A bicicleta ainda vai te pegar

 

 

Acabo de sair do Rio de Janeiro e ainda estou a bordo do avião que me traz de volta a São Paulo, enquanto escrevo este texto. Havia um mormaço na cidade que levou muita gente para a praia, nessa segunda-feira. Nada impressionante, pois estamos no Rio e em período de férias. O branco da pele de algumas pessoas que vi passeando na orla – diga-se, as vejo da janela do táxi – sinaliza que muitos são turistas. O que realmente me impressionou foi a legião de bicicletas laranjas na beira mar, ruas e avenidas adjacentes. Estão disponíveis para aluguel e, me parece, caíram no gosto dos cariocas e simpatizantes pela praticidade que oferecem e pelo baixo custo – os mensalistas pagam R$ 10 e se for por apenas um dia, R$ 5. Não havia um trecho do roteiro Santos Dumont-Leblon-Santos Dumont, que cumpri para atender compromisso profissional, no qual não havia uma “Laranjinha” interferindo na cena. Seriam 600 disponíveis e carregando a marca e a cor do Banco Itaú em uma bela jogada de marketing – assim como o Bradesco fez ao adotar a Ciclofaixa de Lazer, em São Paulo. A capital paulista também tem bicicletas de aluguel, estão em estações de metrô, especialmente, mas não chamam tanta atenção porque se escondem entre os carros.

 

Ainda com a imagem das bicicletas cariocas na cabeça, logo que sentei na poltrona do avião me deparei com elas em destaque em reportagens da revista de bordo da Gol Linhas Aéreas. Se os salgadinhos e docinhos não agradaram, a leitura se fez agradável com o texto e as fotos de Denis Russo Burgierman que descreve a aventura de passar três dias visitando o centro paulistano a bordo de um bicicleta. Pedalou 80 quilômetros e conheceu hotéis, restaurantes, bares e demais atrações turísticas. Uma das recomendações: ter em mãos o mapa Ciclo Rotas SP 2011, idealizado por Leandro Valverdes, um dos donos da Ciclo Vila, bicicletaria na Vila Olímpia. Denis usou um bicicleta dobrável que agilizou o passeio e a hospedagem.

 

Não é que encontro outra bicicleta, na mesma edição. Esta bem mais velha, com marcas de ferrugem e, curiosamente, usada por um repórter digital. Explico. A publicação convidou dois repórteres a viajarem para Fortaleza, um com todo tipo de facilidade oferecida por equipamentos eletrônicos e o outro, a moda antiga – até máquina de fotografia com filme, ele portou. Lucas Pretti precisou de informações que estavam na internet, acessada em seu celular, para saber onde alugar uma bicicleta, pois funcionários de hotel, taxistas, vendedores e moradores não tinham a menor ideia, o que demonstra que a prática não é comum: “A cidade não tem infraestrutura nem apelo turístico voltado a experiências urbanas. Também não há ciclovias, mas a cidade é plana, com uma paisagem linda, e a coragem de se aventurar era grande … Para mim foi mais divertido tomar sol pedalando do que em uma cadeira na praia. Um prazer que só a internet pôde proporcionar” – escreveu Pretti.

 

Assim como todos as demais cidades brasileiras, Fortaleza tem de estar pronta para a ocupação urbana que os ciclistas estão proporcionando. E você fique atento porque um bicicleta ainda vai te pegar (no bom sentido). Esteja no táxi ou na poltrona do avião, elas tomam cada vez mais espaço.

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