A coragem de Eike

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Eike Batista, mineiro de nascimento, carioca por opção, rico por determinação. É definitivamente um brasileiro raro. Não por ser milionário, mas por ser e parecer ser.

 

Desde o Império, na figura do Barão de Mauá, a história do Brasil jamais apresentou cidadão equivalente em fortuna e desenvoltura em alardeá-la. De D. Pedro II à presidenta Dilma, a primeira explicação para justificar a inibição dos ricos em parecer como tal foi a predominância do catolicismo em nosso país em detrimento do protestantismo. A ponto da Veja desta semana, que estampa na capa a foto de Eike, apresentasse a origem da palavra latina que pode significar empobrecimento ou enriquecimento. “Lucrum” como “logro” para o Catolicismo e “profecius” como “progresso” para o Protestantismo, do estudo desenvolvido pelo respeitado sociólogo alemão Max Weber.

 

Em 2010, o embate da TV Record com Eike não endossa esta tese. Outra explicação pode estar no medo dos ricos em se tornar alvo de bandidos ou de autoridades fiscais ou policiais. Como sabemos, as investigações que as empresas de Eike absorveram da Polícia Federal, sob a alcunha de “Toque de Midas”, segundo a revista Carta Capital, redundaram nos dias subsequentes numa perda de valor em bolsa de 5,3 bilhões de reais. Montante significativo, até mesmo para quem possui a fortuna pessoal avaliada em 50 bilhões de reais, ou aproximadamente 30 bilhões de dólares.

 

Ainda assim, Eike, depois de ter antecipado a sua liderança no ranking brasileiro das revistas especializadas em economia, arrisca-se novamente. Seu prognóstico agora é que até 2015 deverá ser o homem mais rico do mundo. Pelas notícias de ontem sobre o comunicado à Comissão de Valores Mobiliários da BOVESPA pela OGX, empresa 100% dele, foi encontrado petróleo a 102 km da costa fluminense com profundidade de 155m com estimativa de até 3 bilhões de barris. Uma “benção” não despercebida pela cotação das ações da companhia, que teve alta de 5,3% no dia. Parece que independente da cor, branca, dourada ou negra, está endossando o “Toque de Midas”, transforma tudo em ouro.

 

Eike, 43 anos, é um currículo e tanto para uma extensa e independente biografia. Enquanto a lei não permite, é aconselhável ler a autobiografia recém-lançada. Vale a pena confirmar algumas premissas, tais como recordar que a função de vendas é primordial, assim como fazer o que gosta nem sempre é o possível. Portanto o melhor é atuar no possível. Com prazer.

 

Se Irineu Evangelista de Souza , o Barão de Mauá, não conseguiu segurar o séquito de D.Pedro II, batendo de frente com os escravagistas, Eike Batista, talvez melhor vendedor, ficou amigo do rei e tornou-se o maior doador de Lula. Faz parte.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

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