Assim se faz uma limonada

 

Por Abigail Costa

Tenho  me sentido meio-ácida.

Tudo bem que se botar na ponta do lápis tinha lá meus motivos para o meu lado limão. A semana começou com o meu pequeno no hospital, só isso já me deixa sem rumo. Nada me tira mais do eixo do que a febre de filho. Chego até me preparar para de vez em quando… Só que quando o termômetro bate na casa dos 38,5º, me desespero.

Alguns dias de preocupação e depois vai passando.

Família, casa, cachorros e gato. Esse conjunto de vidas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo no tema dependência.

Primeiro o filho: olhar dengoso do tipo fica-do-meu-lado-por-favor! Agora o cachorro. Acabei de dar remédio, banho…. Sim, o cão também teve febre. Coitado. Percebi que até emagreceu.

É assim, cuido, tomo conta, fico olhando se dormiu, comeu …. e me consumo. Energia gasta. Pilha quase no fim, mas me sinto uma privilegiada.

Essa acidez, prefiro lidar como um excesso de zelo. Enquanto vejo meus colegas enlouquecerem por conta do trânsito, este definitivamente não me amola. Atrasos, tiro de letra. Bem sei que de outra maneira já estaria batendo os pinos.

Chefes, se dá um jeito. Falta de dinheiro agora pra pagar as contas, deixa para o mês seguinte e se parcela.

Mas os meus problemas domésticos, estes não consigo repassar.

Tenho que estar por perto. Acompanho a chegada deles. Tem que ser eu a dar o diagnóstico, fazer o tratamento e presenciar a cura. Até chegar nos finalmentes, às vezes custa um pouco.

Falava sobre isso com um amigo. Com  simples perguntas ele me fez ver beleza nisso tudo.

“Quer preocupação mais gostosa do que essa?  Quer maior sinceridade, que a de alguém que pede ajuda só pelo olhar?”

Tem razão.

Cuidando de um,  de outro, dormindo menos, acordando mais cedo. Sabe que  nenhum cartão de crédito paga isso ? Sinto que em determinados momentos erro na dose. Mas  não abro mão da minha limonada.

Abigail Costa é jornalista e às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung sempre pronta a deixar a vida mais doce.

9 comentários sobre “Assim se faz uma limonada

  1. Acredito que o amor escapa aos limites da casa. É dele a habilidade de ser generoso. E pra quem é mãe, privilégio que ainda não tive, saber se doar parace ser algo inato. A febre do filho ou as difculdades dos colegas de trabalho acabam no mesmo patamar pra quem sabe amar….E você sabe como ningém, mãezona Abigail!!!

  2. Cara Abigail

    Lendo suas palavras me sinto mais confortável, assim mais consolada!!! Também sou mãe, esposa, “do lar”; e sei como é dificil lidar com tudo isso e conciliar o trabalho. Mas acredito que se existissem mais mulheres, mães zelosas e tudo o mais que nos compete, não existiriam tantas atrocidades nas familias. Parabens para nós, pois merecemos este mérito.
    Um abraço

  3. Faço minhas suas palavras !! Admiro talento em “escrever” bem !! Parabéns à jornalista Abigail !! Mais do que profissional, uma mãe, mulher e pessoa preocupada em não delegar tarefas que só à nós cabe resolver.
    Nada pode remunerar o orgulho de fazer de um limão, uma maravilhosa limonada !!

    bj,

    Sandra

  4. Lendo este ótimo texto, eu me identifiquei muito com ele pois, como minha esposa faz um curso pela manhã duas vezes por semana, e à noite trabalha(Eu sou arquiteto autônomo, assim tenho tal mobilidade de tempo), eu muitas vezes nestes três anos de paternidade atuante administro tais problemas juntamente com ela.
    E apesar de toda angústia que existe dentre tudo que você, Abigail citou, nada é píor do que a febre do filho, mas nada nos torna mais fortes e revestidos de todo amor e motivação quando podemos sorrir da alívio ao baixar a febre, e vê-los brincar,rir e sorrir ainda que um poucio abatidos; eles mesmo nos fazem ver que nada é tão sério a ponto de não retribuirmos os risos e sorrisos que são mais que tudo, a maior recompensa no final de tudo…..

  5. Oi, Abigail!
    Não sei se você se lembrará de mim…. nós nos conhecemos na casa da Dora, naquela festinha com o Papai Noel e as crianças….
    Adorei o que você escreveu, principalmente por me identificar tanto com o assunto! A nossa limonada é diária! Espreme daqui, espreme dali e o caldo desce, às vezes super ácido, às vezes um pouco agridoce….. Ainda bem que sempre nos é dada a opção de açucararar nossas vidas como melhor nos aprouver!!!
    Às vezes ficamos cansados! Afinal, não somos de ferro! Mas que família é tudo de bom, ah, isso não podemos negar!
    Os famosos “olhinhos pidões” são o que nos consolam em quaisquer outros momentos difíceis!!
    Te deixo aqui de presente uma versão minha daquele antiquiquíssimo ditado que a vida inteira ouvimos: “Ser mãe é padecer no paraíso” – pois para mim, “ser mãe é jamais padecer!!!” (Afinal, se padecemos, do que quer que seja, o que será deles????)
    Beijo
    Mônica

  6. Abigail Costa tem razão. O amor escapa os limites da casa.

    “Relato de minha mãe: O filho adolescente da vizinha de andar do prédio, tomou umas vacinas de teve reação com febre e dores musculares. Ligou para sua mãe e recebeu a seguinte resposta: -liga pra seu pai, estou em reunião. Ligou para seu pai e recebeu a seguinte resposta: -liga pra sua mãe, estou em reunião. Como é amigo de minha mãe desde bebê, bateu em sua porta e recebeu a seguinte resposta: entre, sente-se no sofá que, vou fazer um chá de arnica e lhe darei um Ibuprofeno” (recomendado por minha irmã que é da área de saúde).

    Depois de algumas horas já tinha forças para o café e o bolo de laranja da minha mãezinha!

  7. Costumo ler este blog de cabo a rabo (se me permite a expressão). Algumas matérias,porém,por mais interessantes que sejam,não são comentadas pelos leitores. Já o que você escreve tem excelente repercussão,porque trata de sentimentos,os seus e o dos outros. O texto de hoje está mais para mães,mas quem disse que não me toca também. Afinal,o sinto como pai e avô,algo que me provoca dupla preocupação. Um beijo!

  8. Levar o filho numa consulta com o urologista, pegar ele na saída da escola nesse trãnsito maluco, ficar acordado de madrugada porque ele pode ter ido pra delegacia.. Concordo, isso deixa a vida meio ácida, mas faz parte da vida de um pai também.
    A consulta com o urologista foi quando ele achou que tinha que operar a fimose, e teve que operar mesmo. Pegar ele na escola ainda faço pelo menos 1 vez por semana, mas é na saída da faculdade e aproveitamos pra jantarmos lá na Liberdade. E no dia 11 de agosto tem a Pindura, e sempre tem um gerente de restaurante que pode não gostar da “brincadeira” e lá vão eles pra delegacia.
    Mas encaro tudo isso numa boa, acho que faz parte do paternidade e se assim não fosse não teria qualquer graça.

    Agora, ser cumprimentado com um beijo no rosto por um marmanjo na saída da faculdade, ahh essa limonada não tem preço.

    Abs

    Roberto

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