Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência

 

Por Milton Ferretti jung

A ocasião – reza um ditado popular – faz o ladrão. O antigo adágio (qual não é?) vale apenas, porém, para algumas espécies de furto ou roubo. Alguém, por exemplo, quem sabe até sem más intenções, entra numa loja dessas mais modestas, sem alarme na saída, do tipo que dispara em contato com a etiqueta dos produtos ofertados e, imaginando que não será flagrado, dá de mão numa camiseta de pouco valor, esconde-a e escapa incólume. Há, entretanto, maneiras bem mais sofisticadas de furtar ou roubar. Não sei se as pessoas que, seja aproveitando a ocasião, seja por outros motivos bem mais condenáveis, apropriam-se de dinheiro público, o fazem por pura ganância. Refiro-me, especialmente, às que recebem bons e até excepcionais salários e que não necessitariam praticar ilícitos penais. Estão bem acima da carne seca dos menos favorecidos, mas são incapazes de resistir à tentação de aumentar os seus proventos ou até mesmo as suas fortunas. E não se envergonham! Quando, por má sorte ou pouca perícia, são levantadas suspeitas sobre a origem do dinheiro do qual se apropriaram indebitamente – e isso acaba acontecendo mais cedo ou mais tarde – não se pejam de jurar inocência. Fariam isso sobre uma Bíblia, caso o costume ainda estivesse na moda.

A corrupção nunca saiu da moda. Ao estudar latim no curso clássico do Colégio Nossa Senhora do Rosário, em Porto alegre, cheguei a decorar discurso de Cícero contra Catilina, um corrupto, que foi seu contemporâneo. A Catilinária, como ficou conhecida a empolgante fala de Cícero, advogado, orador e escritor romano, pronunciada no ano 43 a.C., nunca vou esquecer, começava assim: “O tempora, O mores” (Oh, tempos, Oh,costumes). Mais adiante, o famoso tribuno disse: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência”. A primeira frase e esta que recordei, caberiam, sem tirar nem pôr,nos nossos dias. Pior que isso: no que acontece no Brasil de hoje. Sem dúvida, corrupção, roubalheira e outras patifarias semelhantes são males que acompanharão as gerações que nos sucederão. Até o fim do mundo os malditos vão prosseguir abusando da paciência das pessoas sérias. Só espero que essas não se transformem em minoria.


Milton Ferretti jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

5 comentários sobre “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência

  1. Milton
    Você me fez lembrar dos meus tempos de Clássico no Mackenzie e das Catilinárias, que tão bem você usou.
    É vergonhoso mesmo isso que acontece no nosso país.
    E o pior é que não há punição. Talvez pro carinha que pegasse uma camiseta numa lojinha houvesse punição brava, mas para esses políticos corruptos ao extremo, fica por isso mesmo.
    abraços, Milton
    Ledice Pereira

  2. A paciência só vai chegar ao fim quando o eleitor descobrir o Poder que ele tem não mãos em eliminar essas figurinhas carimbadas com um simples gesto: Não votar em ladrões, picaretas e gente que só quer o Poder para roubar o dinheiro público. Não sei quando, mas um dia o Povo vai acordar.

  3. Até quando a população resolver agir e reagir.
    Por ora, ficam disputando estádios para seus estados, seus times.
    Ficam apoiando o roubo aos estados produtores de petróleo.
    Ficam votando errado, quando até o voto em branco seria mais útil, pois sinalizaria a pobreza dos candidatos.
    Ficam acreditando que a fala dos donos dos poderes é verdadeira. Lembram quando disseram que seria uma COPA da iniciativa privada?
    Ficam aplaudindo campanhas politicas que discutem aborto e Deus.
    Etc

  4. Bom Dia Milton e aos colegas do blog,

    Concordo com vc Carlso coment. 3. Essa situação só vai quando o povo reagir.
    Veja o exemplo da ALSP, o proprio deputado do partido afirmou com todas as letras que tem corrupição com relação as emendas parlamentares e alguns deles como o Campos machado, Samuel Moreira, Orlando Morano, estão fazendo de tudo para emcubri e evitar que essa situação venha a baila.
    Inclusive ontem, eu ouvir um comentario do deputado Orlando Morno, dizendo, que a comissão de etica da Alesp, não poderia ouvir outras testemunhas que não fosse od proprios deputados. A quem ele quer enganar e proteger? Acho, que a ele mesmo e seus proprios pares que estão envolvidos nesse rolo.
    Não é esquisito essa poissão dele? Por que todos os dias tanto a comissão de etica da camara dos deputados federais/senado, ouvi todos os tipos de testemunhas, não importando a sua origem. É claro desde que ela tem algo a falar e dar palnque politico, eles vão atras. E a comissão da Alesp não pode ouvir outros tipos de testemunhas? É mais conversa para boi dormir desse farabuto.
    O melhor de tudo isso, é que mesmo que aos poucos o povo esta reagindo. E logo, esses caras de pau e salaflarios vão ter o que merecem.

    Abr a todos e bom fim de semana.

    JR.

  5. Bom Dia Milton e o pessoal blogueiros,

    Por acaso vcs viram ou ouviram a piada do goveranador geraldo alquimim ontem, onde ele falava que após os jogos, as pessoas, vão levar 30 minutos para chegarem ao centro de SP. Hoje, que é um dia normal, essa mesma linha teve problemas e as pessoas, levavam uma hora para embarcar.
    A pergunta que fica é: será que ele é mesmo governador de SP? ou ele esta em outro planeta? Eu fico com segunda parte da pegunta.
    O pior de tudo isso, é vermos pessoas como cafu misturado com essa raça. Espero que ele tenha bom senso e pula fora desse barco. Por que se não, logo logo, ele vai esta sendo chamado para depor sobre corrupção.
    Bom o Ronaldo, já esta ferrado, já estar enterrado até o pescoço com essa gang.
    Eu quero ver a hora que a batata quente cair no colo dele. Essa raça como diz a Lucia Hipolito, não é para amadores e sim para profissionais piores ou igauis a eles.

    Abr,

    JS.

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