Faltaram os artistas da bola

 

De Ansedonia/Itália

Meninos brincam na praia

Dois irmãos brincam na praia de Tagliata, em Ansedonia, onde fica a velha casa de Puccini. Não me parecem meninos muito interessados com o que a obra criada pelo mestre da música nos oferece. Jogam futebol dentro d’água. Ou algo que se pareça com isso, pois usam muito mais as mãos do que os pés. Se divertem com uma dessas bolas de supermercado que ganham efeitos especiais com o vento que vem do Mediterrâneo.

De vez em quando, um deles tenta uma bicicleta e nas vezes que acerta, grita o nome de Ronaldo. Pela barriga do adolescente poderia pensar no Fenômeno; mas pelo malabarismo e proximidade só posso crer que se refira ao Gaúcho, que veste a camisa do Milan, por enquanto. O irmão parece torcer pela Juventus, pois se alcança a bola, narra como se fosse uma defesa de Buffon e, se espanta pra longe, chama por Cannavaro.

Tantas as vezes que ouvi da areia da praia o nome de Ronaldo que lembrei de outra figura pela qual cruzei quando estive em Cidade do Cabo, na primeira fase da Copa. Era um pintor de rua, desses que com alguns randis na mão e muita paciência para pousar fazem sua imagem nem sempre semelhante. Na espera de clientes, ele retocava um quadro que simulava uma disputa de bola entre Ronaldinho Gaúcho, com a camisa do Brasil, e David Beckham, com a da Inglaterra.

Craques na pintura

Dadas as circunstâncias desta Copa, a obra do pintor era quase uma ficção, pois os dois craques estavam fora de campo. Ronaldinho sequer foi convocado enquanto Beckham, devido a lesão, ganhou o direito apenas de desfilar seus ternos no banco inglês. Perguntei ao artista por que os dois e não jogadores que estivessem disputando o Mundial: “porque eles são artistas”, respondeu.

Têm razão, tanto os meninos de Tagliata quanto o pintor do Cabo. Se é para criarmos, idealizarmos um mundo perfeito, são as estrelas que devemos exaltar. E se algo chama atenção na Copa da África é o fato de chegar às semi-finais sem um candidato à craque.

Os mais cotados até a bola rolar frustraram as expectativas do torcedor. No Brasil, sem que a Ronaldinho fosse dado o direito de brilhar, Kaká jogou pela metade. Fez poucas arrancadas, sua jogada típica, e nenhum gol. Cristiano Ronaldo, de Portugal, ensaiou passes e dribles, mas produziu quase nada. Rooney, da Inglaterra, Drogba, da Costa do Marfim, e Etoo, de Camarões, não foram nada bem. Messi, da Argentina, foi quem mais rendeu, mas ficou devendo um gol e sumiu quando o time precisou dele, na derrota para a Alemanha.

Das quatro seleções que disputam vaga para a final, a partir de hoje, aparecem jogadores de qualidade. Na Holanda, Sneijder e Robben, e no Uruguai, Fórlan; na Alemanha, Podolski, Müller, Klose e Özil, enquanto na Espanha, Villa e Iniesta. Ressalto: são jogadores de qualidade, não craques (claro que adoraria tê-los no meu time e na seleção).

Qualquer um deles tem chances de se destacar no pôster do Campeão Mundial de 2010 – e merecem -, mas para se transformarem em personagem de uma obra de arte (ou um quadro de rua) e alimentarem a imaginação das crianças que brincam na praia precisarão ir muito além do futebol mostrado até aqui.

Árbitros, erros e trapalhadas no caminho do Hexa

Direto da Cidade do Cabo

O Brasil estará em campo na disputa por uma vaga nas quartas-de-final enquanto eu estarei em um avião no caminho de volta pra casa, duas semanas depois de ter desembarcado na África do Sul. Dunga terá todo seu time à disposição ao que parece, com o retorno de Kaká, insubstituível mesmo combalido, Elano, imprescindível neste momento, e Robinho, imbatível quando se solta a driblar. O treinador vive o melhor dos cenários, comparado a colegas de profissão, despachados mais cedo ou com times sem capacidade para ficar entre os 16 melhores.

De todas as seleções que apareceram até aqui, boa parte da crítica esportiva, fora do País, concorda que o Brasil é das mais equilibradas – outras equipes tem um ou outro setor em destaque – e segue firme e forte entre os candidatos ao título. Mesmo o baixo rendimento do jogo anterior, prejudicados que fomos pelas mudanças por suspensão ou exaustão, mostrou que o time pode segurar ataques fortes e atrevidos.

O Chile é um adversário curioso, pois apesar de seus bons momentos aqui na Copa e mesmo nas Eliminatórias sofre ao saber que terá de pegar o Brasil pela frente. Foi goleado na ida e na volta (3×0 e 4×2) na disputa sul-americana. E Bielsa terá de ter muito mais do que arrojo e competência para ganhar da seleção brasileira, apesar de alguns de seus jogadores apontarem suposta fragilidade da nossa defesa.

