O universo particular do luxo

 

Por Dora Estevam

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Neste domingo, São Paulo, Jardins – Oscar Freire, Haddock Lobo, Bela Cintra e Sarandi, o quadrilátero mais chique da cidade -, será cenário do maior evento de luxo aberto ao público, do País. Os visitantes, estimam perto de 10 mil pessoas, vão receber tratamento VIP e passar momentos valiosos ao lado de pessoas que se encantam com a riquíssima variedade de lojas da região.

O cenário mais apropriado recria nestas ruas um típico e charmoso passeio pelos palácios franceses. É a quarta edição do evento no qual o público terá acesso às novidades da moda, da arte, da cultura e entretenimento – da gastronomia, também, esta não poderia faltar, são 23 restaurantes. Quem recebe a todos é a marca de champanhe Promenade Chandon, que estará presente nas 34 lojas que participam da festa e terão sua vitrines “vestidas” especialmente para o momento.

Pensando em luxo e falando nele, lembrei-me de uma entrevista que li na revista Poder, nº28, com o CEO da Louis Vuitton, Monsieur Carcelle. Ele recebeu a Poder e conversou 15 minutos sobre a marca. Entre uma pergunta e outra, o repórter quis saber qual a importância do mercado de luxo, já que a Marca Vuitton é das mais valiosas neste mundo diferenciado. É um império de 449 lojas próprias. Faz ideia? Bem, Monsieur respondeu: “Luxo para nós é traduzido por ‘treat yourself’ ” – ou seja, mime-se. Mimar-se mesmo em tempos de crise, resume o CEO.

Deve ser por isso que quando estamos chateadas saímos correndo às compras.

Vamos ao dicionário verificar o que significa luxo. Está no Aurélio:

“Luxo, vida que se leva com grandes despesas supérfluas e o gosto do conforto excessivo e do prazer. Bem ou prazer custoso.”

Vamos à prática: você acha que bom gosto e personalidade no vestir são artigos ou comportamento de luxo? Você acha que ter uma parede repleta de livros do chão até o teto é luxo? Como você vê o luxo?

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Este é o estúdio do estilista Karl Lagerfel em Paris, repleta de livros em todas as paredes, fotografado por Todd Selby.

É claro que se a pessoa estiver só olhando pra baixo a visão será sempre de pobreza, de miséria, de lamúrias, de gente derrotada que se se encosta nas outras. Pra estas o luxo é um absurdo, é um desperdício de dinheiro. Mas não dá para negar que o luxo existe e tem muitas, milhares de pessoas que são luxuosas, que gastam mesmo, sem dó. E com elegância.

Vai me dizer que nunca cobiçou um belo carro projetado no melhor estilo, da melhor marca, provocativo e eficiente. Ah, tá ! Então, que tal uma viagem inesquecível, sem erros. Com a bagagem toda recheada com os melhores produtos de beleza, estilo e conforto do mundo. E as joias, os relógios: impossível nunca ter desejado um sequer.

Uns dirão: o luxo não sustenta a alma, ninguém vive dele … este lugar-comum todo. Pois eu digo: você só conhece a pessoa quando ela tem dinheiro.

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Veja a modelo Gisele Bundchen, saiu do Sul do País, com uma mão na frente e outra atrás, não tinha grana para comer, morar, a família era bastante humilde, com maneiras bem simplórias, lá da roça, e, no entanto, hoje nada no dinheiro – por, favor, no sentido figurado. Acaba de construir uma casa na Califórnia para morar com o marido e filho no valor de US$41 milhões. Imagina tudo isso. É puro luxo.

É a tendência natural de quem ganha dinheiro. Bem entendido, de quem ganha muito dinheiro. E se ganha e na bagagem leva muita cultura, ai então o luxo não tem limite.

Exemplos aqui no Brasil é o que não faltam. A começar ou comparar jogadores de futebol, cantoras e cantores populares. Assim que se tornaram celebridades, o consumo aumentou, de compras que vão desde mansões até jatos particulares. Sim, é preciso um alerta: do luxo pro brega é um erro só.

E antes que alguém critique: não estou me referindo a cafonices ou a deslumbramentos. Lembra-se do significado de luxo?

Queridos e queridas, se vocês não tiverem um compromisso neste domingo (das 17h30 às 20h30) – e estiverem aqui por São Paulo – vão até os Jardins, tomem uma taça de Chandon e tenham uma aventura com classe. Eu sei que no fundo, no fundo você é um cliente exigente e faz questão da pura sofisticação.

Dora Estevam é jornalista é escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

8 comentários sobre “O universo particular do luxo

  1. Dora,

    O termo supérfluo, na minha concepção nem deveria existir; principalmente no mundo capitalista. Cada um compra o que quer e o que pode e agrada a si próprio de acordo com o tamanho de seu bolso. Na roda da economia, um colar de miçangas tem a mesma importância que um de diamantes. O luxo também é um incentivador na busca de melhor condição de vida.

  2. Ola Dora.

    Como diz um ditado:

    “Mais vale om gosto, que dinheiro no boldo”
    Realmente é muito gostoso quando almejamos algo, com ou sem luxo e fazemos algum tipo de esforço para adquirilo e assim “damos uma massageada nos nossos egos” né?
    O que não concordo é com pessoas que consomem de forma exagerada somente para mostrar ao outros que tem grana, bala na agulha, os fúteis, tipo da deslumbrada personagem da novela Passione, os tipo new richs, que no final das contas acabam se tornando perante a sociedade como ridículos, vazios.
    Muitas pessoas que tem dinheiro, não quer dizer que possuem bom gosto em suas aquisições luxuosas, nos seus estilos de vida, etc.
    Tem que saber “dosar a pílula” e de acordo com o comprimento das nossas pernas e braços.
    Abraços e bom findi
    Com ou sem luxo.

  3. O pessoal do luxo tem se esmerado nas pesquisas, preocupados com o mercado. É bom sinal, mesmo porque o luxo difere para cada comportamento individual de consumo.
    Não podemos esquecer que o ser humano nasce sem saber nada.Precisa ser educado, treinado e seus instintos apurados.
    Portanto, quanto mais sofisticação em função do aprendizado mais se abrirá as possibilidades de apreciar o refinamento dos sentidos.
    Quem sabe para chegar às origens e apreciar o luxo inebriante de uma ilha com água naturalmente gelada da fonte, o cântaro dos pássaros, o cheiro de mar e o silêncio . Ou seja sem poluição visual, sonora e ambiental.

  4. OI Beto, realmente quando se fala em supérfluo parece uma coisa mesquinha de gente que não quer que o outro tenha. Eu gosto da ídéia de comprar o que gosta e aquilo que o bolso pode.
    Abraço e boa semana.

  5. Oi Ítalo,
    Sem dúvida andar pelos shoppings e comprar o que gosta, fequentar bons restaurantes e comer aquela comida predileta, comprar um carro confortável e dar segurança para a família são necessidades primordiais. Não é quantidade mas é um luxo.
    Abraço e boa semana.

  6. Carlos, sem dúvida o refinamento faz parte deste processo, e isso só o tempo é que mostrará. Vamos torcer para melhorar a educação no País.
    Beijos.
    DE

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