Chico Anysio e suas (boas) ideias para o futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dentre a multiplicidade de talentos que permearam a trajetória do então estreante cearense Chico Anysio, segundo lugar no teste profissional da rádio Guanabara para locutor e sétimo para ator, o que o habilitou como locutor e ator, afinal perdera para Sílvio Santos e Fernanda Montenegro. Assumiu também as funções de editor de humor e comentarista de futebol.

 

A paixão pelo futebol aflorou quando seu pai, presidente do Ceará FC levou o Palestra Itália à sua terra natal. E encantou o menino Chico e seus conterrâneos. O futebol e o Palestra passaram a fazer parte dele, embora Vasco, Flamengo, América e Fluminense de algum modo em momentos distintos também.

 

Em 17 de janeiro de 2009, para publicar neste blog artigo sobre as regras de futebol, solicitei ao Chico as observações e sugestões para a tão necessária mudança. Editei alguns trechos da sua abalizada opinião.

 

Até agora não houve mudança, mas o adeus de Chico propicia a publicação do material completo que gentilmente me enviou:

MODIFICAÇÕES NAS REGRAS DO FUTEBOL

 

A Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, nos deu a segunda pior média de gols por partidas e pela segunda vez o campeonato teve que ser decidido nos penalties, pela falta de gols nos jogos a partir das quartas de final, exceção feita ao jogo da Itália contra a Ucrânia, pela grande diferença de valores das duas seleções – o que permitiu que a Itália vencesse por 3×0. Além deste placar, os demais foram sempre 0x0, 1×1, 1×0 ou 2×0, na vitória da Itália sobre a Alemanha, com os dois gols acontecendo aos 119 e 120 minutos de jogo. O futebol é o único esporte coletivo que insiste em não modificar suas regras, o que não acontece com o basquete e o vôlei. Aqui estamos enviando algumas sugestões para tornar os jogos mais emocionantes e, certamente produzindo resultados onde mais gols venham a acontecer.

 

1- A supressão de um jogador de cada time
2– Em vez do jogo ser disputado em dois tempos de 45 minutos, passar a ser disputado em 4 tempos de 20 minutos, só sendo contados os minutos de bola correndo. O tempo do jogo passaria a ser uma atribuição do 4° juiz. O intervalo do primeiro tempo de 20 minutos será de cinco minutos, com os jogadores permanecendo no campo e o técnico tendo o direito de lhes dar instruções. O intervalo entre o segundo e o terceiro tempo será de 12 minutos, com os times indo para os vestiários
3– Cada equipe poderá fazer até 5 substituições nos dois primeiros tempos e mais 5 nos dois últimos; jogadores substituídos podem retornar ao campo quantas vezes forem necessárias.
4– A bola só sai quando toca no chão (a exemplo do que acontece no vôlei).
5– Quando a bola for pela linha de fundo ao tocar num defensor, será marcado um córner e que será batido do local onde hoje se bate; se a bola for para a linha de fundo propositadamente impulsionada por um jogador do time que se defende, será marcado um mini-corner, que será cobrado da interseção da linha da grande área com a linha de fundo.
6– Quando o jogo tiver que ser paralisado para entrada da maca, o jogador que sair deverá ficar fora do campo por 5 minutos. Ou ele está realmente machucado e precisa dos 5 minutos, ou não está e os 5 minutos se transformam num castigo. (Talvez 3 minutos, apenas)
7– Em bola parada não haverá impedimento.
8– Serão criados dois outros cartões: o branco – que expulsa o jogador por 10 minutos e o azul que obriga o técnico a retirar aquele jogador que recebeu o cartão e colocar outro no seu lugar; este jogador que sair estará eliminado da partida.
9– O tempo que o goleiro poderá ficar com a bola na sua área passa a ser de cinco segundos, em vez de seis, mas haverá uma máquina que marcará com cinco sinais agudos, este tempo. Passando dos cinco segundos, uma falta será marcada contra o seu time, como já acontece, cobrada por um tiro indireto.
10– O empate de dois gols para cada lado dará dois pontos a cada equipe; empatar com um gol para cada time, um ponto; empate sem gols, NENHUM ponto. A vitória com uma diferença de gols igual ou superior a três, valerá quatro pontos.
11– Será criada uma linha prolongando a da grande área e os impedimentos só acontecerão a partir daquela linha.
12– Os árbitros serão instruídos a marcar penalties nas faltas que acontecerem dentro das áreas, como marcam faltas em jogadas iguais acontecidas no meio do campo.
13– Cada equipe poderá cometer no máximo 5 faltas em cada tempo de 20 minutos; da sexta falta em diante a cobrança será feita de uma marca a ser criada dois metros atrás da meia lua da área e sem barreira.
14– Saindo dos pés da baliza, será demarcada uma área de um metro, que será até onde o goleiro poderá tocar na bola, ao ser cobrado um penalty. Se ele tocar na bola fora desta área será marcado gol.
15-Devem ser criados nos novos juízes, os “juízes de áreas”, que marcarão as faltas acontecidas nos escanteios

 

Estas modificações, se não aceitas pela International Board, poderão servir para que seja criado um esporte paralelo ao futebol, com um campo menor e a utilização de nove jogadores em cada equipe (oito mais o goleiro).