Hoje, vimos o que pode acontecer com uma equipe que respeita além da conta seu adversário. E me refiro ao México que, apesar de prejudicado pelo árbitro, visivelmente, temia a força argentina.

Nosso favoritismo, porém, não nos dará o direito de errar. O futebol jogado nesta Copa e a estratégia montada pelos treinadores têm demonstrado que o espaço para construir é cada vez mais escasso. O ato de destruir tem privilégio nos esquemas táticos e, assim, fica-se a espreita da bola mal cortada, do passe irresponsável, da falta próximo da área, do vacilo do goleiro ou de alguma artimanha da jabulani.

Soma-se a isto o erro dos árbitros, fundamental nos dois resultados desse domingo, a começar pela conquista alemã. A seleção da Inglaterra não tinha futebol suficiente para superar a Alemanha, mas se o gol legítimo tivesse sido sinalizado as dificuldades da equipe de Joachim Low seriam muito maiores.

Dunga e o Brasil mostraram que sabem encarar estas situações e têm dado poucas chances ao adversário. Portugal, o mais habilitado, não alcançou nada além de um empate contra uma seleção desmontada em seu meio-campo pelos motivos que já conhecemos. Por isso, não se arrisca nenhum resultado que não seja o da vitória, com direito a classificação a fase seguinte.

É provável que somente saiba do placar quando estiver a bordo do avião. Não terei o direito de torcer pela bola chutada por nossos atacantes ou secar o avanço chileno contra o gol de Júlio César. Fico com a impressão de que não terei como ajudar o Brasil neste desafio. Pura pretensão de torcedor, sem dúvida. Pois nada do que façamos lá fora é suficientemente maior do que os jogadores podem aprontar em campo. Ou o que podem aprontar com eles.

Que a seleção brasileira jogue o futebol para o qual está capacitada e foi preparada. E que esteja livre destes árbitros trapalhões no caminho do Hexa.

Azar do Chile !

Direto da Cidade do Cabo

E os meninos ? Não viram o jogo ontem ?

A pergunta chegou por e-mail de um internauta pouco disposto a ler o que os comentaristas de plantão – dentro os quais este que escreve o blog – pensam sobre a seleção brasileira. Para ele, quem elogia o Dunga é puxa-saco, não entende nada de futebol. Quem critica, é uma anta que não aprendeu que o futebol atual busca o resultado. Nunca está contente. Por isso, prefere ouvir os inocentes de coração, como se estes ainda existissem.

E como me cobrou, fui procurar os dois garotos que têm me ajudado a entender alguma coisa de futebol durante esta Copa, sobre os quais já conversamos neste espaço. Fiquei preocupado logo que os consultei, pois a primeira coisa que ouvi foi que “não tenho nada pra falar sobre este jogo”, na voz de quem esperava mais.

Nada ? Gostou, não gostou ? Qualquer coisa pra me ajudar.

“Só o goleiro é que foi bem”, disse um deles em elogio ao Julio César por quem ficou preocupado quando viu aquelas ataduras protegendo as costas. Machucado ou não, ele segurou a onda lá atrás, disse o outro.

“Aquele cara de perna comprida foi legal, eles tirou uma bolas do Cristiano Ronaldo”, falou o outro se referindo ao Lúcio.

Conversa vai, conversa vem, descobri que eles gostaram também de uma outra coisa: o juiz mexicano, principalmente quando ele resolveu dar um cartão amarelo duplo. Puniu um brasileiro e sem precisar baixar a mão puniu um português, também. “Parecia minha professora quando dá bronca num colega e aproveita para puxar a orelha do outro que estava rindo fora de hora”.

O mais velho, admirador de Elano, queria mesmo é a garantia de que o meio-campista estará de volta no próximo jogo. “Quando eu vi o tanto de escanteio que os caras erraram lembrei dele”, disse ao falar, sem lembrar o nome, de Daniel Alves que assumiu a função na partida contra Portugal. “Ele não acertava uma, o escanteio sempre dava na perna do zagueiro”.

Não gostaram do Júlio Batista, também. Defenderam a ideia de que ele teria de ter saído do time no primeiro tempo. Aprendi nestes três jogos que os dois são impacientes e imediatistas. Entrou, não mostrou, substitui. É o que defendem.

Sabe do que eles gostaram? Do Felipe Melo quando devolveu a botina no Pepe. “Tinha que fazer aquilo mesmo, porque o Pepe tava muito chato e brigando com a gente”. Estão perdoados pelo desejo de revanche, eles ainda são crianças. Felipe Melo, não.

Por serem crianças, não terem compromisso com a seleção, cansados de verem a chatice que marcou este terceiro jogo do Brasil, foram pragmáticos como o futebol atual: “delisgamos a TV e fomos jogar video-game”.

