Moda pra não tirar o chapéu

 

Por Dora Estevam

Esta semana, a chapeleira Silvia Lucchi inaugurou exposição de chapéus, em São Paulo. Ela está de volta ao Brasil depois de morar uma boa temporada na Holanda. Por aqui, a estilista teve destaque na década de 1980 quando criou peças para as marcas Zoomp e Fiorucci. Depois, foi para o exterior, onde seguiu carreira profissional.

Silvia Lucchi

Quando se fala em chapéu vem logo a imagem de homens sóbrios dos anos 1900, conversando em rodinha nas ruas de Paris com seus novos ternos – sim, a casaca já havia caído. Era uma época em que homens e mulheres não saíam de casa sem ele. Mas o chapéu faz parte de várias gerações e os estilistas nacionais e, principalmente, internacionais amam trabalhar com este acessório tão encantador.

Chapéu e luvas faziam parte da toillette de toda mulher de 1930 a 1939. Por optarem por uma moda mais prática os pequenos e planos eram fáceis de serem presos ao penteado. Foi uma época fantástica para as criações. Elsa Schiaparelle Elsa Schiaparelle (foto ao lado), que desbancou Coco Chanel com seu estilo moderno e prático para a época, criou chapéus que eram obras de arte. Schiap, como era chamada pelos amigos, gostava de penas, não por acaso o chapéu mais famoso dela foi confeccionado com feltro vermelho e uma pena de galo. Logo virou uma marca da estilista italiana.

Foram muitas as criações: ficou célebre, também, o sapato que Schiap transformou em chapéu ao dobrá-lo para cima, com sola vermelha, sem nenhum pudor. O modelo foi usado por ela mesma e em poucas clientes ousadas. Amigo de Schiap, Salvador Dali apreciou muito a criatividade dela.

Se for pensar em loucuras de chapeleiros, logo vem à mente os mais modernos como Philip Treacy (foto a seguir) e Stephen Jones.

No Brasil, o uso do acessório não é tão frequente, a não ser em ocasiões muito especiais. Apesar disso, a moda sobrevive. No Rio de Janeiro, a chapelaria Alberto que funciona há mais de 100 anos e, em São Paulo, a chapelaria Maurice Plas com 40 anos, resistem bravamente às mudanças do tempo vendendo chapéus de todos os modelos.

O mais comum é ver o chapéu sendo usado no verão para se proteger do sol; no inverno alguns senhores com o boné inglês de lã – parece ser bem confortável. As mulheres resistem muito, com exceção de algumas que viajam para o exterior e acabam usando como opção de moda. Também por isso, o chapéu é uma peça que chama muito a atenção. Todo mundo comenta quando tem alguém usando.

Philip Treacy

Quem se diverte mesmo são as produtoras de moda e os estilistas. Eles procuram muito o acessório para as produções de fotos e desfiles. Mas é bem raro encontrar um na rua.

Que sabe a exposição “Na cabeça” de Silvia Lucchi renove e traga de volta o gosto pelo chapéu. Seria bem interessante. São mais de 200 modelos elaborados em materiais e estilos diversos. Tem até modelo que já foi vendido na famosa Barneys, de Nova York. A mostra vai até 26 de agosto, no Museu do Objeto Brasileiro, com entrada franca, em SP.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábado, no Blog do Mílton Jung

7 comentários sobre “Moda pra não tirar o chapéu

  1. Dora,

    Quando criança, adorava quando ia com meu pai para o centro de São Paulo e, passávamos no Lg. Paissandú onde tinha aquelas chapelarias -não sei se existem ainda- e, deseja me tornar adulto para usar chapéu de feltro, terno Minelli e sobretudo da Old England (Rua Marconi) Hahahah!

    Agora com “4.6 turbinado”, to no Jeans, camiseta e boné. No verão não deixo de usar chapéu panamá, mesmo ouvindo reclamações da companheira que, acha que viro ponto de referência. (risos).

    De Valentino afora, seus artigos estão sofisticados no conteúdo e na escrita. Ta dando vergonha de comentar…

    Abraços

  2. Beto: em primeiro lugar eu quero agradecer todas as suas participações. Em segundo: por favor não tenha vergonha de se expôr. Eu tenho procurado salpicaar história com atualidade, gosto desta mistura no texto. E os leitores também gostam de relembrar fatos da infância, dos pais, dos avós. É bem legal. E continue usando o seu chapéu sem pudor. Além de você se proteger dos raios solares, acaba ficando original também. E muito obrigada pelos elogios aos textos.
    Beijos e bom final de semana.

  3. A MODA, sempre um importante canal de comunicação. Tanto no aspecto geral, de época, quanto no individual, de comportamento.
    Quanto aos chapéus, ao analisar fatos economicos,sociais,antropologicos, etc dos ultimos 50 anos, verificamos que todas as novidades vingaram , mas todas as coisas antigas também continuaram a existir. Alguns exemplos : teatro,cinema,televisão,radio, etc.
    O chapéu à uma análise menos cuidadosa poder-se-ia dizer que foi dos raros itens que cairam em desuso. Puro engano, é só verificar o seu uso pelos jovens. E, por alguns conservadores efetivamente dentro do funcional. Proteger do sol ou do frio. Ou, como o Beto com o seu elegante Panamá, que como sabemos não é de materia prima panamenha.
    Belo texto de moda.

  4. Ola Dora

    Se nos dias atuais o chapeú, masculino e feminino estivesse na moda como “nos antigamentes” certamente eu estaria usando.
    Porém, nada me impede de passar a usar chapeu de vez em quando né.
    Como Carlos mencionou, atualmente noto muitos jovens usando chapeu.
    Assim como o colega Beto, também adoro um boné, nos trinks rs rs
    E tenho uma coleção considerável.
    Lembro-me bem dos antigos salões de baile que dispunham de chapelarias.
    Abraços
    e bom findo a todos
    Armando Italo

  5. Querido Italo, se você gosta de usar chapéu eu não vejo problema nenhum. Se todo mundo que gosta começar a usar, todos que tem vontade e não coragem com certeza vão passar a usar também. Em pouco tempo o chapéu voltará a ser acessório indispnsável em todas as ocasiões. Já pensou, voltar para casa porque esqueceu o chapéu.
    Bom domingo e obrigada pela participação.
    DE

  6. Dora,

    To achando que o chapéu de aba curta -sucesso ano passado- voltará com tudo neste inverno. Caso volte, vou aderir. Só espero que meus sobrinhos não os cobicem como aos meus bonés.

    E Aí Armando, vamos encarar?

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