Avalanche Tricolor: O sorriso do Campeão

 

Grêmio 1 x 0 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Jogadores com a cor do Grêmio estarão sempre na nossa memória. E Tarciso é um desses. Sua imagem nos leva a um passado de incríveis resultados, tempos em que superar adversários de Rio e São Paulo ainda eram vistos como feitos quase impossíveis. E, também, está ligada a uma fase de transição do Imortal Tricolor, momento em que deixávamos de ser um time apenas para consumo interno para sermos temidos pelos grandes clubes do País. Era ele o ponteiro direito do time campeão brasileiro em 1981, treinando pelo meu querido padrinho Ênio Andrade, que conquistou o título após duas difíceis disputas contra o São Paulo.

Hoje cedo, antes da partida com o mesmo São Paulo, Christian, meu irmão, e Fernando, meu sobrinho, que moram em Porto Alegre, tiveram a feliz oportunidade de encontrá-lo próximo do Estádio Olímpico. Se apresentaram e pediram para tirar uma foto. Nada mais natural para fãs que encontram seu ídolo. Na conversa, Tarciso soube que eram filho e neto de Milton Ferretti Jung, o homem do Gol-gol-gol, que você, caro e raro leitor deste blog, conhece seja pela própria história dele, seja pelos posts de toda quinta-feira. Na mesma hora deu aquele sorriso que meu irmão definiu como o de Campeão do Mundo. Sim, Tarciso também fez parte daquele time que conquistou o Planeta, em 1983. E mandou “um abração para o velho Milton”. Abraço enviado.

Foi Milton, o pai, quem o batizou de Flecha Negra, apelido que refletia bem a velocidade com que Tarciso escapava dos adversários e chegava na cara do gol. Uma característica que, aliás, o levou para o Grêmio após marcar um gol contra o próprio, na época em que ainda vestia a camisa do América do Rio, em 1973. Durante os 13 anos em que jogou pelo Grêmio sua postura em campo, a forma como se entregava em cada jogada e as disparadas com a bola no pé o transformaram em eterno ídolo.

Tarciso é um exemplo para todos estes que hoje jogam no nosso time. Sei lá quantos deles serão capazes de repetir a mesma história e serem lembrados para sempre pelos torcedores. O que sei é que a disposição de cada um, desde que Celso Roth assumiu o comando, tem um pouco da raça, da determinação, da coragem e da personalidade com as quais apenas alguns foram capazes de se consagrar. E, tenha certeza, Tarciso foi um desses.

Nenhum comentarista viu, os narradores não falaram, o adversário jamais poderia imaginar e duvido que o atual elenco tenha percebido. Mas o espírito de Tarciso estava em campo nesta vitória que reforça a Avalanche Tricolor recém iniciada, que só vai sossegar quanto estiver de volta a Libertadores.

N.B: Os números estranhos (tema da última Avalanche) estiveram de volta no jogo de hoje. Nada porém supera a criatividade dos pais de alguns jogadores de futebol no momento de batizá-los. Um dos zagueiros do São Paulo, estava grafado na camisa, se chama Rhodolfo. Assim mesmo, com um intrometido “h” na primeira sílaba. Haja imaginação!

10 comentários sobre “Avalanche Tricolor: O sorriso do Campeão

    • Armando, eis a beleza do futebol, a combinação da força e talento. O gol do Grêmio, injustamente mostrado apenas a partir do drible do Julio César, que foi nota 10, quando na realidade a jogada toda foi linda pela troca de passe precisa e a agilidade na movimentação.

  1. O encontro do Christian e do Fernando com Tarciso,o Flecha Negra,mais do que uma agradável lembrança do meu passado e de jogadores que ainda não recebiam polpudos salários,mas corriam e se esforçavam como se fossem todos milionários buscando justificar a grana alta,permitiu ao Mílton comparar o espírito deles com o deste time do Celso Roth. Não vejam nisso sacrilégio algum. O Olímpico voltou a ter grande público. A torcida novamente acredita no atual elenco gremista.

    • Milton,

      Tivemos, ontem, o maior público da rodada, com mais de 30 mil torcedores. Minha aposta da Avalanche anterior está em pé. Só vamos parar quando estivermos na Libertadores. Lá vem mais uma Avalanche.

  2. A foto com o Flecha Negra deu sorte e olha que Fernando nem foi ao jogo. Quando o vi chegando, logo falei para o Fernando: “tá vendo aquela cara ali chegando? Já foi um grande jogador do Grêmio. E o mais legal é que minutos antes, ali do posto, vi a brigada militar trancando o trânsito e logo disse para o Fernando: fica cuidando que lá vem o ônibus com o time do Grêmio, que vinha da concentração. Enfim dois gremistas fajutos que não vão a campo mas vivem essa emoção que circula em torno do estádio Olímpico. Quer dizer do lado da minha casa.

  3. Como são-paulino, gostei mais do post do 1° turno, quando o Grêmio foi ao Morumbi. De qualquer forma, é sempre bom ler histórias de jogadores como Tarciso.

  4. Milton, eu tenho uma honra ainda maior.
    Eu me CHAMO Tarciso. Tarciso Salvatore. O “Társis” é um apelido de infancia que uso comercialmente.
    Pena que não conheço meu ídolo famoso pessoalmente.

    Quanto ao time… acho que Roth tem sim méritos, mas o maior responsável por essa escalada na tabela se chama Paulo Paixão. Ninguém neste campeoanto corre como o Grêmio.

    Abs!

  5. Pingback: O dia em que Tarciso encontrou o ídolo que o batizou de Flecha Negra | Mílton Jung

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