As motos de São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Cidade das motos

Há 10 anos o guitarrista dos Titãs, Marcelo Fromer morreu atropelado por uma moto. Hoje, isto é repetido a cada três dias, e numa recíproca macabra, diariamente, mais de um cidadão motociclista morre na cidade de São Paulo. A partir daí só a certeza de que as 900mil motos, das quais 200mil de profissionais, crescerão numericamente enquanto diminuirão os espaços. E, por sua vez, a adrenalina acionada levantará as velocidades e as atrocidades de manobras extremas.

A simplista solução restringindo o condutor ou a motocicleta, embora sugerida por alguns, evidentemente não é o caminho sustentável. É preciso ir à causa, já que o efeito é conhecido. E, não é difícil perceber, a falta do transporte coletivo de qualidade e em quantidade é o principal vilão da tragédia urbana paulistana.
Enquanto não chegam os kms de metrô, trens e demais coletivos necessários, é preciso facilitar a vida das motos. Protegê-las e normatizá-las. Não é possível manter também aqui a hegemonia do automóvel.

As faixas exclusivas e o controle de velocidade, acenadas como impraticáveis, precisam ser examinadas e desenvolvidas.

Sabemos que a tecnologia pode tudo quando quer. A faixa exclusiva foi indeferida porque o STF entendeu que a União não pode legislar nacionalmente no trânsito local.

Discriminar as motos trará aumento do problema pela inevitabilidade, pois seu preço acessível tornará cada vez mais atrativa sua utilização, quer para transporte, quer para negócio. Se quisermos voltar a dirigir autos sem o sobressalto atual dos ataques de motoqueiros alucinados e, também, sem o preconceito de motoristas assustados, é bom adiantarmos as soluções.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

8 comentários sobre “As motos de São Paulo

  1. Tenho um amigo motoqueiro e ele brinca comigo porque nunca gostei de moto para mim como transporte: Ele diz, se eu andar a 40Km/h em toda a cidade ainda chego mais rápido que um carro. E ele explica: enquanto carros ficam parados, as motos andam entre os carros e com isso não ficam parados. E se a rua esta bloqueada para pavimentação ou acidentes o motoqueiro desce da moto e empurra a moto pela calçada e continua sua trajetória sem problemas. Ai vem a pergunta: estão padronizando as vias para carros para 60KM/h na cidade para reduzir mortes. Por que não reduzir e padronizar que as motos circulem pela cidade a 40Km/h? Afinal, enquanto os carros ficam presos nos congestionamentos, as motos não param. Meu amigo tem razão. As motos não ficam parados no trânsito. Podem rodar a 40Km/h numa boa. Sabado fiquei na 23 de Maio parado num conmgestionamento por mais de 20 minutos. Enquantos isso as motos passavam A MAIS DE 60kM/H entre um carro parado e outro quase arrancando o retrovisor dos carros. Não tinha nem como mudar de faixa. Essa redução iria poupar a vida do motoqueiro e tbem a vida do pedestre.

  2. Carlos

    O aumento assustador de motos em São Paulo deve-se em p ao caos no transito paulistano que a cada dia dificulta a locomoção dos automoveis, onibus.
    A precariedade do transporte publico
    A maioria esmagadora dos trabalhadores moram muito distante do local de trabalho
    Os escorchantes preços das passagens cobradas pelo metrô, onibus, trens, taxis
    As facilidades para comprar uma moto a “long time” em suaves prestações.
    Com o que se gata por mês somente com passagens de onibus é possivel pagar as prestações da moto.
    E a nossa prefeitura fecha os olhos e faz que não vê
    Afinal as montadoras sempre “dão uma ajudinha” aos candidatos politicos.

  3. Daniel Lescano, comentário 1
    Também tenho a opinião que a redução e o controle da velocidade das motos seria uma solução.
    Entretanto ainda não há equipamento para isto.
    Vamos esperar que a tecnologia não demore para chegar.
    Enquanto isso os motoristas continuarão a viver dentro dos carros em permanente atenção aos ataques dos motoqueiros.Estes, por sua vez correndo risco total de morrer por conduta própria imprópria, ou dos motoristas de carros.