Pelo tanto que o Dunga reclamou do time durante o jogo, parece que ele também teria preferido ficar diante do video-game e, quem sabe, disputar uma partida de Fifa 2010, na qual não teria necessidade de abrir mão do Kaká, Elano e Robinho, que fizeram muita falta ao nosso time.

Segunda-feira eles estarão de volta, meninos.

“Azar do Chile”, concluiu o mais jovem e atrevido.

O pebolim estava mais emocionante

Direto da Cidade do Cabo

Brasil e Portugal no pebolim

O melhor do Brasil foi Dunga.

Explico, antes que alguém pense que fiquei louco, afinal, das três substituições que fez, as duas primeiras não funcionaram e, ainda, impediram que a terceira desse certo.

Júlio Batista estava mais perdido que cusco em procissão, corria pra cá, se movia prá lá, e não sabia o seu papel em campo. Daniel Alves entrou em campo disposto a enfiar um canudo nos portugueses de qualquer jeito e esqueceu que futebol é coletivo, tem mais gente doida pra marcar e mais bem colocada para tal.

Nilmar que substituiu Robinho, poupado devido a lesão, bem que tentou fazer alguma coisa, deu o chute mais perigoso do Brasil após uma bola que o Luis Fabiano não-tocou pra ele. A ideia era outra, mas chegou no lugar certo. É o que interessa. Pena o goleiro português ter feito o papel dele tão bem

Nosso goleador e Nilmar, porém, foram vítimas do meio campo sem criatividade, que se movimentava menos que time de pebolim, apesar de algumas tentativa sem sucesso. Verdade seja dita, a defesa de Portugal que, além dos quatro de trás, ainda recebeu o reforço de mais cinco meio campistas, deixando apenas Cristiano Ronaldo para as bolas sorteadas lá na frente, também não se mexia. Resultado: nada.

Os portugueses jogaram o primeiro tempo pra garantir a segunda vaga, e o segundo pra conquistar a primeira. Os brasileiros jogaram para vencer, ou melhor, queriam jogar para vencer, mas não havia gente capacitada.

O legal foi confirmar que Júlio César é o melhor goleiro do mundo, pois todas as vezes que é exigido atende nossas expectativas. Hoje, por duas vezes, fez o que o pessoal da marcação não havia conseguido: tirar a bola dos pés dos atacantes portugueses.

Por falar nos nossos defensores, se houve uma jogada emocionante no segundo tempo foi o quase carrinho de Lúcio, dentro da área brasileira, que cortou as pretensões de Cristiano Ronaldo em uma das muitas escapadas que deu. Apesar de que o Lúcio, esse sim, poderia ter ficado cravado lá atrás como a linha de defesa em time de pebolim. Às vezes, ele resolve se mandar pra frente com a bola nos pés e fica parecendo caminhão sem freio descendo a ladeira, desgovernado.

Mas vamos a justificativa para a primeira afirmação deste texto.

Na entrevista, após o empate com Portugal, Dunga disse que Robinho fez mais falta porque é driblador e sabe aproveitar os espaços curtos, comentou que a seleção insistiu muito em tocar bola na área mais congestionada do campo e falou que o futebol do Brasil precisa evoluir em relação ao que fez até aqui nesta Copa. O que justifica sua irritação ao lado do campo. Em uma partida na qual ninguém foi além da média, ao fazer a leitura correta do jogo, Dunga cumpre bem sua tarefa.

De minha parte, vou continuar assistindo ao jogo de pebolim disputado por torcedores brasileiros e portugueses aqui no Village Terra, em Cidade do Cabo, muito mais emocionante e disputado do que o Brasil e Portugal que assistimos, nesta sexta-feira.

Uma nova dimensão para o futebol do Brasil

Direto da Cidade do Cabo

Torcedor confia na vitoria contra Portugal

Torcedor confia na vitoria contra Portugal

Uma das atrações desta Copa é a transmissão em terceira dimensão por emissoras de TV confirmando um casamento antigo no qual tecnologias inovadoras nos são apresentadas tendo como atração o Mundial de futebol. Há dois dias, tive oportunidade de assistir ao compacto da vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim em um aparelho destes, à disposição em um shopping da Cidade do Cabo. Somos obrigados a colocar um óculos, não muito cômodo, diga-se, caso contrário o que teremos é um jogo sem foco, parecido com aquelas televisões nas quais se enrolava um bombril na antena para captar melhor a imagem – ou com o futebol apresentado pelos franceses, compararia algum crítico da crônica esportiva.

Assim que nos posicionamos diante da tela e com óculos a postos, o espetáculo muda. Mais nítido do que aquele que vemos das arquibancadas dos estádios brasileiros. Nas imagens, o torcedor por trás da cena e os jogadores se deslocando parecem estar ao nosso alcance. Oferecem uma noção de profundidade que nos permite avaliar bem a distância do atacante para o gol.