 

Este esporte, que poderia ser chamado de PELÉ-BOL, não teria a lei do impedimento e as regras seriam estas que estão acima descritas, além das normais do futebol (exceção feita ao impedimento).

 

Chico Anysio é mais um que confirma que há homens insubstituíveis.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

5 comentários sobre “Chico Anysio e suas (boas) ideias para o futebol

  1. Carlos Magno, eu acrescentaria a parafernália tecnológica disponível hoje para resolver o “errar é humano” dos juízes de futebol. Um dos exemplos dessa utilização é o que se vê nos campeonatos de tênis.

    • Carlos,

      Sua lembrança da entrevista que fez com Chico foi muito boa. Exageros à parte, a ideia de tornar o jogo mais dinâmico, sem dúvida, tornaria o espetáculo melhor.

  2. Julio Tannus,comentário 1
    Uma das regras que me parece mais estranha é a bola aérea num esporte terrestre ser balizada pelo ar desconsiderando o fato de ser um esporte delimitado pelo chão.
    Quanto a desconsideração da tecnologia está bem de acordo com o nível retrógrado dos dirigentes.

  3. Milton Jung,comentário 2
    A questão do tempo de duração do jogo é uma das mais simples e ainda assim
    vemos jogadores saírem de maca e mesmo antes de atingir os limites do gramado se levantarem para voltar ao campo. E, os árbitros normalmente ignoram o fingimento.
    Sob todos os aspectos a unica certeza neste mundo contemporâneo é a certeza das mudanças.Menos , é claro, no futebol.

  4. 1) E 5 jogadores no banco para equilibrar a folha de pagamento;
    2) Tempo corrido até 40 minutos e, a partir desse tempo, 5 minutos finais + acréscimos, quando são decididas as partidas, frisa-se, serão de bola rolando. Para isso, o estádio deve comportar um cronômetro de alta precisão. Do contrário, viraria futebol americano: com uma jogada, comercial, outra jogada, comercial, ganharia mais com a publicidade e assim chamaria mais patrocínio;
    3) Para não atrasar a partida e ficar ficar igual à casa da sogra, teria que ser feita duas ou três substituições por vez cada tempo, sendo que o substituído com PELO MENOS 33 ANOS pode retornar ao campo de jogo com o superbacana e inigualável uniforme dos 90’s (a camisa magenta pros 100 gols do Rogério achei bacana) sempre no lugar do mesmo jogador para prolongar as carreiras dos grandes jogadores em momentos decisivos, como no basquetebol, e não ficar só com jogadores de defesa num determinado momento do jogo. Não sei se ficou claro, mas com a saída do 6, foi computada 1 substituição e se ele voltar a partida serão 2 substituições. Como o jogador lesionado substituído não está autorizado a retornar à partida, uma substituição excepcional não pode ser contada como uma substituição regular. Criaríamos, assim, o personagem do talismã;
    4) Em escanteios, a bola teria que entrar na área pra entrar em jogo. Nunca concordei em que o juiz desse bola fora nestes casos. Se um jogador consegue um efeito na bola fazendo com que ela saia do campo e volte ao campo por ter feito uma curva sozinha, deve-se considerar bola boa, a jogada poderá continuar. É mérito dele e favorece a magia do futebol que poucas pessoas conseguem executar esse tipo de jogada. Isto aumentaria o tempo de bola em jogo;

    Para não viciar no retardamento do jogo, haverá revezamento de gandulas.

    Que tal todo lateral ser batido por goleiro? Mais emoção no jogo e mais gols de cobertura a alegria do futebol. Além disso, deveria ser adotado o shoot-out ao invés de pênalti, para não ter juiz Aparecido querendo voltar o goleiro que tenha se adiantado.

    Clássico deveria ser dois jogos seguidos e com placar agregado para a pontuação final da rodada. Por exemplo: Flamengo-PI 3X0 River e River 2x Flamengo-PI 1. Como o placar agregado foi Flamengo-PI 4X 2 River, Flamengo-PI leva os três pontos e o River nada.

    Outra situação que eu modificaria seria o sistema de pontos: 2 pontos para empate com gols em favor do time visitante (1 ponto para em empate com gols para o time mandante) e 5 pontos para quem fizer pelo menos 4 gols de diferença sobre o adversário. Em caso de empate sem gol, o time mandante leva nada e o visitante 1 ponto.

    Fair play só seria admissível se o adversário segurar a bola com as mãos diante o seu ataque ou então ceder o lateral no seu campo. Caso não se proceda o fair play, terá escanteio contra o time infrator.

