vencedor dos anos 90, como cantam “é o clube que mais luta, que nunca se entrega”. Danrlei é um dos ídolos máximos dessa instituição centenária, principalmente porque nasceu, cresceu, venceu e soube ser grato à torcida do Grêmio Foot Ball Portoalegrense.

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