O corredor que Luis Fabiano encontrou entre os zagueiros para receber o passe de Kaká e a visão que tinha para encher o pé contra o goleiro marfinense são nítidos. O duplo chapéu dele nos defensores fica ainda mais belo gravado naquele formato. Tem-se ideia da lucidez do atacante ao encontrar por cima da cabeça do marcador o caminho para deixar sua marca nesta Copa. Um gaiato ao meu lado chegou a dizer que até parecia haver alguma distância entre a bola e o braço que ele teria usado para facilitar as coisas.

Fico imaginando o que seria a imagem em 3D do terceiro gol do Japão no fim da rodada dessa quinta-feira com o drible malandro de Keisuke Honda que diante de um goleiro apavorado teve tranquilidade para servir Shinji Okazaki e deixar o gol aberto e livre para o companheiro fechar a vitória que classificou os japoneses às oitavas de final.

O chute distante do italiano Quagliarella sobre uma área congestionada de eslovacos que alcançou o gol pode não ter sido suficiente para impedir o vexame de os campeões mundiais serem desclassificados ainda na primeira fase, mas deve ter proporcionado um lindo momento para as câmeras que captam os lances em 3D.

No jogo visto nesta dimensão temos impressão que fomos convidados para a festa, mesmo longe do estádio. E, assim, nos tornaremos ainda mais exigentes em relação ao show que nos será apresentado.

Verdade que o futebol mundial evoluiu tanto quanto a tecnologia.

Para se ter ideia, as 12 seleções mais velozes desta Copa aceleram acima dos 30 km/h em uma partida. O México, segundo na sua chave e primeiro em velocidade, bate a casa dos 32 km/h, enquanto o Brasil, o quinto mais rápido, chega a marca de 30,75 km/h.

Se tiver interesse confira no site da Fifa, também, a quilometragem percorrida pelos jogadores. O alemão Sami Khedira, líder na estatística, já rodou 35 km em três jogos. Todos estes números são o dobro dos registrados na época da TV em preto e branco.

O problema é que enquanto a evolução da televisão foi na qualidade, a do futebol foi na força e velocidade.

Aprendi com meus colegas do Portal Terra que o que assistimos nesta Copa são equipes com algo que os especialistas chamam de futebol concreto. É um jogo mais objetivo, sem floreio, pois a marcação forte e veloz não dá tempo para o jogador pensar. Um, dois, três toques no máximo para que se encontre uma boa solução em campo. É preciso muita disciplina tática para atender os padrões atuais.

A criatividade tem ficado em segundo plano.

Espero que, nesta sexta-feira, a seleção brasileira, mesmo sem seu principal nome, Kaká, e com a ausência de Elano, autor de dois gols até aqui, seja capaz de mostrar novamente a sua superioridade em relação a boa parte dos adversários desta Copa. Com um futebol que respeita as regras atuais, equilibrado em seus diferentes setores, forte na marcação, disposto a chegar com a bola no chão até a área inimiga e sempre pronto a nos surpreender com um lance particular.

Um Brasil capaz de nos presentear com um futebol de outra dimensão.

O que levar da Cidade do Cabo

Direto da Cidade do Cabo

Cidade do Cabo da Table Montain

A beleza intransferível da Cidade do Cabo seria o melhor que teríamos para levar daqui para São Paulo, pensei logo que a Fabíola Cidral perguntou-me sobre o assunto durante o CBN São Paulo, desta terça-feira. Fui injusto com certeza com esta que é a mais europeia das cidades sul-africanas, pois uma atenção maior no entorno e veremos que há muito mais do que a natureza ofereceu.

A limpeza do Cabo chama atenção, mesmo com a cidade tomada de turistas desde o início do mês. São milhares deles desfilando todos os dias, em especial no Waterfront, sem que deixem espalhados pelas calçadas suas marcas. Tive a curiosidade de perguntar a moradores daqui se a situação se devia aos cuidados para a Copa do Mundo e estes me garantiram que a vida por aqui é assim.

Desconhecem a Lei Cidade Limpa, pois é possível encontrar nas empenas dos prédios alguns anúncios publicitários. A poluição visual, porém, é imperceptível, talvez resultado do respeito que têm pela paisagem da cidade, desenhada pela Table Mountain e a baía logo em frente. Mesmo as lojas não usam luminosos extravagantes e na rua principal, Long Street, se esforçam para manter o cenário do passado, com balcões de arquitetura vitoriana que se estendem sobre as calçadas.

Cidade do Cabo

O desrespeito arquitetônico mais gritante está no pé da montanha, onde uma empresa de construção usou de uma brecha na legislação para levantar três torres absurdas que rasgam o visual da cidade. Exageraram tanto que chamaram atenção dos locais e as autoridades foram obrigadas a impedir que a construção seguisse para cima. Foi concluída, está em funcionamento, mas é uma vergonha viver ali.

