Bermuda e chinelão, muito cuidado aí !

 

Por Dora Estevam

Bermuda Luiz Melodia 1

Outro dia um amigo chegou revoltado porque a sogra disse que ele não poderia usar bermuda no almoço oferecido por ela. Outra conhecida falou que quer morrer quando encontra um homem de bermuda em restaurante. Uma verdadeira invasão, diz ela. Houve a que fez uma festa de casamento em casa e exigiu smoking para os homens. Perguntei a razão: “Os homens se vestem muito mal e eu não quero ninguém de bermuda na minha festa”.

O fato é que por todo lado que se olha tem um homem de bermuda, na maioria das vezes aqueles bermudões coloridos, bem estampados. E sem pudor, eles vão de um lado para o outro acompanhados dos famosos chinelos de dedo.

Poder, revista da jornalista Joyce Pascowitch, em dezembro, fez ensaio com o cantor Luiz Melodia e em uma das fotos colocou bermuda e chinelos de couro nele.

Bermuda Luiz Melodia 2

A stylist da revista, Manoela Fiães, explica a produção:

“Optei por colocar a bermuda por ser de linho e com chinelos de couro. Para usar esta vestimenta tem que ter estilo. Particularmente, eu acho muito deselegante estar num restaurante ou sentada num banco de shopping e, de repente, chega um homem com bermuda e chinelos de dedos e se senta do meu lado. Não gosto de ver esta situação, acho um desrespeito com as pessoas”.

Sem perdão, Manoela diz que se por acaso for sair com o namorado e ele estiver vestido desta maneira, ela não sai. E não é questão de ser fresca, não; é questão de ter noção de espaço e um pouquinho de etiqueta.

Manoela lembra as dicas que o avô costuma dar, tipo não sentar a mesa sem camisa, ou com boné, ou descalço. O homem fica com cara de desleixado e nenhuma mulher gosta.

Bermuda Luiz Melodia 3

Quando se é jovem, se acha isso careta. Mas não é. É etiqueta mesmo. É o que falta nas pessoas, hoje. Para a stylist da revista, a invasão das bermudas, que só deveria ser usada na praia, se deve a exploração dos estilos casual e despojado. Perdeu-se um pouco a formalidade. Esqueceu-se que há lugares e lugares. A pessoa tem de ter noção do espaço, alerta Manoela. Ela é carioca e mora em São Paulo, já está acostumada a ver homens de bermudas por todos os lados.

Para quem quer fazer estilo sem faltar com a educação, siga as recomendações de Manoela: vista bermudas de linho, jeans ou sarja; se gosta de chinelo, calce os de couro, bem maiores, para que não fiquem com cara de chinelo de dedo.

Esta aparência dá nova leitura ao homem. Não precisa ser careta, basta seguir um pouco as regras de etiqueta, estar bem vestido no lugar certo e você não será pego de calças curtas.
As mulheres vão adorar !

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre estilo e moda no Blog do Mílton Jung.

N.E: Imagens deste post é quebra-cabeça da foto de Luiz Melodia feita por Felipe Hellmeister para a revista Poder, leia mais aqui

19 comentários sobre “Bermuda e chinelão, muito cuidado aí !

  1. Olá Dora

    Apesar de nao atuar como estilista de moda e sim como designer de interiores e instrutor de voo por instrumentos IFR, aprecio temas voltados a moda, seus “avanços tecnologicos”, diferenças encontradas e existentes pelos cantos, bairros da cidade de São Paulo.

    Em se tratando do tema como se vestir e se apresentar adequadamente, realmente trata´se de uma discussão bastante complexa.

