De resgate do feminino

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De resgate do feminino na voz e sonorizado pela autora

yin yang

Desde o final da década de 1990, o resgate e reequilíbrio da energia feminina na mulher é pano de fundo da minha vida; cenografia do palco onde vivo drama e comédia, romance e suspense.

Nos idos dos anos 1960 e 70, as mulheres se rebelaram para valer. Saíram às ruas, exigiram direitos iguais como cidadãs, queimaram seus soutiens em praça pública, fizeram muito barulho, falaram grosso e, na realidade de hoje, 40 anos depois, suas exigências parecem estar bastante satisfeitas.

Falo delas assim, na terceira pessoa do plural, porque nunca tive nada a ver com isso. Sempre estudei, trabalhei e fui profissional respeitada nas áreas onde atuei; portanto, esse era um problema que eu não sentia na pele.

Tenho dois filhos, passei pelo aperto de ser mulher separada e divorciada, nos anos 1980, e dei conta do recado com algum sacrifício e muita satisfação. Privilégio meu.

Entendo o movimento feminista, mas sempre abordo o assunto com muito cuidado porque defender direitos não dá à mulher o direito de abrir mão da sua porção mulher.

Sair para ganhar a vida, literalmente é coisa de homem. Calma, não tem aí nem uma pitada de machismo. É a pura realidade. Poucas mulheres conseguem se dedicar ao trabalho, alcançar o sucesso, mantê-lo, regá-lo e cultivá-lo, sem deixar de fazer uma comidinha para o seu homem e para os seus rebentos.

Só para registro, vivemos num planeta dual. Tudo contem o seu oposto e é contido por ele.

aí mora o segredo do equilíbrio
da harmonia
do bem-estar
do bem-viver
e é isso que não pode faltar.

Temos descoberto e desenvolvido nossas habilidades, desde o início dos tempos.

o homem executivo da época
que só conseguia manusear um porrete
para prover o sustento
arrastava para a caverna-doce-caverna
a mulher que desejava levar
e ela ia de bom-grado
na maioria das vezes
quero acreditar

Hoje lhe dá joia, manda e-mail apaixonado e acaricia os mesmos cabelos que quase lhe arrancava do couro.

Não há ainda, que eu saiba, aparelho para medir a proporção entre as energias feminina
e masculina em nós, mas todos as temos, homens e mulheres, feministas ou não.

Animus e anima.

Anima, o lado feminino no homem e animus, o lado masculino na mulher.

Faz tempo que redescobrimos que não somos tão diferentes assim e não chegamos ao extremo de virmos de Vênus, e eles de Marte. Na verdade, o que temos em comum supera com vantagem as diferenças.

Homem que é homem…, mulher que é mulher… são expressões que se ainda não foram, já passou da hora de serem substituídas por: gente que é gente…

gente que é gente respeita
gente que é gente não mata
não rouba não estupra
não tortura o físico nem o psicologico
gente que é gente não destrói outra gente
com palavra mortal
e crítica mirada no mal

Até aí eu diria que concordamos todos.

Mas, e sempre tem um mas em toda história, é preciso dar um zoom na vida do ser mulher. Era ela a arrastada para a caverna quando o homem a desejava.

hoje é ela
a mulher
que arrasta musculosa e poderosa
o homem que ela quer


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung explorando suas múltiplas versões.

16 comentários sobre “De resgate do feminino

  1. Oi amiga , como sempre inteligente e focado o teu texto.
    Concordo , completamente, que o que importa não é o sexo de
    cada um , mas a essência , que nos torna maiores ou menores, melhores ou piores .Bjs saudosos Maryur

  2. Pois é Mike Lima:
    Nossa querida batalhadora, “iscrivinhadora”, professora, artezâ, escritora, mãe, etc,
    E ainda vemos muitas mulheres, filhos, filhas, que ainda insistem “em exercer a profissão ex mulher”.
    Aquelas, na minha concepção, fúteis, que vivem somente da pensão do ex e nada produzem.
    E ainda acham pouco o que recebem.
    Estejam separadas, divorciadas seja por qual motivo.
    Tem homens também!
    Muitos filhos maiores de idade, capazes, saudáveis, que também vivem de paitrocínio e mãetrocinio, pensão etc.
    Procurar trabalhar, produzir, nada!
    E se os pais, os ex não pagarem vão a justiça “brigar pelos seus direitos”

    Bjus
    Armando Italo

  3. Malú,

    Uma pena que algumas mulheres executivas e políticas, optam pela canalhice dos homens. Como vc disse: Gente é gente. E como gente, que tenhamos caráter !

