De burnout


Por Maria Lucia Solla

Você já ouviu falar da Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Trabalho?

É um coquetel de exaustão emocional, de desânimo, insatisfação, falta de perspectiva, fadiga, dor de cabeça, problemas gástricos e ineficiência. O profissional perde a motivação e a qualidade no desempenho da função e começa a faltar; isso quando não carrega o corpo, desprovido de alma. Funções orgânicas se desequilibram e doenças começam a brotar. Estresse e depressão já não podem ser camuflados atrás da montanha de pílulas coloridas, de formatos atraentes, e se mostram sem pudor. Complicações coronárias exibem as garras e o sistema circulatório congestiona.

Os afetados pelos sintomas da síndrome formam um corpo de trabalho, que dá trabalho, uma peça propulsora que retém a máquina. Perde o cidadão, perde a empresa, perde o sistema de saúde, perde a família, perdemos todos.

Então, a empresa é o bicho-papão? Não, assim como o pão não é, da dieta, o vilão. O vilão, em qualquer e toda situação na vida, é a falta de equilíbrio. É muito ao mar ou muito a terra.

Temos dados assustadores de aproximadamente 30% do corpo de trabalho da sociedade brasileira afetado pela síndrome. E o verbo receitado é humanizar. Humanizar o ambiente de trabalho e a comunicação dentro dele. A resposta é respeito, reconhecimento e arte. Falta criação, e não sou só eu, poeta de coração quem diz; há estudos, pesquisas e trabalhos científicos que comprovam que a arte-criação é intervenção eficaz no combate à síndrome. Dentro da empresa. As experiências e pesquisas que tenho feito são insignificantes diante de estudos internacionais, mas mostram resultados significativos.

Então, vai esperar que ela te pegue? Ajeite o paletó na cadeira, arregace as mangas da camisa, e brinque de massinha de modelar com seu filho. Desça do salto, sacuda os cabelos, desligue os celulares na bolsa, avance na caixa de lápis de cor da criançada e crie uma oficina de desenho, na mesa da cozinha, uma horinha por semana. Aproveite o ambiente e realizem juntos uma façanha culinária: pãezinhos de queijo congelados no forno elétrico. Ao final da folia artística outra gastronômica.

Livre-se dos remédios, pinte e borde, com a família e com os amigos, e verá que o sorriso brota fácil e os males se afastam. Passe um dia na praia sem bolsa de grife, deixe o celular em casa e faça castelos de areia. Sonhe muito, preocupe-se menos e realize mais. Aproxime-se da natureza, plante um pezinho de hortelã e tempere a salada com ele. Vibre, crie, cante, encante, se encante, surpreenda e se apaixone de novo e sempre.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

18 comentários sobre “De burnout

  1. Mario Cezar,

    não saiu de moda, não! o preguiçoso vai continuar sendo chamado de preguiçoso. Em Paris e em Maracangalha.
    Preguiça também é uma doença e deveria ser tratada, sabia? E o contágio não se dá pela carteira ou pela cor da pele. A preguiça não é preconceituosa. É pura e lindamente amoral.

    Obrigada por ter passado por aqui e conversado comigo. A ação do escrevinhador é muito solitária.

    beijo e boa semana,
    ml

  2. Maria Lucia,

    Seu texto vem sempre a calhar… ótimo!

    Eu sempre achei que não podia perder tempo, que devia aproveitar cada minuto que me foi dado. Mas agora acho que devemos aproveitá-los mais com coisas que nos deem prazer – isso sim é gostoso! – não preenchê-los apenas pra não ficar parada.

    E quando você vai nos brindar com um curso de criação?

    Bjs,
    Suiang

  3. Putz! Malu,

    Isso é muito sério: Minha irmã que é da área médica e trabalha em dois hospitais, teve esta síndrome de nome chic. Esperamos que teve!

    Depois de um ano de tratamento completo e de qualidade, retornou ao trabalho e o máximo que conseguiu foi chegar no estacionamento de um dos hospitais. Teve que retornar o tratamento e, depois mais de +/- 6 meses, recebeu alta para retorno mês que vem.

    O que mais me revoltou foi saber que, um dos motivos, foi por ela ser muito preparada e eficiente; provocando até sabotagem. Sabotagem em um lugar que se salva vidas! Onde o ambiente é uma réplica do inferno. Minha irmã não suportava ver alguém de branco, ao ponto de dizer: Lá vai o desgraçado(a)!

    Por respeito à ela não entrarei em mais detalhes. Por experiência própria, digo que, isso afeta toda à família e o papel da mesma é dar muito carinho. Caso contrário, isso pode destruir a vida da pessoa!

