Conte Sua História de São Paulo: para comemorar o aniversário do bairro do Limão

 

Mercedes Darós
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Cheguei aqui em São Paulo no ano de 1969, na antiga rodoviária, bem cedo. Tomei um táxi para o bairro do Limão. Para chegar lá, passei pela ponte sobre o rio Tietê. Os terrenos laterais da Marginal eram um charco imenso, ouvia-se os grilos, os sapos e vagalumes, pareciam estrelas.

 

Vim pra cá para trabalhar no Colégio Padre Moye e fiquei até 2015, na maior alegria e realização. Adoro o campo da educação. Servi 23 anos no cargo de direção do colégio, que é de minha congregação religiosa. Todos daqui e arredores me conhecem como a Irmã Mercedes, do Colégio Padre Moye. Sempre abri portas e coração à população e recebi da Câmara Municipal o título de Cidadã Paulistana, que muito me honrou. Ganhei igualmente o Título de Cidadã Limoense.

 

Fui percebendo a falta de identidade dos moradores daqui e retomei a comemoração do aniversário do Limão, que é celebrado no dia 1º de outubro, a fim de criar estima, valorização e agregar as lideranças; pois historicamente, nosso bairro sempre foi considerado o “escoadouro da Zona Norte”, um lugar de passagem. Criamos então, com voluntários, a comissão “Pró Limão”. Assim, com pequenas ações, olhamos para o bem comum de todos. Não temos estatuto nem somos uma associação registrada. Damos presença, solidariedade às agremiações existentes.

 

Nossa Comissão Pró Limão assumiu zelar pela ordem e limpeza da Praça do Largo do Limão, tão descuidada. À noite eu vou, pois moro mais perto, e para não dar muito na vista, vou, tiro o lixo, folhas, galhos e plantamos mais pés de Limão, como árvore símbolo do Bairro, que lhe deu o nome.

 

Por curioso que seja temos aqui o bairro do Limão, o Jardim das Laranjeiras e a Rua das Tangerinas, chácaras cítricas, dos inícios… Mas em contra partida temos a Avenida Nossa Senhora do Ó e a Casa Verde… coitado de nosso bairro, tudo misturado.

 

Quando nosso bairro completou 80 anos foi demais… conseguimos pela primeira vez trazer a Câmara Municipal para fora dos muros do Viaduto Jacareí, com uma sessão solene, no bairro do Limão, no Colégio Padre Moye.
Neste ano, o Limão completa seus 96 anos.

 

Irmã Mercedes Darós é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também histórias da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Moda & Trabalho: o inverso do espetáculo

 

Carlos Magno Gibrail

 

Sewing and cutting of cloth (all women), 1936

 

Em 1930, a cidade de New York, centro mundial da indústria de confecção, começou a receber os reflexos da nova tendência da moda, que passava a enfatizar o design e o comércio em sua cadeia operacional. A Produção perdia importância estratégica a ponto de poder se dissociar do contexto. Corte, costura e acabamento, poderiam estar em outros locais, mais apropriados para um setor industrial. E, a costura, etapa mais intensiva de mão de obra passou a exercer forte papel social.

 

Em 1987, com 23 anos de atuação no setor de confecção, três anos de mestrado em Administração, e um ano estudando e atuando na sobrevivência das Pequenas e Médias Empresas de Confecção Infantil, apresentei a minha dissertação de Mestrado à PUC SP. Era o primeiro trabalho acadêmico focando empresarialmente o setor de moda, e ressaltava, genericamente, a importância das confecções brasileiras no aspecto corporativo e, especificamente, o trabalho feminino domiciliar das costureiras, apontando a sua inigualável função social.

 

Hoje o trabalho domiciliar, imprescindível às populações carentes, foi reduzido em parte pela melhoria das condições trabalhistas, que exigem registro e cumprimento das leis, que impossibilitam às pequenas oficinas se manterem devido aos baixos valores que recebem. Ao mesmo tempo, do lado oposto surgem locais que, ao descumprirem tudo, se viabilizam.

 

Para as Pequenas e Médias Empresas, as mudanças foram drásticas, pois muitas não sobreviveram às variações de mercado, outras foram incorporadas por grupos financeiros. Poucas cresceram. Ao traçar hoje, um quadro de sobrevivência para as Pequenas, Médias e Grandes empresas nacionais de confecção, fico apreensivo com a questão do trabalho industrial terceirizado. Segunda-feira, o Estadão publicou matéria sobre o trabalho escravo. O “Domínio do fato” teoria de 1930, usada para condenar nazistas e também “Mensaleiros”, está sendo cogitada para punir na ponta marcas de moda. Preocupa-me, pois relegar as oficinas e condenar as marcas na ponta, atende à espetacularização.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Assim se faz uma limonada

 

Por Abigail Costa

Tenho  me sentido meio-ácida.

Tudo bem que se botar na ponta do lápis tinha lá meus motivos para o meu lado limão. A semana começou com o meu pequeno no hospital, só isso já me deixa sem rumo. Nada me tira mais do eixo do que a febre de filho. Chego até me preparar para de vez em quando… Só que quando o termômetro bate na casa dos 38,5º, me desespero.

Alguns dias de preocupação e depois vai passando.

Família, casa, cachorros e gato. Esse conjunto de vidas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo no tema dependência.

Primeiro o filho: olhar dengoso do tipo fica-do-meu-lado-por-favor! Agora o cachorro. Acabei de dar remédio, banho…. Sim, o cão também teve febre. Coitado. Percebi que até emagreceu.

É assim, cuido, tomo conta, fico olhando se dormiu, comeu …. e me consumo. Energia gasta. Pilha quase no fim, mas me sinto uma privilegiada.

Essa acidez, prefiro lidar como um excesso de zelo. Enquanto vejo meus colegas enlouquecerem por conta do trânsito, este definitivamente não me amola. Atrasos, tiro de letra. Bem sei que de outra maneira já estaria batendo os pinos.

Chefes, se dá um jeito. Falta de dinheiro agora pra pagar as contas, deixa para o mês seguinte e se parcela.

Mas os meus problemas domésticos, estes não consigo repassar.

Tenho que estar por perto. Acompanho a chegada deles. Tem que ser eu a dar o diagnóstico, fazer o tratamento e presenciar a cura. Até chegar nos finalmentes, às vezes custa um pouco.

Falava sobre isso com um amigo. Com  simples perguntas ele me fez ver beleza nisso tudo.

“Quer preocupação mais gostosa do que essa?  Quer maior sinceridade, que a de alguém que pede ajuda só pelo olhar?”

Tem razão.

Cuidando de um,  de outro, dormindo menos, acordando mais cedo. Sabe que  nenhum cartão de crédito paga isso ? Sinto que em determinados momentos erro na dose. Mas  não abro mão da minha limonada.

Abigail Costa é jornalista e às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung sempre pronta a deixar a vida mais doce.

Foto-ouvinte: Mais um lançamento imobiliário

área verde à disposição

Fácil acesso ao centro da capital, vista para o rio, ampla área verde, vagas ilimitadas na garagem e energia elétrica gratuita são algumas das vantagens oferecidas a estas famílias que estacaram suas barracas na alça de acesso da Ponte do Limão, zona norte da capital paulista. As imagens (clique acima e você verá as demais) foram enviadas pelo ouvinte-internauta Alexandre Távora de Matos Mangueira e mostram o início de mais um empreendimento imobiliário irregular na capital paulista.