    Sua cultura e inteligência, são tão belas quanto sua feminilidade!

    Beijo na palma da mão

  4. Pois é, alfa india,

    acabo de voltar de um jantar com meu primeiro namorado, que hoje mora em Floripa. Artista admirável, um amigo de sempre e pra sempre. Casamos algumas vezes, ele e eu. Falamos dos casamentos, de relacionamentos e em nenhum momento usamos o prefixo ex-.

    Me dei conta disso, lendo você. Muita gente se acha dona de outra gente e quando tomam caminhos diferentes chamam a isso de separação e põe uma etiqueta com preço, em tudo o que viveram e no amor que exerceram.

    Pena, né?

    Beijo e boa semana,
    ml

  5. beto,

    Taí uma forma muito gostosa de terminar meu dia.

    Minha feminilidade ficou toda boba com os teus elogios, e vai dormir satisfeita.

    Beijo e boa semana,
    ml

  6. É isso mesmo prima, o importante é sabermos quem somos, o que queremos e, acima de tudo, sermos felizes do nosso jeito, respeitando-nos e principalmente nos amando incondicionalmente. Bjs

  7. Olá, Malú.

    Ótimo seu texto.
    Achei muito interessante o final, creio que por haverem algumas mulheres que resolveram “arrastar” seus homens pelos cabelos, muitos deles desenvolveram um certo temor de todas nós mulheres…rsssss
    Percebo que algumas por serem independentes, passam a ser consideradas “indomáveis”.
    Percebo também alguns homens, que talvez por insegurança, não se aproximam de mulheres independentes.
    Ops!!!! Entendam por independentes as mulheres que tem opinião própria, profissão, conseguem abrir um vidro de palmito sozinhas…rssss, mas mantém a ternura e companheirismo caracteristica da maioria de nós mulheres, e não aquelas que precisam desfilar com um homem para chamar de “mor” e o façam passar por inferiores a elas diante de suas amigas fúteis, para provar, não sei para quem, que elas os dominam e que eles acatam suas ordens por mais tolas que sejam.

    Ótima semana!!!
    Bj.
    Wal

  8. magutcha primutcha!

    bem-vinda!

    Aprendo muito com você, principalmente a receber o amor e o carinho que você sabe oferecer. Só não se serve dele quem não quer.

    beijo e boa semana,
    lu

  9. Um momento sublime é abraçar com força e ternura a mulher que se ama…após o abraço um olhar cheio de amor e um beijo delicado e muito, muito saboroso…-Mulheres, não mudem….bjs

  10. Oi querida amiga Malú.

    Lindo o texto. Mostra o quanto devomos nos valorizar e muito.
    Eu nao vivi naquela época em que as mulheres ainda começavam a lutar pelos seus direitos e vejo o quanto ja se foi conquistado.
    Hoje, nos mulheres, batalhamos ainda por este muito, e percebo que o respeito cresce cada dia mais.
    Não vejo nenhum preconceito a mim, mas de certo a mulher ainda tem muito a conquistar e mostrar.

  11. Olá Malú,

    Gosto muito de estar rodeado de vocês mulheres maravilhosas, inteligentes, trabalhadoras, senhoras de si!

    Você mesma é um exemplo mais que perfeito para mim, sabe oque quer, vai à luta e sabe como vencer mesmo que te custe alguns tombos da vida.

    Gosto muito de vê-la batalhando como se fosse a primeira vez!

    Quem escolhe é a mulher, o homem sempre foi escolhido mesmo quando às puxamos pelos cabelos para dentro das cavernas e que continue assim, sempre deu certo!

    Beijos e ótima semana!

  12. Walnice,

    sábias as tuas palavras.
    Só não vamos esquecer que se tem quem arrasta, tem quem se deixa arrastar. Se tem quem humilha, tem quem se permite humilhar.

    Sabe que eu não condeno o homem que foge da mulher que o assusta? A mulher tem todo o perfil, interno e externo, para acolher. Se repelir…

    O bom da história é que tem gosto pra tudo!

    Com todo o esclarecimento a que chegamos,só fica no cativeiro quem quer.

    Beijo e boa semana,
    ml

  13. Mário, saudade!

    Pois é,

    na cozinha ou na cama
    um momento sublime é ser abraçada
    com força calibrada e ternura desmesurada
    pelo homem que se ama

    Beijo e boa semana,
    ml

  14. Cláudio,

    e você entrega o ouro assim de bandeja?

    Quer dizer que somos nós a escolher, é? Ouviram, meninas?

    Obrigada pelas palavras e pelo carinho de sempre, teu, da Karen e da Sophia.

    Beijo e boa semana,
    ml

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