    Beijos, do Beto que ainda consegue contar algumas de suas costelas! Hahaha!

    P.s.: Pior que ser chamado de vagabundo, os que não tem assistência descente -psicólogo e psiquiatra-, são ludibriados por Pais de Santo e Pastores Evangélicos.

  4. Dona “iscrivinhadeira”
    Mike Lima

    No no passado conheci um jovem executivo, vinte oito anos de idade, “um monte de diplomas”, especializações, etc.
    Trabalhava em uma grande corporação estrangeira, multinacional.
    O escritorio da empresa onde o jovem executivo trabalhava fica naqueles predios, na Berrini, tipo gaiolas de vidro, onde só é possivel respirar graças ao ar condicionado, decoração sobria, frequentadores idem.
    Só sei deizer que via o garotão saindo de casa as sete horas da manha e chegava bem depois das 21h
    No inicio deste ano reencontrei o jovem executivo caminhando apoiado em uma bengala, com um dos lados do corpo paralizado, acompanhado por uma enfermeira.
    Resultado de tudo isso que vc escrevu no seu importantissimo artigo de hoje Mike Lima.
    A vinte anos eu tb tive que ficar no hangar por uns tempos.
    “Lá em cima” como cá embaixo.
    Hoje lemos e ouvimos com frequencia sobre empresas aéreas tendo seus voos cancelados.
    O Brasil e muito grande para poucas cias aéreas, aeronaves e obviamente pilotos.
    E os que estão ai, realmente nãoe stão conseguindo manter o ritmo exigido pelas cias aéreas.
    Da mesma forma, esta acontecendo em outros segmentos.
    Professores, medicos, controladores de voo, executivos, taxistas, motoristas de onibus.
    Infelizmente.
    O patrão quer saber do seu bolso, e os colaboradores, como são considerados somente numeros, estes caso venham a perder performance, imediatamente são substituidos por outr e com salarios menores.
    O “TER”, a ganacia empresarial, governamental, politica, dos grandes lobbys mandam, desmandam, ditam as normas.
    Haja saúde!
    Juventude!
    Se cuidem!
    Não tentem dar o passo maior que a perna, porque o risco de sofrer uma queda e muito grande.
    Olha ai em cima e leiam com muita atenção o belo artigo da nossa querida e estimada Prof Maria Lucia.
    No meu blog, em um dods meus artigos comento sobre a fase que passei no hangar e como passei a curtir um dos meus hobby favoritos

    Boa semana a todos
    Alpha India November.

  5. Suiang, loura linda,

    você literalmente borda a vida.

    Exerce o feminino cozinhando, mãezando, gateando, amigazeando, filhando e trabalhando. Quer mais? É só continuar.

    Tá cozinhando um grupo para o final do mês…

    beijo e nos falamos em edição extraordinária,
    ml

  6. beto,

    assino em baixo do que você disse.
    O resultado de exames, estudos e pesquisas, ao longo de décadas, mostra que os profissionais mais afetados pela síndrome são os profissionais da área da saúde (enfermeiros e médicos), da área da educação, e mais atualmente, os da área de telemarketing. Os professores mostram um índice de absenteísmo alarmante, por conta da síndrome.

    É muito, muito grave!

    Agora, quanto às tuas costelas, são excelente termômetro. Dizem que quando elas se escondem, é para sempre

    Agora, quanto ao resto do PS, prefiro nem comentar.

    beijo e boa semana,
    ml

  7. Nunca se pode oferecer o que não se possui, como não dá pra tentar ser mais do que as possibilidades de seres humanos, não é Malu?
    Guardamos diferenças pessoais mas não podemos negligenciar pra sempre os limites do nosso corpo que é a nossa casa. Limites conhecidos e respeitados chegaremos sempre a bom termo.
    Que nossas empresas tenham a pretensão de serem maiores que o planeta é uma coisa, as pessoas que trabalham nelas não poderão ser parte disso, se delas for esperado mais do que um ser humano pode oferecer.

  8. alfa india november,

    tristeza de ver, né?
    Tem gente que pede ajuda quando ainda dá tempo; quando o mal ainda não se instalou, mas a maioria sucumbe.

    agora, eu não entendo as mentes sofisticadas que gerenciam, administram, CEOzeiam empresas.

    Você já brincou de Lego não brincou? E seguramente brincou com aqueles tijolinhos de madeira que tinham desenhados, torres e portas de castelos, que a gente ia colocando um em cima do outro, formando muros, torres, e uma cidade inteira. Tinha os tijolinhos pintados de vermelho e outros pintados de azul. Eu brinquei, meu irmão brincou, meus filhos brincaram e meu sobrinho e netos brincam.

