Anchieta, a sessentona e o transporte rodoviário

 

Semana passada, dia 22 de abril, a Via Anchieta completou 63 anos, rodovia que se transformou em sinônimo de modernidade em uma época na qual o transporte rodoviário engantinhava, superando crises internacionais.

EXPRESSO BRASILEIRO INAUGURAÇÃO

Por Adamo Bazani

A Rodovia Anchieta, que faz parte do sistema Anchieta-Imigrantes, em São Paulo, recebe mais de 30 mil veículos por dia na semana e até 80 mil por dia sábados e domindos, isso sem contar os feriados prolongados. Foi um sonho antigo de desenvolvimento de quem entendia a importância de uma ligação moderna entre três grandes pólos econômicos no Estado de São Paulo: Santos, pelo seu porto, o maior da América Latina, principal ponto de exportação dos produtos nacionais; ABC e Capital Paulista, pelo número de indústrias e população que aumentava de maneira considerável desde dos anos de 1930.

Com o aumento da atividade econômica no litoral e no planalto, ampliando também a área urbanizada nestas regiões, os deslocamentos de produtos e pessoas se faziam mais necessários. A ligação principal entre Santos e a Capital era a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, da São Paulo Railway, empresa de capital inglês, que desbravou a Serra do Mar por trilhos. No entanto, desde o governo de Washington Luís, nos anos de 1920, o Brasil começava a adotar política rodoviarista, por opção e, também, necessidade para atender de maneira rápida e barata o crescimento da população e da economia nos centros urbanos.

Mesmo com o trem sendo predominante, já em 1929, as autoridades e a população constatavam o esgotamento da rota Estrada Vergueiro, Caminho do Mar, Estrada Velha de Santos, pelo aumento do número de pessoas, mercadorias e veículos.A estrada velha se tornaria perigosa. Os veículos de transportes de cargas e passageiros se tornariam maiores e sua circulação se tornaria mais difícil.

Neste ano, em 4 de janeiro de 1920, o governo paulista de Júlio Prestes autoriza a obra que cortaria a Serra do Mar. Durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, no entanto, o projeto ficou parado. Era época de conflito mundial e os recursos ficariam escassos.

Ironia ou não, foi na época de Segunda Guerra Mundial que a Anchieta começou a ser construída, apesar de todas dificuldades financeiras e incertezas em relação ao futuro.

A construção começou em 10 de julho de 1939 e foi considerada uma da obra prima da engenharia rodoviária brasileira. Foram inúmeras as dificuldades e até vidas foram perdidas. Os viadutos, pontes aterros, túneis e cortes na Serra do Mar foram feitos quase artesanalmente, esculpida por trabalhadores e engenheiros com ferramentas simples. Não se poderia usar máquinas de grande porte em alguns pontos, por causa de riscos de deslizamentos.

Em 22 de abril de 1947, no governo de Adhemar de Barros, a primeira parte da rodovia, apenas a pista utilizada rumo ao Litoral era inaugurada. Os serviços de ônibus marcaram a fundação da rodovia. Para se ter ideia, no dia da apresentação se formava uma fila de ônibus novíssimos GM Parlour Coach, verde-amerelos, da Expresso Brasileiro, Viação Ltda, que fazia a ligação entre São Paulo-Santos, desde 1942, por iniciativa do empresário Manoel Diegues.

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