Hoje pela manhã, encontrei com o jornalista Daniel Piza, do Estadão, que foi nosso colega na CBN, também. E ele me alertou para outro fator interessante que muitas vezes passa despercebido de nossos olhos: a organização nos pontos turísticos. Comparamos a subida a Table Mountain, feita por um teleférico, e a subida ao Corcovado, no Rio de Janeiro, que já havia sido motivo de queixa de um artista chileno que conheci. Aqui, chegasse aos 1.000 metros de altura e se tem um enorme parque para andar de maneira segura e rápida para as condições. As filas, apesar de grande, fluem sem cansar, ao contrário das que encontramos na capital fluminense. A estrutura oferecida ao turista também é muito boa.

Isto se repete em todos os demais pontos de visitação.

Cap Bay e Table Montain

Levaria para São Paulo, o respeito que os motoristas tem com as faixas de segurança. Em um trânsito que anda na mão inglesa, principalmente na área turística, o pedestre tem preferência para atravessar as ruas. Aliás, apesar dos problemas alegados para deslocamento, temos um tráfego bem mais ameno que o da capital paulista, pois falamos de uma cidade com 1,3 milhão de moradores que vivem em um extensa área geográfica, o que faz com que a densidade demográfica seja baixa, muito diferente de São Paulo.

Falaria, também, do respeito aos ciclistas, fator que presenciei nos primeiros dias de visita à cidade, porém ouvi queixas de brasileiros especializados no tema que estiveram por aqui. Renata Falzoni, por exemplo, disse que correram riscos ao encarar ruas e avenidas da cidade. Na dúvida, que levemos apenas o que eu vi e deixemos por aqui o que ela identificou.

A reclamar o serviço de táxi, bastante precário, apesar de termos encontrado motoristas sempre simpáticos e perdidos. Sim, eles pouco conhecem a cidade, parece que desembarcaram por aqui dias atrás para faturar com o movimento da Copa. Aliás, não só parece, pois é o que acontece com vários prestadores de serviço.

Torcedores na Cidade do Cabo

Deixemos por aqui, também, a violência que impera nesta sociedade. Mas São Paulo também é muito violento ? Índices comparados, a taxa de homicídio na capital paulista é metade da que encontramos na Cidade do Cabo. A insegurança, aliás, leva os restaurantes a manter hábito estranho para nós, às 11 horas as cozinhas fecham e não servem a mais ninguém. Quem chegou atrasado terá de se virar em algum pub da área turística.

Uma última coisa que gostaria de levar na mala é o clima que tomou conta da cidade neste Mundial, mas para tal teremos, primeiro, que garantir a participação de São Paulo na Copa2014.

O jogo que os meninos viram II

 

Direto da Cidade do Cabo

“Ainda bem, f.d.p” foi o que Dunga teria dito assim que o juiz deu o apito final da partida contra a Costa do Marfim. Em vez de deixar os meninos envergonhados, eles até que gostaram do desabafo. Foi o que me disseram assim que os procurei para os comentários sobre a vitória e classificação brasileira.

Os dois garotos, de 10 e 13 anos, apresentados neste blog, semana passada, após a estreia da seleção, fizeram tanto sucesso com a sinceridade de seu olhar, que decidi voltar a eles.

Ao menos para os meninos-comentaristas, ninguém precisará pedir desculpas pelos palavrões, ao contrário do que teve de fazer o técnico da França Raymond Domenech, alvo dos xingamento de Anelka no intervalo do jogo contra o México. Depois de afastar o atacante, foi à imprensa dizer que “lamento por todas as crianças que seguem a seleção da França”.

Os dois sabem que tem palavrão que ofende, tem palavrão que dá ênfase, tem palavrão dito no momento impróprio e tem palavrão que alivia. O de Dunga foi de alívio, naquele instantes. Os demais, ditos para quem não tem nada a ver com isso, e está apenas trabalhando, eles não ouviram e, portanto, não comentam. Fazem bem.

Ficaram assustados mesmo foi com a maneira dura com que aquele pessoal da Costa do Marfim jogava: “eles não são os Elefantes, são uns cavalos”, disse o menor. Mais incomodados, ainda, quando viram os marfinenses entrar de sola na canela de Elano. Como já escrevi, o mais velho diz que o meio-campo brasileiro tem “cara de dó” e, por isso, decidiu torcer por ele, em particular. Deu sorte.

Aliás, eles haviam reclamado durante o jogo a falta do gol do Elano. Pedido feito, pedido atendido, depois da boa jogada pela esquerda de Kaká. “Esse cara é legal, ele mostrou o nome das filhas depois do gol”, lembraram os dois, conquistados pela simpatia do “goleador”.

Será que ele pode ser punido por isto ? Espero que não, a mensagem era pra família, caramba.

Lembrei que eles queriam ter tirado o Kaká na partida de estreia já no primeiro tempo, antes mesmo da decisão do Dunga de substituí-lo: “Mas nesse jogo não merecia sair, apesar que disseram na TV que ele tinha de ter sido substítuido antes porque tomou o cartão amarelo”, comentou o mais velho. Sobre a expulsão: “Foi bem esquisito”.

