Na passarela do Morumbi

 

Por Dora Estevam

Tenho andado bastante pelas calçadas do Morumbi, zona Sul de São Paulo, em especial na Avenida Morumbi. Estes passeios são excelentes oportunidades para se perceber as coisas boas e ruins que estão em nosso entorno. Tem morador que conserva bem as calçadas e fachadas, além de manter seu espaço limpo. Pensa no bem estar dentro de casa e de quem passa do lado de fora, também. Outros esquecem que moram em uma cidade grande e imaginam que o bairro ainda é uma enorme fazenda, deixando as plantas e vegetação tomarem conta das calçadas, impedindo o passeio. Sem contar que muitas estão com o piso quebrado, intransitável. Notei, também, sacos de lixo colocados fora de hora da coleta, atrapalhando o caminho. A suprefeitura da região poderia aproveitar a nova lei das calçadas para iniciar fiscalização mais rigorosa.

 

Próximo do restaurante Casa da Fazenda, encontra-se um dos marcos da região, o portal que teria sido a entrada principal da grande fazenda que foi o bairro. Ocorre que bem neste trecho o portal toma conta de toda a calçada e nunca se preocuparam em criar uma passagem para pedestres, obrigados a andar e arriscar a vida na movimentada avenida. Para quem visita o local ou apenas está caminhando como eu, muito cuidado: o calçamento é irregular e a falta de uma tampa de ferro deixa a mostra um buraco perigosíssimo, cair lá é pé quebrado na certa.

 

O passeio segue em frente e me chamou atenção a existência de pontos de ônibus por toda extensão da avenida. Mais ainda: a gostosa área verde que se tem à disposição; pode-se sentir o perfume das flores e eucaliptos dispersos nas casas e muros. O movimento de pessoas e carros aumenta quando se aproxima o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. É notável a diferença do tratamento para a redondeza, em especial a limpeza e a segurança. Foi o único trecho no qual encontrei carro de polícia.

 

Mais adiante, descendo a Avenida Engenheiro Oscar Americano, as calçadas estão em fase de restauração. Em um bom pedaço, o morador – ou será a prefeitura ? – decidiu trocar todo o piso, está ficando ótimo. Mas cuidado, não vá com muita vontade que logo você terá problemas. Perto do Hospital São Luiz a calçada é horrível e para piorar fios da Eletropaulo estão pendurados na altura das pessoas, o que causa aflição. Na vizinhança tem de tudo, inclusive morador que coloca cones diante da casa para impedir que os demais estacionem. Esquisito, pois a rua é pública, e, pelo que sei, só não se pode parar na guia rebaixada, nas proximidades das esquinas e quando houver alguma restrição sinalizada com placas. Se não, vá em frente. Ou melhor, estacione. Mas o morador fez as regras dele. Merece uma visitante da CET.

 

O Morumbi é um bairro para quem anda de carro, não a pé. Em muitos dos faróis pelos quais tentei atravessar, em cruzamentos, não encontrei faixa de segurança e, em alguns casos, foi preciso arriscar e correr ara não ser atropelada. Eu escapei, ainda bem.

 

O caminho foi ficar mais gostoso na Avenida Cdade Jardim, não que a preocupação com a segurança diminua, mas as calçadas são amplas e mais bem conservadas, a medidas que tem muitos imóveis reformados. Para finalizar o passeio, atravessei a ponte e senti o mau cheiro do Rio Pinheiros, com água escura, espessa e cara de abandono total. Uma pena.

 

Mesmo que a área residencial anda predomine, existem atrações interessantes para quem visita o Morumbi: a Casa da Fazenda já citada, a Casa de Vidro da artista Lina Bo Bardi, a Fundação Maria Luiza (bárbara, vale muito a pena conhecer), a Capelinha com exposições e o estádio do São Paulo.não posso esquecer o icônico Hospital Alberto Einstein.

 

De todos os aspectos que me chamaram atenção ao transformar o bairro mais arborizado de São Paulo em minha passarela da ida “particular” é a vasta área verde em torno de casas e nas praças. Que Deus o proteja assim! E os moradores, também.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Um comentário sobre “Na passarela do Morumbi

  1. Esta entrada do Morumbi ao lado da capela é definitivamente o exemplo que identifica a cidade exclusiva ao automóvel.
    Não há calçada, o pedestre tem que se aventurar no asfalto.
    Uma pena, pois em geral o passeio a pé tem que ser feito quase todo pelo asfalto nas ruas arborizadas do bairro, pois muitas calçadas são totalmente irregulares.
    O poder público não cuida, mas convenhamos, os moradores também não.

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