    Será que ninguém prestou atenção ao mecanismo do brinquedo? A estrutura só ficava em pé porque cada pecinha estava bem, e bem posicionada no seu lugar. Quanto maior o equilíbrio, maior a segurança da tua construção.

    Quem sabe um dia.

    beijo e boa semana pra vocês,
    ml

  9. Opaaaaaaaa
    Mike Lima.
    Se brinquei com os, tijolinhos de madeira!
    E como!
    Gostava de montar miniaturas de barcos, aeronaves.
    Quer dizer:
    Ainda gosto.
    mas para o neto!
    Ainda acho a maior curtição empinar papagaio.
    Além de adorar informatica, estar sempre me atualizando estudando.
    Fazer uns voos virtuais por ai com amigos on line em uma das redes criadas e desenvolvidas especialmente para aviação virtual.
    E voa mesmo!
    Em tempo real, clima etc.
    Como disse acima:
    Depois que “enfrentei la nos 45000 pés, “alguns CBs pela proa, “sem radar devidamente ajustado, equilibrado e operante, acabei tendo que ir parar no hangar para um chec geral.
    Mas nada como a idade para nos ensinar ne.
    Partindo do principio que tudo o que “existe” no universo é pura energia.
    Aliáz e teoria da “materia solida” ja foi derrubada.
    Bjus e exelente semana

  10. sérgio, bom dia!

    sim, sim, sim!

    E não há estresse que resista a um passeio no Cerro, ao lado de gente amiga e querida, não é? Além do que, arrematado com capuccino feitinho na hora, transbordante de espuma, evita mesmo alguns estresses prováveis, futuros.
    rs

    beijo e boa semana,
    ml

  11. Alpha india,

    realmente, antes era a idade que ajudava a aprender: estilo água mole em pedra dura. Hoje, se você tem notado, as crianças já nascem sabendo aquilo que levamos anos para aprender. Os jovens são sábios, e o que os faz tremer é a letargia dos mais velhos, a acomodação, a tendência a postergar soluções. Vamos fazendo lugar a eles,que já etão no comando.É inevitável; o milagre da perpetuação.

    beijo,
    ml

  12. Prima querida, como já conversamos ontem sobre este tema, lembrando de uma entrevista do Milton Jung com um engenheiro que hoje trabalha com gestão, só quando os empresários deixarem de ver seus funcionários como “máquinas, macacões e/ou peças de suas empresas” e passarem a enxergá-los como seres humanos, com sentimentos, vontades e necessidades, sindromes como esta deixarão de existir, pois com uma melhor qualidade de vida, as pessoas adoeceram menos. Por isso sejamos felizes!
    Beijocas
    Magutcha

  13. Sim, maga, sim, sim, sim!

    e o trabalhador também precisa não esquecer de quem é, precisa não se ver como simples macacão ou jaleco, precisa se reconhecer como célula indispensável do corpo(rativo).

    beijo, linda, e obrigada por passar por aqui e deixar tua reflexão e teu carinho,
    ml

  14. Mama,

    Tô Burnout da política… tem remédio? Seja trabalhando, descansando ou dormindo, essa sina brasileira com a política persegue até no sonho… Ha ha ha…

    Tá Dilmais da conta… chega de Dilmatamento… Essa política está Dilmatá!

    Ufa!

  15. Filho,

    já experimentou bolhinhas de sabão, sentado no peitoril da janela?

    Encher balões no sopro para as festinhas infantis também desestressa…

    beijo e salve-se quem puder. Eu já estou de olho em Barcelona.

    mm

  16. A almofada roubou a cena. hehe

    O que mais me cansa é ver que tem gente que não está nem aí para o bem-estar, próprio ou dos outros, coitados. Como se um mundo chato não fosse o bastante….

  17. bruno,

    a almofada agradece o carinho e a atenção!

    A turma do “não estou nem aí” está em sono profundo, acreditando-se vivos. Concordaram em nascer aqui na Terra, abriram os olhos e a boca e só fazem comer e dormir, e sofrer nos intervalos.

    A enormidade do Ego ocupou o espaço todo da bagagem, e a alma ficou pra trás.

    Não sofremos de “falta de segurança”: “cadê a segurança desta cidade!” não sofremos de “falta de polícia”: “cadê a polícia?!” e nem de “falta de educação”. Sofremos de falta de alma. De falta de consciência, humildade, compreensão, paz, harmonia, fartura, saúde e bem-estar, que são acessórios que vêm acoplados à ela! À alma! O fogo divino!

    Obrigada, viu?

    beijo e boa semana,
    ml

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