Esquisito é elogio para o que o juiz deixou acontecer no gramado.

“O Robinho foi o Kaká do outro jogo, não fez nada desta vez”, concordaram os dois. “É, mas o Luis Fabiano fez bem mais do que todos eles juntos, num usou a mão, mas fez”, comenta o novinho que não havia nascido quando Maradona consagrou este lance no México86. “Foi o gol mais bonito que eu vi até hoje”, disse o mais velho que só assistiu aquele chapéu de Pelé, na Suécia58, pela televisão e em imagens desbotadas.

A vó, que esteve do lado deles no jogo de ontem, tinha idade para lembrar dos dois gols históricos, mas nunca acompanhou o futebol, só assiste aos jogos pra ficar junto com os netos.

Futebol-família é muito legal, mesmo que de vez em quando escape um palavrão.

Sem recurso eletrônico, torcedor vira idiota

 

Direto da Cidade do Cabo

 

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O futebol movimenta U$ 256 bilhões por ano e se calcula é praticado por 400 milhões de pessoas em todo o mundo, oficialmente em 208 países que fazem parte da Fifa, muito mais do que os 192 filiados a ONU. A quantidade de gente diante das televisões para assistir à Copa do Mundo bate a casa do bilhão, muitos dos quais apaixonados e capazes de ir aonde nenhuma outra fé os levaria.

 

Um jogo desta importância não pode ser decidido por um homem só como ocorre, atualmente, mesmo que ajudado por dois auxiliares. Ou atrapalhado por eles, como ocorreu, nesta sétima rodada de partidas da Copa da África do Sul, com o árbitro maliano Koman Coulibaly, que anulou gol legítimo dos Estados Unidos contra a Eslovênia. A bola cruzada por Donovan partiu do lado direito e passou sobre parte da defesa eslovena para ser jogada às redes por Maurice Edu.

 

Os americanos que se consagrariam com uma vitória histórica, pois teriam virado o jogo depois de estarem perdendo por 2 a 0, reclamaram no ato, mesmo sabendo da incapacidade deles mudarem a decisão. A torcida chiou nas arquibancadas e deve ter se voltado para os dois telões que reproduzem imagens da partida no estádio, mas não tiveram o direito de rever o lance, pois estas são “censuradas” pela Fifa e pelas regras do futebol. A questão é que apenas eles, diretamente envolvidos no jogo, tiveram este direito cassado.

 

A imensa audiência das emissoras de televisão viu e reviu a jogada de longe e de perto, por trás e pela frente, a partir de câmeras com capacidade de gerar slow motion de alta definição. Recursos com área sombreada, linhas imaginárias e imagem digitalizada deram suporte a opinião dos comentaristas. E foram unânimes em apontar o erro fatal.

 

A Fifa que faz acordos milionários com empresas de desenvolvimento tecnológico – a cada Copa temos uma explosão de vendas de aparelhos de televisão mais modernos, por exemplo – é a mesma que se nega a permitir o uso desses recursos no futebol sob a alegação de manter a igualdade de condições na disputa do jogo em qualquer canto do mundo. A entidade entende que para a prática do esporte bastam as traves, as redes, os uniformes e a bola, que podem ser usados por ricos e pobres, sem diferenças.

 

Primeiro, é irônico a instituição que lucra quase U$ 4 bilhões na Copa da África, doa a quem doer, nesta hora ser a porta-voz dos desvalidos. Segundo, a persistir a tese, deveríamos questionar o uso de técnicas avançadas de preparo físico, médico e psicológico dos atletas, afinal os time do Mali não conseguem oferecer a seus jogadores as mesmas condições que os times da Espanha.

 

Curioso ainda constatar que o mesmo futebol que abre mão desta tecnologia, aceita punir após a partida jogadores flagrados cometendo algum ato de violência. Flagrados pelas mesmas câmeras “cassadas” na hora do jogo.

 

Houvesse o “árbitro eletrônico” – se me permitem chamar assim o uso do vídeo para conferir lances polêmicos -, não teríamos sido obrigados a ver o futebol medíocre da seleção da França aqui na África. Em lugar dela, estaria a Irlanda, que vinha jogando muito mais, contudo acabou punida com um gol de mão de Tierry Henry. Tão pouco, os Estados Unidos estariam ameaçados de uma desclassificação pré-matura nesta Copa.

 

Pena os americanos não serem no futebol a potência que o são em outros esportes, pois talvez tivessem força para pressionar a Fifa a aceitar mudanças na regra, como ocorreu, em 2006, com o tênis. Graças a injustiça sofrida pela tenista Serena Williams, na partida contra Jennifer Capriati, pelo US Open, dois anos antes, iniciou-se um movimento em favor do replay-instantâneo. Atualmente, o tenista tem o direito a três pedidos de revisão por set e um adicional caso haja tie-break. O Hawk-Eye – Olho de Águia, em português – não é obrigatório em todas as competições, sendo usada apenas nas que distribuem maior premiação.

