EUA usam violência como política contra o terrorismo

 

A morte de Osama Bin Laden levou americanos às ruas, com bandeiras, buzinas, gritos de vitória, banho em fontes públicas e cartazes que destacavam o resultado da ação com o placar de um jogo de futebol: “Obama 1 x 0 Osama”. Uma festa marcada pela vingança ao assassinato de cerca de 3 mil pessoas no 11 de Setembro de 2001 e milhares de outros em uma série de batalhas e confrontos promovidos sob o título de Guerra ao Terror.

Os Estados Unidos não costumam ser felizes nestas tentativas. Tendem a aumentar o ódio e o pensamento anti-imperialista que movem estes alucinados em todo o mundo. Foi esta política, incentivada pela família Bush, a mãe de todos os homens-bomba que explodiram – e os muitos outros que ainda serão detonados, lamentavelmente.

Obama, prêmio de Nobel da Paz, comemorou a morte do inimigo com um grito de justiça. “Uma justiça medieval, a do dente por dente e olho por olho”, disse logo cedo o professor Arthur Bernardes, de Relações Internacionais da PUC do Rio de janeiro.

O presidente americano após as declarações iniciais na qual assumiu o papel de vingador tentou ficar mais próximo da imagem que construiu para a opinião pública, a de um humanista. E, através do esforço de sua assessoria na Casa Branca, tentou mostrar que não tinha dado licença para matar. Teria sido a reação violenta e o uso de escudos humanos (com mulheres) de Osama que levaram a necessidade de abater a presa.

Os depoimentos de americanos que desfilaram nas televisões nessa segunda-feira, muitos falando com o Grau Zero ao fundo, ponto antes ocupado pelas Torres Gêmeas, são emocionantes. Tristes muitas vezes, pois conviver há dez anos com a injustiça dos ataques covardes dos terroristas deixou marcas profundas na alma e coração daquele povo. Fica-se sensibilizado diante da dor e a tendência é apoiar medidas drásticas e assassinas contra Osama e qualquer outra pessoa suspeita de fazer parte do mesmo ideal.

Mesmo diante de tudo isso, ainda sou favorável a comportamentos civilizados como melhor arma contra os que promovem o terror. Atacar com violência os violentos me parece, às vezes, apenas fazer o jogo destes e reforçar o discurso doente que os incentiva.

Por isso, não me surpreendo ao encontrar em texto de Walter Maeirovitch, no Blog Sem Fronteira, a análise que mais se aproxima a minha ideia sobre o tema:

“… a incivilidade não é a regra no Ocidente que tanto incomodava o terrorista. O respeito à pessoa humana é a regra e entre nós existem, com jurisdição internacional, as cortes de direitos humanos”

Para dizer e escrever isso, porém, é preciso coragem diante da pressão popular e, algumas vezes, da própria opinião dos mais próximos.

Um comentário sobre “EUA usam violência como política contra o terrorismo

  1. Se os USA são detentores das mais rigorosas leis, possuem sistema carcerário “mais eficientes”, assim afirmam, porquê simplesmente matar?
    Na minha modesta opinião, o assassinato do Osama Bin Laden, apesar de este terrorista ter matado milhares de seres humanos de uma vez só, não passou de vingança, como acontecia no velho oeste.
    Quer dizer que todas as leis norte americanas, por mais severas que são, prisões “exemplares”, nada disso foi aplicado.
    E assim ainda prevalece, olho por olho, dente por dente!
    Apesar de tudo.
    Eu não creio que o Bin Laden esteja morto
    Cadê o cadáver?
    Essa “estória” que jogaram o corpo no mar para mim não passa de uma desculpa esfarrapada.

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