    Noto moradores do Rio de Janeiro, cidades praianas paulistas, tendo que enfrentar aquele calor beirando ou passando os quarenta graus, não é possivel vestir-se de outra maneira a não ser uma fresquinha bermuda.
    Prefiro as bermudas de sarja e algodão um pouco acima dos joelhos, e para acompanhar um gostoso e confortável chinelo, de dedo ou outro modelo, havaiana ou outra.
    Sem esquecer do boné para proteger a minha careca.
    Dependendo do meu destino ai vai um tenis discreto com ou sem meia, não gosto de meias.
    Adoro caminhar por onde moro, descompromissadamente vestido com um bermuda, camiseta por fora, chinelo e boné
    Quando estou trabalhando em casa, on line, prefiro as bermudas, vou ao supermercado, bancos, lojas, passeio com a minha cachorra também de bermuda.
    Obviamente que quando vou a igreja, a cinemas, restaurantes, festas e reuniões sociais familiares ou em casa de amigos a vestimenta é diferente,
    Só se for num dia em que somos convidados por algum amigo para um churrasco no jardim, abeira de uma piscina aí bermuda, camiseta e o meu inseárável boné.
    Comum ver pelas ruas dos jardins, homens mauricinhos, tipos totalmente urbanos, vestidos com bermuda de preguinha, cinto, camiseta polo por dentro da bermuda, tenis de marca, meia esricadinha até as canelas, cabelos cuidadosamente penteados para os lados, com gel, bigodes cuidadosamente aparados e o inseparável óculos da moda.
    Cor da pele “branco escritorio”
    Ai entra a moda dos manos e das minas da laje da periferia.
    Vestem-se alá o personagem da escolinha do Professor Raimundo, o Seu Boneco, aquele que usava o bordão “Eu vou prá galera!”, preferem usar bermudas que chegam nas canelas parecidas com saiotes, feitas com um tecido parecido com seda, ou aquele usado em quada chuvas, que mais se parecem com saiotes, super, hiper coloridas, com listas espalhadas, camiseta regata, sempre um chinelo de dedo, um boné dado como brinde por alguima empresa fabricante de materiais de construção, autopeças,
    Cada canto da cidade e de acordo com o nivel social de cada um e situação financeira, podemos constatar costumes diferentes.

    Não fico sem usar as minhas bermudas, camisetas por fora da bermuda, chiinelo de dedo, ou um tenis sem meia, e o meu inseparavel, bonés, por sinal tenho uma coleção para poder variar um pouco,

    Destesto usar armaduras, as fardas, os ternos, gravatas, no maximo um blazer em dias mais frios.

    aláz usar terno em um país tropical, com temperaturas altas, por imposição das corporações e são elas que escolhem as vestimentas dos funcionarios, mesmo aqueles que ficam confinados em escritorios o dia inteiro, não precisam ir para as ruas, na minha opinião é um contrasenso, exagero, coisa arcaíca, demodê!
    Muitas empresas aereas aboliram a gravata usada pelos tripulantes tecnicos.
    O que incomoda uma gravata quando estamos no cockpit de um avião em vôo, não é brincadeira.

    Bom final de semana

    Armando Italo

  2. Bermuda se tornou uma unanimidade entre os homens e, usá-las adequadamente em ambientes descontraídos, não vejo nada demais, mesmo que seja em um restaurante ; no almoço é claro! Em um churrasco acho indispensável. È muito desagradável em um churrasco, avistar um “cara”, com a camisa pra dentro da calça Jeans e cinto de couro combinando com par de sapatos social engraxadíssimos.

    Qualquer dia desses, lhe envio fotos de jovens e senhores trajando bermuda se surfista, tênis de skatista, meias três quartos e blusa/ jaqueta de inverno. Isso sim “é bacanérrimo”.

    Penso como o Armando, terno em um país tropical é realmente esquisito, quando uso é por obrigação mesmo. Exigência de smoking, encaro como um convite para que eu não compareça a festa: Quem gosta de farda é militar!

    O que é pior: Bermuda com sandália de borracha, ou terno de microfibra preto com camisa e gravata pretas, combinando com sapatos e cinto caramelo? Isso se vê muito nos centros financeiros do país.

    O que vc me diz de mulheres que usam calças tipo legging de ginástica com salto agulha?

