O primeiro dia na terra da Copa

 

Aeroporto Johannesburgo

Nem o frio que se anunciava, nem a confusão que se imaginava. As primeiras impressões da África da Copa estão distantes daquelas para as quais nos preparamos. A temperatura em Cidade do Cabo, onde cheguei na noite de segunda-feira, era baixa, sim, e a chuva incomodava, também. Muito parecido com o clima paulistano de inverno quando os termômetros beiram os 13 graus e a garoa castiga. Nada mais além disso. Chegou a se dizer que enfrentaríamos algo próximo de zero grau nesta cidade mais ao sul da África do Sul. Talvez mais à frente, mas neste início de semana este será o cenário a recepcionar os turistas.

A chegada no principal aeroporto sul-africano, o Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Johannesburgo também chamou atenção, pois o ‘congestionamento’ que muitos temem não ocorreu. Nem no pouso nem no desembarque. Para quem encara as intermináveis filas da alfândega brasileira, descer na África do Sul foi rápido e tranquilo de mais, principalmente se levarmos em consideração o fato de que estamos há poucos dias de uma Copa.

Será que muita gente desistiu? Deve ser cedo, ainda.

A entrada no País somente surpreendeu a agente policial que me olhou com desconfiança quando disse que estava chegando do Brasil: “Neste horário?” perguntou ao mesmo tempo que esticava a mão na direção do meu cartão de embarque. Só depois se convenceu de que o voo que vim – com partida a 1h30 da madrugada – é novidade na South Africa Airlines. Avião extra para atender a demanda da Copa.

Malas devolvidas em ordem – apesar de um pouco batidas – e com agilidade. Despacho para o voo seguinte sem burocracia. Aviões no horário. E uma turma simpática atendendo nos bares no saguão de embarque, onde aguardei a viagem para Cidade do Cabo. Depois de oito horas e meia de um continente ao outro, ainda havia mais duas horas e meia pela frente até o ponto final.

A assustar apenas o comportamento de cinco ou seis brasileiros que desfilavam embandeirados de verde e amarelo com uma réplica da Copa do Mundo nas mãos e dizendo bobagens a quem passava.

O aeroporto de Cidade do Cabo não é tão grande como o de Johannesburgo, mas muito bonito. Os corredores vazios e o estacionamento com poucos carros às sete e meia da noite – hora local – pouco se parece com o que temos, por exemplo, em Congonhas ou Santos Dumont. Antes de aterrissar vê-se uma cidade com solo menos ocupado do que Johannesburgo.

No caminho para o hotel o trânsito não era intenso apesar de estarmos na hora do rush. O motorista encomendado antes de sair do Brasil segue com velocidade pelas pistas exclusivas para ônibus. Difícil mesmo é se acostumar com a mão inglesa. Aqui parece que todos andam na contramão. Teve colega que se atrapalhou inclusive para entrar no carro. Insistia em sentar no lado reservado ao motorista. Mas eu não conto quem foi.

No saguão do hotel simples que nos hospedará na primeira noite, apesar da ausência do vouncher em mãos, as atendentes fizeram todo o esforço para que nossa chegada se desse da maneira mais confortável possível.

Para quem chegou com um pé atrás e desconfiado da organização do evento, por enquanto as surpresas são positivas.

Problemas mesmo estavam estampados na primeira páginas dos jornais locais, impressionados com o incidente durante o amistoso da Nigéria em que 15 torcedores ficaram feridos e no telejornal sul-africano que mostrava um trânsito complicado em uma das cidades-sede da Copa, a qual não guardei o nome. A televisão estava distante e o som baixo. Foi nela, aliás, que vi os lances da vitória brasileira sobre a Tanzânia, goleada que também não surpreendeu a ninguém – a não ser pelo dois gols marcados por Ramires.

11 comentários sobre “O primeiro dia na terra da Copa

  1. Milton,que bom que as surpresas são positivas.Por aqui as pessoas estão na expectativa,o clima de Copa já é bem visível nas ruas enfeitadas com banderinhas e pinturas com tinta verde e amarelo.Na rua de casa a " molecada" se diverte jogando bola ou colaborando para a decoração, afinal "a união Faz a força"- lembra um amigo ,na banca de jornal é o maior barato, a procura por figurinhas da Copa é uma "loucura" precisa ver a diversão da turma que compra e troca com os amigos, quando tem repetidas. O que me chama atenção é que na maioria das vezes os colecionadores são adultos.
    abraço,

  2. Que a sua viagem por aí seja bem legal! Espero que tenha levado mulher e filhos, prá curtirem tudo juntos.
    Muito legal te ouvir hoje no CBN SP de tão longe.
    Dione

  3. Miltooooon, bom dia por aqui, por ai é boa tarde.

    Muito séria a colocação: Dê uma olhada ao redor e verifique se existe algum Elefante Branco por ai. Se não achar eu tenho certeza de que você achará por aqui. Nem que seja em 2014.
    Abraços

  4. Olá Milton boa tarde!
    Bom trabalho e aproveite bem essa viagem.
    Não deixe de trazer um mimo para o Heródoto, sugiro um par de pantufas com a carinha do guepardo (símbolo da copa da África), pois o nosso frio vai ser de doer conforme nossos metereologistas.
    Não traga vuvuzela para ele, pois devido a sua idade ele não vai ouvir o som…
    Um grande abraço Olga (filha do bilheteiro)

  5. ai Milton
    Depois de encarar mais de oito horas de voo, enlatado, sucesso ai no trabalho, aproveite, se estiver com sua familia divirtam-se.
    “Cuidado com as tigresas” ok?
    Abraços
    Armando Italo

  6. Milton,

    Desejo a você uma ótima Copa do Mundo. Peço que sempre que possível vc dê uma passadinha pelo blog e nos deixe suas impressões da Mama África…do Sul!
    Ah…e não se esqueça das pantufas sugeridas pelos amigos aqui do blog para o nosso Mestre das manhãs na CBN…ele merece né? Afinal dizem por aqui que o time dele vai fazer um Estádio (até que enfim…) para a Copa de 2014: o Piritubão!
    Depois nos fale sobre como é ficar surdo com as vuvuzelas. Em 2014 vai ser ‘bumbuzelas’ por aqui, com direito a Elefantes Brancos (os estádios)
    Abraços, bom trabalho e até a volta.
    Ciça Lopes

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