 

Na época em que a regra foi implantada, o número 1 do tênis Roger Federer fez duras críticas, sendo hoje um dos que mais se utilizam do recurso. Marat Safin, agora aposentado, chegou a dizer que eram idiotas os que defendiam o Hawk-Eye.

 

Idiotas somos nós, torcedores do futebol, enganados por árbitros que têm cada vez mais dificuldade para acompanhar a velocidade dos jogadores e da bola. Enquanto o futebol não aceita implantar os Olhos de Águia nos estádios da Copa do Mundo, estaremos sempre vulneráveis a manipulação dos Gaviões da Fifa.

 


A imagem acima é da galeria de Tiago Celestino, no Flickr

A violência diminui na África, só até o fim da Copa

Direto da Cidade do Cabo

Jornal da Cidade do Cabo

Duas moças apareceram mortas dentro de uma casa em Parrow, região bem distante dos olhos dos turistas que estão na Cidade do Cabo. Talvez do alto da Table Montain, visitada aos milhares todos os meses, um observador mais atento, de costas para o mar, conseguisse enxergar no horizonte resquícios deste distrito que está no subúrbio e assistiu ao seu empobrecimento, desde o Apartheid. Uma com 20 e a outra com 19, eram amigas de escola e a suspeita é que foram assassinadas por um rapaz que as conhecia. A mais velha das duas vinha se recuperando do vício das drogas, mas parece ter perdido a luta. A polícia promete investigar os motivos do crime e imagina apresentar o matador em breve.

O duplo assassinato vai parar na primeira página dos jornais locais muito mais pela relação que havia entre as duas estudantes e o provável assassino, pois sem o olhar jornalístico da busca do sensacional, o caso seria apenas mais um a fazer parte da crônica de violência contada todos os dias nas cidades da África do Sul, que dominam a parte mais baixa das listas internacionais de pesquisas sobre qualidade de vida.

Por contraditório que pareça, o Cabo que surge no topo destas classificações (é a quarta colocada entre cidades do Oriente Médio e África, segundo pesquisa mundial da Mercer que presta serviço na área de consultoria) não consegue esconder a chaga provocada pela brutalidade. Está aqui a mais alta taxa de homicídio do país com 62 assassinatos por 100 mil habitantes, surpreendente para quem anda nas ruas bem policiadas, neste período de Copa.

Policia na Cidade do Cabo

Para o Mundial, o governo africano incrementou em 44 mil o número de policiais para tentar controlar a violência. Hoje, são 190 mil de acordo com dados oficiais. E especialistas em segurança veem com otimismo o resultado alcançado até aqui, apesar das constantes notícias de turistas, jogadores e jornalistas assaltados, principalmente em cidades como Johannesburgo e Durban. Ontem mesmo, colegas nossos tiveram o cofre de seus quartos arrombado e todo o dinheiro levado embora. As estáticas mostram que o roubo é o “esporte preferido” dos bandidos sul-africanos.

Instituições que estudam questões relacionadas a segurança pública afirmam que os cerca de R 1,2 bilhão investidos no setor para a Copa do Mundo – isto representa algo em torno de U$ 173 milhões – tem reduzido os índices de violência. Gareth Newham, do Instituto para Estudos da Segurança, comparou as taxas de crimes com a Copa do Mundo de Críquete (esporte levado a sério por aqui), em 2003, e calcula que houve, com a de futebol, uma redução de até 24%, segundo informa o jornal sul-africano The Times. Andre Snyman da organização Eblockwatch lembrou que, historicamente, nos meses de maio e junho as taxas são menores se comparadas com setembro, outubro, novembro e dezembro, porém é evidente que a forte presença do policiamento tem inibido os bandidos – por incrível que possa parecer àqueles que nestes sete dias de Copa já foram vítimas de alguns deles.

Long Street na Cidade do Cabo

Ao passear pela mais antiga rua da Cidade do Cabo, Long Street, onde bares com arquitetura vitoriana destacada pela presença de balcões sobre a calçada recebem turistas e moradores locais, chama atenção uma outra característica nas fachadas. O comércio mantém portas de grade na maioria das vezes fechadas nem sempre, porém, altas o suficiente para impedir a invasão de algum assaltante que queira se aventurar na área.

Os portões de ferro se devem a dois fatores, e o primeiro é psicológico, dizem alguns por aqui: há uma paranoia que toma conta das pessoas que vivem em uma cidade na qual se tem notícia a toda hora de algum crime. Pergunto-me se aí onde você vive também não ocorre o mesmo. O segundo motivo é histórico: foi a forma dos brancos se protegerem de invasões que imaginavam seriam cometidas pelos negros ao fim do Apartheid.