    Abraços

  3. O tema é fantástico Estamos diante da intersecção de conceitos como elegância, estilo e comportamento psicológico.
    Recém almoçando no Entrecôte, sábado ensolarado, em frente ao Clube Pinheiros, fiquei surpreso .Não pela quantidade de bermudas, mas por quase todas estarem sendo usadas de acordo com Manoela.
    É a elegância que tem coerência entre ambiente e traje.
    No Jockey dependendo do restaurante escolhido se usa bermuda.
    O outro fator é o psicológico, pois os clássicos certamente rejeitarão a bermuda.
    O homem contemporâneo, a maioria do Entrecôte, saberá usá-la com contemporaneidade.

  4. Dora:

    Acho também um horror! Enquanto usavam bermudas ligeiramente acima dos joelhos e relativamente ajustadas as pernas, até que alguns homens ( os de pernas mais bonitas evidentemente) ficavam bem. Eram modelos que torneavam a bunda, mostravam uma parte das pernas e coxas ( quem foi que disse que a gente também não gosta de observar e olhar?) e os tecidos, em geral eram lisos e neutros.

    Hoje as bermudas são largu´[issimas, feias, em tecidos estranhso como nylon que armam e cores berrantes cítricas e até mesmo estampadas. Parecem sacos de batatas deixando a mostra apenas canelas cabeludas. Um pavor. Junte-se a isso que usam camisetas para fora da bermuda ( até porque esse modelo largão não permite nada diferente e está instaurada a deselegãncia total. Fosse só isso…. Além de feio é pouco sensual e não tem o menor charme…

    Pode ficar bonitinho para adolescentes com até 16 anos que tem a seu favor a juventude e aquele arzinho desarrumaddo de quem ainda não se encontrou na vida mas para marmanjos definitivamente não dá…

    Beijos

    Claudia

  5. Dora: tudo é uma questão de aprendizado, de cultura. Somos papagaios-macacos daquilo que acontece lá fora: vide o extremo sucesso atual, aqui também, das sandálias Havaianas- “as legítimas”. É isso , legitimidade, não a temos. Somos obrigados a copiar o trajar de europeus e americanos… vá lá, as vezes a combinação satisfaz as condições climáticas locais e até sociais….. Ao brasileiro em geral falta educação e bom senso – também no vestir. Vide o caso da “Greicy” da Uniban: adequado aqule vestidinho, não?

  6. Por estas e outras razões prefiro residir em cidade praiana, aliás, sinceramente apesar de ter nascido em são Paulo, e por ter residido anteriomente no Rio de Janeiro, baixada paulista por bons anos, acabei me convencendo que não tenho nada a ver com os costumes e o tipo de vida paulistana e cidades semelhantes.
    O povo repara demais e cuida demais da vida do outro.
    O consumismo, o modismo, a sociedade, as corporações, o materializmo interfere demais na vida do cidadão.
    quem se deixa levar, com o tempo acaba se sentindo tolhido, pressionado, induzido, e pode acabar virando doente psicossomático crônico.
    E viva as sandalias havaianas, as concorrentes, as bermudinhas, os bermudões, com a camiseta dentro ou fora da bermuda, prefiro vestir-me com a ccamiseta por fora da bermuda, além de ser mais confortável a sensação ded calor é menor.
    Só não gosto das camisetas regatas, aquelas que o suvaco peludo fica a mostra.
    Prefiro dentro do possivel seguir o lema, “Seja Você mesmo” e o resto é resto.
    Como vertir-se adequadamente>
    Vai depender somente da cultura, das condições financeiras, de onde mora, da ocasião, da vontade de cada um.

