Avalanche Tricolor: Os guris da Azenha

 

Atlético-GO 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Goiânia-GO

Mithyuê é um dos guris da Azenha

No primeiro olhar, a Azenha parece seu uma rua meio sem graça, em Porto Alegre. Na era pré-shopping seu comércio era fundamental. Morávamos quase ao lado, no bairro do Menino Deus, e lá minha mãe comprava lã para nossos agasalhos, sapato pra gente ir a escola, uma o ou outra traquitana pra casa. Até a lotérica ficava logo ali na esquina. Precisava de alguma coisa, resolvia na Azenha.

Hoje, só passo de carro e tenho a impressão de que a rua não evoluiu. Apesar disso, tem uma importante função na cidade: é nossa passarela a caminho do Olímpico Monumental. Muita gente segue por ela com camisetas tricolores, bandeiras em punho, almofadinha com distintivo do clube embaixo do braço. Os bonés azul, preto e branco também podem ser visto entre as calçadas e os carros, estes quase sempre presos no congestionamento, em dia de jogo.

Poucas ruas incorporam tão bem o refrão consagrado do hino do Grêmio: “Até a pé nós iremos”.

Durante a semana, é pela Azenha que muitos guris seguem a caminho dos campos da escolinha de futebol. Vestindo camisa não-oficial, calção preto e meião até o joelho – às vezes furado, outras, renovado -, poupam as chuteiras do calçamento irregular jogando-as amarradas sobre os ombros. E levam a esperança de se transformarem em ídolos do time da paixão. Poucos terão a oportunidade esperada, passarão pelas peneiras e olhares críticos dos “professores” e serão convidados a voltar no dia seguinte, seguir treinando, sonhando.

Dos 14 jogadores que estiveram em campo na estreia do Campeonato Brasileiro, Neuton, Bruno, Mithyuê, Maylson, William Magrão, Adílson, Bergson e Roberson saíram das categorias de base para vestir a camisa profissional. Talvez tenham tido mais sorte e não precisaram enfrentar o ritual da Azenha para chegar até o Olímpico.

Na próxima quarta-feira à noite, no mais importante compromisso até aqui desta temporada, porém, qualquer um desses guris – mais o zagueiro-ala Mário Fernandes – têm de ter a consciência de que a cada bola dividida, bola roubada, bola passada ou bola chutada estarão levando com eles a história, a esperança e o sonho desses Guris da Azenha – aos quais um dia me juntei na tentativa de ser jogador de futebol.

Em tempo: O Campeonato Brasileiro começou. Que cada um faça sua parte. Não nos venham mendigar pontos no fim da competição.

2 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Os guris da Azenha

  1. Bons tempos aqueles,hein ? Que saudade deves sentir da velha Azenha. Quanto à tua tentativa de transformar-se em jogador de futebol do Grêmio,creio que não lamentas hoje o fato de a haveres trocado pelo jornalismo.

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