Inspeção veicular: limpar o ar e os contratos

 

Fumaceira em carro escolar

O artifício usado pela prefeitura de São Paulo para implantar a inspeção veicular na cidade é questionado pelo Ministério Público e está no centro de polêmica que levou ao bloqueio de bens do prefeito Gilberto Kassab e do Secretário Municipal do Meio Ambiente Eduardo Jorge e mais uma dezena de executivos da CCR, grupo que comanda a Controlar, responsável pela prestação do serviço na capital paulista. Isto, porém, não deve ser motivo para a cidade desperdiçar uma experiência interessante que será estendida para os municípios brasileiros com mais de 3 milhões de moradores. É fundamental que se analise os resultados práticos da medida que obriga toda a frota licenciada em São Paulo a passar por vistoria uma vez ao ano.

A inspeção veicular tirou do ar da cidade de São Paulo um volume de poluição equivalente ao produzido por uma frota de quase 1,4 milhão de carros, calculou o engenheiro Gabriel Murgel Branco, da empresa Enviromentality, em estudo apresentado no meio do ano. Para chegar a este número, levou-se em consideração a redução da emissão de monóxido de carbono na camada atmosférica. Em outro trabalho, o doutor Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP, identificou que a vistoria rendeu ao PIB paulistano R$ 55,56 milhões, cruzando os dados do quanto foi retirado da poluição do ar, o custo médio das internações na rede de saúde e o quanto o trabalho de um paulistano rende.

Apesar das avaliações positivas de especialistas, sexta-feira passada, a Cetesb divulgou o Painel da Qualidade Ambiental, no qual a poluição do ar na Grande São Paulo surge dos maiores inimigos à saúde do cidadão. Ozônio e poeira estavam mais presentes no ar em 2010 do que em 2009, conforme balanço da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Por exemplo, foram registrados 37 microgramas por metro cúbico de material particulado, em 2010, contra 32, em 2009.

Mesmo com a inspeção na capital, a poluição está mais presente no ar devido aos aumentos da frota de carros e do trânsito – mais carros por mais tempo nas ruas. Seria pior se a vistoria não fosse realizada, mas é péssimo, também, sabermos que todos os veículos licenciados na cidade ao lado – seja ela qual for – roda por aqui sem nenhum controle. Sem contar que a falta de fiscalização efetiva permite que “carros fantasmas”, na maioria mais antigos, poluam o ar sem qualquer punição.

Digo isso para concluir que a suspeita de erro nos procedimentos de contratação da empresa que faz a inspeção em São Paulo, denunciado pelo Ministério Público Estadual, não deve ser motivo para suspender definitivamente o programa na capital. Que se limpe os contratos, assim como a inspeção pode ajudar a limpar o ar.

6 comentários sobre “Inspeção veicular: limpar o ar e os contratos

  1. Olha Milton, as vezes tenho minhas dúvidas a interesses servem algumas pessoas do MP. Tentam impedir uma obra do Metro alegando que “pode” ter havido um conluio devido ao formato da licitação.

    Mas não questionaram o formato da licitação durante ela e só depois que o governo assinou o contrato, ficando impossível para a atual gestão cancelar o contrato sem trazer um prejuízo muito maior para a sociedade.

    Ainda por cima mandam afastar o presidente do Metro sendo que na época da licitação ele era o presidente da CPTM!

    Agora se esforçam para acabar com um contrato da inspeção veicular em São Paulo. Não posso falar sobre o prefeito, mas o Sec Eduardo Jorge eu o vejo como um exemplo de homem público, quem dera a maioria dos nossos políticos eleitos tivessem 10% da ética dele e duvido que ele faria algo para prejudicar nossa cidade.

    Mas pior mesmo é saber que esse mesmo MP e o judiciário deu as costas para todos os problemas que mostramos sobre a obra da Nova Marginal. Nada fez para impedir que quase 2 bi fossem gasto naquela obra que teve inúmeras falhas, obra que está quase acabada, não respeitou a lei que mandava ter ciclovia já que a pista foi reformada, sem falar nas compensações que eu nunca vi.

    Eu já deixei de acreditar na justiça há tempos, pois a cada dia que passa eu percebo que ela não serve aos interesses da sociedade e sim a uma pequena parcela dela.

    Abs

    André Pasqualini

  2. Boa Tarde Milton e aos Colegas do blog,

    Meu caro Armando, creches, escolas, saude, segurança, transportes para esse prefeito de meia pataca e seus asseclas incompententes são perfumarias. Alguem acha que eles estão preocupados com isso? Só eles mesmos, achavão que as falcatruas entre eles e a controlar não seriam descobertas.
    O chato de tudo isso é saber que não vai acontecer nanda com eles. Nesse país só tem justiça para ladrões de galinhas e latas de atum.

    Abr,

    JS.

  3. O serviço da Controlar é muito caro. Para passar um espelho na parte de baixo do carro, colocar um sensor no escapamento e um outro no motor custa R$ 60,00. Ou seja nada no carro é desmostado para justificar esse preço alto. Além do mais se o carro não passa na inspeção o técnico não te dá o diagnóstico de onde está o problema. Vc é obrigado a pagar para passar num scanner computadorizado para saber onde está o problema. Me sinto otário quando estou numa marginal e vejo carretas, ônibus e carros de outros Estados e municipios soltando fumaça preta na minha cara. Ou todos deveriam fazer a inspeção ou ninguem deveria ser obrigado. Tbem não é verdade que carros antigos poluem mais. Meu Fiesta é 95 e passou na inspeção de 2010 2011 e tinha carros anos 2009 2010 ao meu lado e foi reprovado. Isso não depende do ano do carro e sim do cuidado que o dono tem. O Governo deveria dar redução de IPI para itens como Escapamento, catalisadores, filtro de ar, filtro de óleo, peças para motor, Só um exemplo: o catalisador novo do Fiesta 95 custa entre R$ 900 ou R$ 1.200. Ai a maioria vai para desmanches onde o catalisador nem sempre tá 100%. Mas eu sei qual o objetivo disso tudo: Tirar de circulação os carros antigos (que vai ficar mais caro arrumar do que comprar outro) para a industria faturar mais e mais e o Governo faturar com seus impostos caros. E a poluição das fabricas em Sp ninguem mais falou nada. E Cubatão será que tá em ordem?

  4. Tudo correto , só que o Eng. Gabriel Murgel Branco, quando deu a entrevista a CBN, omitiu que o mesmo é, consultor pago pela CONTROLAR ,(VIDE ENTREVISTA PUBLICADA NA FOLHA DE SÂO PAULO ) inclusive fez a pesquisa por intermédio de sua empresa contratada pela CONTROLAR, portanto é evidente que ninguem nestas condições, vai contestar o programa e citar os problemas, os paulistanos querem pessoas INDEPENDENTES, e não pessoas completamente comprometidas com a empresa,. Gostaria que a CBN quando das entrevistas informa-se ao ouvinte o vinculo dos entrevistados , pois assim poderiamos avaliar melhor as opiniões, nesta entrevista simplesmente não podemos avaliar nada seria como entrevistar o presidente da CONTROLAR¨, pois ninguem costuma dar tiro no proprio pé.

    • Ramon,

      Gabriel Murgel Branco é engenheiro independente e reconhecido internacionalmente, desenvolve estudos para as mais diferentes entidades, não sendo funcionário da Controlar.

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