    Abraços
    Armando Italo

  7. Querida Claudia,
    é uma honra ter seu comentário aqui neste espaço. Aprendi muito com seus ensinamentos de etiqueta, e, pode ter certeza, além de coloca-los em prática, também dou dicas para os que não sabem, mas querem aprender. São valiosas.
    Beijos
    DE

  8. Oi Marcelo,
    Que bom que você voltou, adorei!
    É verdade, sair de casa sem se preocupar com a roupa certa no lugar certo uma hora passa vergonha.
    Beijos
    Dora

  9. Caro Armando,
    acompanhar o pique de São Paulo não é fácil.
    Imagina um rapaz de chinelão e bermudão em meio aos executivos da Bolsa de Valores ou em meio aos executivos da Paulista, em horário de almoço. Não combina, certo. Agora, imagina um executivo numa praia carioca, não dá né. Então, acabamos seguindo algumas regras por conta das convenções. Mas, cada um se veste como quer. Isso é fato.
    Abraço e obrigada pela participação.
    Dora

  10. Moro num país tropical………abençoado por Deus…….. e bonito por natureza.
    Bermuda é genial, assim como o “short” de puro linho para mulheres, elegante e atualíssimo, quando usado adequadamente.
    O problema é o de sempre………bom senso é tudo e serve para tudo……há lugar e hora para se usar qualquer coisa.
    Dora parabéns pelo assunto, oportuno e inteligente.

  11. Olá Dora
    Este tema realmente tem muita importância e deve ser dialogado, pois é de interesse de muitos.

    Em uma época não muito distante, em São Paulo atuei como executivo em uma corporação estrrangeira.
    Obviamente, o uso do sobrio terno, paleto e gravata, cabelos extremamente bem cortados “era obrigatorio”, o uniforme.
    Assim as situações e momentos exigiam.
    Um dia a empresa fechou suas portas no Brasil graças ao famigerado plano Collor e apartir dai jurei em frente a todos os santos que jamais usaria paleto e gravata, a não ser em ocasiões de extrema necessidade.
    Que alívio poder ficar livre da “armadura”!
    Ainda mais em um pais tropical, onde temperaturas batem perto dos 40 graus ou mais.
    Apartir da libertação, da algorria corporativa, mudei para o litoral, ingressei na “mente coletiva” e costumes praianos.
    Ora tendo que ir a são Paulo esporadicamente para reuniões a trabalho, não visto um terno “nem que a vaca tussa”!
    Por dineheiro nehum volto a trabalhar em corporações que adoram a neurulinguistica, ditam as normas sobre vários aspectos, inclusive no modo como ,um colaborador deve vestir-se, de forma impositiva.
    Nas minhas atuais atividades profissionais, graças a Deus posso trabalhar de bermuda, avaianas, camisetas, não as regatas, no máximo quando faz frio uma calça jeans, acompanhado por um confortavel tenis, ou moleton.
    Vale observar que, temos quer ter pela noção de ridiculo, bom senso, respeitare o próximo.

    Abraços
    Armando Italo

  12. Oi Mônica, tudo bem?
    É verdade, os nossos pequenos ficam super engraçadinhos vestidos com bermudas e chinelos. Bem lembrado, agora com o sol forte não podemos esquecer de colocar um bom chapéu e protetor neles.
    Beijos
    Dora

      • A receita é simples: quem se diz e se assume como adulto se veste como tal: paletó pata ocasiões formais, blazer para ocasiões casuais, bermuda com tecidos sintéticos para atividades físicas, ou para ficar em casa, tecidos impermeáveis pata atuvidades aquáticas, chinelos em casa, piscina ou praia. Calor não é desculpa para andar de bermuda em locais formais ou no trabalho. Para isso existem opções de tecidos adequados às temperaturas elevadas. Nunca vi nenhum trabalhador de plataformas por exemplo, usando roupas fora dos padrões de segurança por causa do calor.

        Também nunca vi nenhum militar em missões sem o uniforme adequado, salvo aqueles que estavam em atividades que não envolvessem combate ou treinamento de combate. Também nunca vi ninguém do clero exercendo suas funções de bermuda, nem banqueiros ou magistrados em exercício das suas atividades usando bermuda ou chinelos.

        Enfim o mínimo de etiqueta não mata ninguém, daqui a pouco em nome do conforto , das escolhas pessoais terão pessoas normalizando a falta de higiene pessoal…

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