O preconceito de Kill Bill, Jérôme Valcke e Glória Kalil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Kill, Jérôme e Gloria protagonizaram e polemizaram temas que ganharam efetivo destaque na mídia. Assuntos heterogêneos, mas convergentes pelo evidente preconceito demonstrado, e algumas vezes atribuídos a mal entendidos.

 

A propaganda da União Europeia produz um filme com uma mulher branca vestida de Kill Bill cercada por um chinês mestre do kung fu, por um indiano de luta marcial e um capoeirista brasileiro. Ao ameaçá-la os três guerreiros são cercados pela mulher que se multiplica em 12. Surgem as 12 estrelas que representam os países da Comunidade Europeia e a frase: “Quanto mais de nós houver, mais força teremos”. Stefano Sannino autoridade da Comissão Europeia pediu desculpas e disse que a intenção era de uma mensagem de paz e harmonia, que foi mal interpretada. O filme já foi retirado, mas vale uma visita ao You Tube.

 

 

O secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, amigo íntimo do ex-presidente da CBF e do COL Ricardo Teixeira, disse que dado o atraso nas obras para a COPA 14 era preciso “dar um pontapé na bunda do Brasil”. Preconceituoso, rancoroso e malicioso, pois dada a intimidade já existente com a nossa terra, bem sabe ele que esta é uma das partes mais visadas pela cultura local. A repercussão foi enorme e, espertamente, as desculpas caíram em cima do vernáculo, tentando explicar que na França estas palavras são usadas para apressar tarefas. E ainda não se tem ideia do tamanho do estrago.

 

A jornalista Glória Kalil, autoridade em Moda, com ampla produção literária no setor, sempre chamou a atenção sobre o tratamento mais estético aos cabelos brancos. No manual masculino: “Vá por mim, é esquisito homem de cabelo pintado. Mas, se você não suporta a ideia dos cabelos brancos saiba antes de tudo que não vai enganar ninguém. E recuse tinturas que dão efeito avermelhado e acaju, ultra evidentes”. Como vimos o preconceito da Glória Kalil era com as tinturas, até que a notícia do tardio abandono de Sílvio Santos pelo acaju avermelhado, há tempos sugerido pelo Jassa, dá uma reviravolta: “Será que o Silvio e o Jassa não se dão conta de que criaram uma imagem que é uma referência estética para o povo do Brasil? O vermelho Sílvio Santos entrou para a nossa cartela de cores do mesmo modo que o amarelo da camiseta canarinho. Assumir o branco, Seu Sílvio? Só me faltava essa”.

 

Na verdade o que não falta é preconceito. E para evitá-lo é necessário admiti-lo. Sem preconceito. Chic.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

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