    Tive observando o jogo de basquete e o jogo de futebol de salão. O que vejo diferente? Dentre outras coisas, que a dimensão é a mesma, mas o lateral do basquete é batido, em sua grande maioria, na linha de fundo. Pôxa, sensacional se adaptarmos para o futebol, tipo: o que o arremesso lateral está fazendo no futebol? Além de não poder fazer gol direto, é batido com as mãos. O que tem de juiz ou bandeirinha brigando por meio metro atrás, jogadores preferindo dar um passe mal feito que ganhar um lateral, os arremessos laterais serão substituídos pelos escanteios para aumentarem as chances de gol, a não ser para concretizar o Fair play, quando deverá ser cobrada por quem melhor sabe utilizar as mãos (o goleiro) em qualquer lugar da lateral do campo de defesa, independentemente de onde tenha saído a bola. As jogadas trabalhadas, as poucas, desaparecerão, mas os grandes jogadores não se utilizarão desse recurso. Assim espero. Acabaria com essa discussão, por sinal, besta de bater lateral com pé, porque todos nós sabemos que as dimensões dos campos pelo mundo inteiro são variáveis e para que isso aconteça, tem que ser tracejado uma linha regulamentar como é feito no escanteio. Com essa regra que eu citei, além de ser universal, teria maior efetividade.

    O basquete não existe não. Para acabar com o cai-cai na área adversária, proporia o seguinte: se o jogador sofrer a falta dentro da área e a bola ter saído dos pés dele antes de o apito soar ultrapassando totalmente a linha entre as traves, então vale o gol e é dado ainda um(1) shoot-out de bonificação.

    O clube que se atrasar para iniciar a partida terá o técnico expulso, pelo árbitro, pois complica a vida de torcedores e, principalmente, da TV. Os treinadores são considerados culpados. Caso os atrasos persistam, o técnico ficará suspenso por uma partida, e a pena não poderá ser convertida.

    Serão seguidos 10 minutos de intervalo, valendo o relógio do 4º árbitro, portanto, será dado cartão amarelo para o último jogador do time que entrar em campo fora de tempo e que não seja o substituto. Na dificuldade de percepção dessa hipótese, o capitão no momento. Persistindo a impossibilidade, o goleiro e expulsa a comissão técnica presente à margem do campo por armar uma confusão na cabeça dos árbitros. No 2° tempo, o jogo começa de onde terminou o 1° tempo.

    O juiz simplifica: pega a bola no fundo do gol, quem pede cartão tem preferência. Como no basquete, após o apito, só o árbitro pode tocar na bola, senão leva cartão azul. Acabaria com aquela história de o jogador ganhar tempo passando de mão em mão até que a defesa se recomponha. Exceção seria feita ao pedido do juiz (quando a bola é isolada, mas permanece dentro de campo).

    Cartão azul será usado para coibir a ação de quem toca a bola com a mão (ou o seu substituto) de um lance perigoso ou não. Aos 30 minutos do 2° tempo trocará de posição com o goleiro, porque ele quer mesmo essa vaguinha. Caso outro jogador corte com a mão, o que tocou primeiro será excluído da partida, mas não gera suspensão automática.

    Não é o juiz quem deve ficar com o relógio para os acréscimos, mas sim o quarto árbitro. Sem nenhum outro afazer além de policiar os técnicos, o quarto árbitro é figura ociosa, dinheiro jogado fora. Precisa de mais trabalho. É proibido ficar sentado. Ele segura a prancheta e caminha de um lado para o outro, acompanhando o juiz, na função de técnico de arbitragem. Na hora do shoot-out, ele verificará se houve ou não invasão de área. Além disso, toda vez que a bola parar por um motivo de patadas do adversário, contusão, substituição ou mesmo enrolação do goleiro, o quarto árbitro aciona seu cronômetro, porque fica a cargo dele o controle do tempo. Aí saberá exatamente quando se deve acrescentar de tempo. Ao fim dos acréscimos, ele passa a mensagem “pode acabar” e pronto. No entanto, o juiz tem que esperar a bola sair / tirar a bola do jogador e sem falta. Assim, dá-se a chance do último ataque ao time que estiver perdendo, e o time que estiver ganhando fica doido para pegar a bola e dar um bico para fora. Criando uma nova emoção no jogo – que é o que importa.

    O mais importante ainda não foi nem tão cedo irá para a discussão: O último campeão mundial de Seleções escolhe, no máximo, uma das recomendações para o futebol e tem o direito de criar e/ou inovar, pelo menos, uma regra, ao melhor estilo da Copa João Havelange, que passará por uma comissão na FIFA. Em caso de aprovação, aparecerá na relação de possíveis regras para futuros campeonatos. Dinamizaria ainda mais esse esporte.

    Comentem galera que essas idéias são mais revolucionárias do que as dos velhinhos da FIFA.

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