  4. Armando Italo, comentário 2
    O transporte coletivo sem dúvida é o grande causador dos males da circulação e da mobilidade urbana na cidade.
    As motos poderiam ser uma alternativa eficiente, se regularizadas e ordenadas por controles de velocidade e de espaços próprios.

  5. Carlos,
    antes de ser o problema vejo as motos na verdade como um sintoma mais grave de que não estamos sabendo lidar com os problemas da cidade, faz muito tempo. O trânsito é só um deles.
    Pensei que poderia sugerir uma determinada logística, empresas de moto-frete se organizando para gerirem as rotas, criar um sistema misto de distribuição, coisa do gênero.
    Os textos que você escreve me colocam na posição de ao menos tentar dar um sugestão, ajudar a resolver. É como me sinto mas tem vezes que não há solução curta nem muito óbvia. Nem uma entidade ou empresa pode tomar o lugar do governo. Nem uma tem tanta abrangência e fatalmente alguém ficaria de fora.
    A tarefa central aqui é a Educação. Aquela que tem professor, pais, comunidade e que vai paulatinamente ensinando quando e como é a hora de cada um. A que dá noções de direitos e deveres, punições e recompensas no sentido de organizar a cidade para que cada um possa ser individual sem o risco eminente de atropelos. É como eu vejo o problema das motos e do trânsito Carlos.
    Bom dia.

  6. Sergio,comentário 5
    Antes de tudo vejo a moto como um meio de locomoção com 3 possiblidades. Transporte, passeio , trabalho.
    Numa ordenação equilibrada, ela deveria ter espaço como os automóveis e demais veículos – onibus, caminhonete,caminhão.
    Pela situação caótica do trânsito surgiram as motos como elemento de transporte de documentos, alimentos e demais produtos. Prestando inclusive importantes serviços a todos os cidadãos.
    A partir da atual situação, priorizaria o controle da velocidade.
    Em seguida daria as faixa exclusivas. E, enquanto isso trataria do transporte coletivo.
    A moto , junto com a bicicleta, para quem gosta será uma excelente colaboração na equação dos meios de transporte.

    Grande abraço.

    Vamos continuar a pensar no assunto.

  7. Prezado Gibrail

    Aqui em São Paulo, a Prefeitura optou por implantar a faixa exclusiva para motos junto ao canteiro central, tornando impossível a conversão de automóveis pelo lado esquerdo (o exemplo mais conhecido é o do corredor Vergueiro/Domingos de Morais).

    Gostaria de saber sua opinião, uma vez que os próprios motociclistas costumam usar a faixa ENTRE os os veíclos que circulam pela esquerda.

    Um abraço e obrigado pelos seus sempre bem-vindos comentários.

  8. Eu fui Office Boy e me lembro que atravessava a cidade de transporte público, indo em bancos. Entregas a domicílios e motos na rua eram raridade, mas eu peguei o fim do cargo de Office Boy e o início dos Motoboys.

    Como resolver esse problema? Regulamentando as empresas de frete seria um bom começo. O problema da moto é a velocidade, uma queda a mais de 30 km/h já pode ser fatal. Não vejo problemas em motoqueiros andando entre os carros, o problema é eles andando a 90 km/h entre os carros.

    Punição somente não salva vida, como já fui motoqueiro sei que depois do primeiro tombo, 90% dos motoqueiros passam a andar mais na boa, o problema são os que não sobrevivem ao primeiro tombo.

    Outro detalhe, a maioria dos motociclistas que se acidentam não são Motoboys, mas aqueles trabalhadores que trocaram o ônibus ou o carro pela moto. Nesse caso creio que a única solução é trabalhar no controle de velocidade e torcer para eles sobreviverem a primeira queda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s