O regime que separou as pessoas por cor, raça e horror ainda se reflete na sociedade sul-africana de maneira contundente. Os avanços que a luta de Nelson Mandela implementou são evidentes, mas a cicatriz aparece na pele, na arquitetura e na vida dos negros.

Distrito 6 na cidade do Cabo

Hoje mesmo, estive no Distrito 6 de onde cerca de 60 mil pessoas foram arrancadas de suas casas, a partir de 1966. Além de um museu que lembra aquela barbaridade, quarteirões vazios tomados pela grama e erva daninha foram mantidos para chamar atenção do crime cometido com este povo. Uma injustiça que começou a ser desfeita apenas em 1994.

Atente-se para as datas. O Brasil conquistava o Tetra nos Estados Unidos, quando o regime de segregação estava vindo abaixo. A história é muito recente e ainda viva na África do Sul. Por isso, criticar o país e seu povo pela violência e pobreza que ainda imperam é injusto se não levar em consideração a deterioração sofrida pela sociedade sul-africana.

Injusto, também, é esta gente continuar sendo vítima de uma elite política que ascendeu ao poder na carona de Nelson Mandela e tem esquecido parte de seus ideais. Motivo de seu descontentamento com os organizadores da Copa do Mundo 2010, pois o líder eterno deste país esperava que os jogos trouxessem não apenas visibilidade, mas benefícios concretos para os cidadãos. A ele não bastava um sistema de segurança que se desfizesse assim que a Fifa e sua famiglia fossem embora daqui – o que vai ocorrer no dia 11 de julho. Era preciso uma ação capaz de tirar o país do topo da classificação dos mais violentos do mundo, que transformasse a sociedade sul-africana mais segura não para mim, que voltareiao Brasil em algumas semanas, mas para seu próprio povo.

Morador de rua na Cidade do Cabo

A riqueza apareceu nesta Copa para quem a comanda, para os patrocinadores e seus patrocinados. Alguns segmentos faturaram mais, sem dúvida. Porém, muito do que poderia ficar por aqui foi parar nas mãos de gente lá fora e a renda não foi distribuída como Mandela sonhou.

Por isso, penso naquele senhor maltrapilho, com cheiro de cachaça, sentado na calçada assistindo ao passeio dos turistas em uma rua no centro da Cidade do Cabo. Ele estava sentado, sujo, desconsolado e triste. E, certamente, não se deve ao mal futebol jogado pela seleção da África do Sul.

Um exército de abnegados com algum talento

 

Direto da Cidade do Cabo

Chegou veloz, convicto, certo de sua tarefa naquele momento. Maicon sabia qual era seu papel quando recebeu a confiança de Dunga para jogar na ala direita e a bola passada por Elano. Da mesma maneira, não teve dúvida de como chutar, de que lado da jabulani bater. E bateu de maneira que a bola mudasse de direção, escrevesse um roteiro diferente daquele programado pelo adversário.

Robinho havia tentado no primeiro tempo o mesmo através de seus dribles. No pouco espaço que havia no campo de ataque, onde estiveram 21 dos jogadores em boa parte do tempo, ele mostrou o que pode torná-lo um jogador diferente entre os “zés” e “manés” que representam suas seleções nesta Copa. Foi ele, por sinal, que encontrou Elano lá do lado direito, também, por trás da muralha montada pelos norte-coreanos, no segundo gol brasileiro.

Mesmo Kaká, limitado não pela qualidade, mas pelo físico, fez o que podia dado os problemas que enfrentou até agora. Chamou a marcação para ele, tentou se movimentar enquanto não estava com a bola nos pés, e ofereceu espaço para que os companheiros de equipe aparecessem.

Os lances na televisão não vão mostrá-lo na jogada, mas o sempre criticado, Felipe Melo, disse em campo porque recebeu a missão de ser uma dos volantes da seleção. Para que Maicon alcançasse sua glória pessoal – marcar gol em Copa é algo que fica gravado para o resto da vida -, precisou que Felipe desse início a jogada. Para Elano deixar sua marca, precisou que Felipe roubasse a bola lá trás, pegando os “armados” norte-coreanos de surpresa. Aliás, para que o Brasil levasse um gol, precisaram os coreanos que Felipe deixasse o gramado.

Goste ou não, assim é a seleção brasileira de Dunga, formada por jogadores que foram preparados para cumprir sua função, fiéis ao script desenhado pelo chefe durante todo o período de treinamento e sempre dispostos a oferecer um pouco mais do que o talento natural que receberam.

Comprometidos, sim. Abnegados, com certeza. E prontos para encarar todos os adversários que estiverem no caminho de seu compromisso maior: ser hexacampeão mundial. Podem até não alcançar esta marca, mas não tenha dúvida de que Dunga e companhia limitada vão derramar suar até o segundo final desta Copa.

E vão derramar lágrimas, também, como fez Maicon ao comemorar seu gol. Que seja sempre de alegria.