Chove chuva, chove promessa, chove desculpa, chove…


Por Carlos Magno Gibrail

Enchente em São Paulo

E enche. As enchentes que abalam grande parte das metrópoles brasileiras são resultado de um longo processo de modificação e desestabilização da natureza por forças humanas. As várzeas foram ocupadas e impermeabilizadas, as árvores escassearam e o progresso que foi instalado não trouxe a compensação natural.

A adequação das dimensões de todo o sistema de escoamento das águas não foi realizada e os piscinões que poderiam equilibrar parte do processo não foram executados em quantidade desejável.

Ou seja, a atualização das medidas necessárias para bocas de lobo, bueiros e canalização de águas pluviais não foram planejadas nem efetivadas. Isto significa que estes equipamentos não atendem ao volume de águas atuais. Como sabemos as chuvas de hoje são maiores daquelas de antes pelo desmatamento, inclusive da Amazônia, e pelo aquecimento global. E a população aumentada não cuida e entope estes escoadouros com lixo e detritos orgânicos.

Contamos ainda com três milhões de pessoas que vivem em áreas de risco.

É por isto que com duas chuvas em véspera de verão a cidade de São Paulo já teve mortes por enchente.

As ações preventivas não foram completadas. Ficaram nas promessas. Menos mal que há uma semana tivemos a aprovação unânime no Senado da Medida Provisória 494 que trata da liberação de recursos da União para atender casos de calamidade pública, sem exigir trâmites burocráticos convencionais. Esta medida que será apresentada ao presidente da república para sanção, cria o SINTEC Sistema Nacional de Defesa Civil, que deverá receber todo o mapeamento nacional das áreas de risco.

Nesta linha de levantamento, a Prefeitura de São Paulo está concluindo um sistema que irá permitir avisar os três milhões de moradores que estão em área de risco. Através de quatro a cinco mil líderes comunitário informará com antecedência a chegada de chuvas pelo SMS dos celulares. O problema ainda assim não estará resolvido porque a imprecisão é comum no verão. Nesta ;ultima chuva às 20h previu-se chuva forte no sul e o vento mudou para o centro e o norte da cidade de São Paulo, onde às 22h começou a chover.

É a resolução do problema começando pelo efeito e não pela causa. Nas próximas eleições será melhor tratar de temas pertinentes às grandes necessidades coletivas e públicas e deixar religião e preconceitos individuais para as igrejas e demais comunidades. Antes disso deveremos refletir sobre dados como os mais de 50% de financiadores desta última campanha terem sido as empresas envolvidas na construção civil. Não se sabe, entretanto para quem e de quem foi o dinheiro doado.

É chover no molhado? Espero que não.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

10 comentários sobre “Chove chuva, chove promessa, chove desculpa, chove…

  1. Oi Milton!
    Aqui é a Cíntia Carvalho. (Jundiaí – ONG Voto Consciente)

    Quando começo a pensar em meio ambiente, cidadania…me sinto bem pessimista…o problema esta em uma dimensão tão grande que temo não ter mais solução.
    É fato que a nascente do problema esta na educação do cidadão, “jogar papel de bala na rua não faz diferença, é só um”…ridiculo!
    E este cidadão (um dos) que fica invadindo a via dos ônibus e entre outros locais não permitidos? Não precisa nem falar, mais uma mostra da falta de consciencia da população!

    Assim é fácil falar da política brasileira enquanto ficamos sentados reclamando e não fazendo a nossa parte!

    Apoiem o Transporte Sustentável meu povo!
    http://bicicletadajundiai.blogspot.com/

    Como disse Hugo Penteado na semana passada, somos todos um organismo só, ferimos o meio ambiente, estamos ferindo a nós mesmos!

    Abraço!

  2. Que bom que mais um órgão burocrático será criado pelo nosso governo para tentar acabar com a burocracia das liberações de verbas de urgência! Acredito que está na hora, até já passou, de uma campanha séria e de alcance nacional sobre o lixo que é jogado em lugar inadequado. Nosso presidente, no alto de sua aprovação popular, bem que poderia iniciar esse desafio: “Copa de 2012 sem pets nos rios e sem bituca nas ruas”….

  3. Curiosa é a posição da Câmara Municipal de SP que assiste a tudo isso e não age como deveria: fiscalizar o Executivo. Deveriam os vereadores cobrar o cumprimento não apenas de promessa mas de aplicação das verbas do orçamento

  4. Marcelo Alves Moreira, muito bom o seu comentário.
    Os médicos estáo em uma das áreas em que o preventivo é essencialmente mais importante, pois evitaria a doença, bastante mais custosa do que a ação de prevenção.
    O meio ambiente e o planeta sairiam com resultado bem melhor , assim como a saúde .
    Quem andou de bonde deve se lembrar da frase escrita em seus bancos : PREVENIR ACIDENTES É DEVER DE TODOS

  5. Pois é Carlos

    Em quanto a população consciente, dentro dos seus direitos constitucionais, reinvidica e luta com todas as suas forças para terminar ou pelo menos suavizar os problemas da cidade, dos desmandos, das falcatruas, das incopetencias politicas, do abuso dos lobbys e de poder, os politicos caminham na contra mão, fazem que tudo está muito bem obrigado, fazem que não veem ou não querem ver o caos absoluto que São Paulo cabaou se tornando, principalmente nestas ultimas administrações que fizeram São Paulo andar para trás o tempo todo.
    Eu que fico mais para os lados de cotia, recentemente fomos surprendidos com o projeto absurdo do lixão que pretendem instalar.
    A gente tenta sair do purgatório para acabar caindo no inferno.
    Ou sai de um inferno para cair em outro.
    ôooo tristesa!

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