Vereadores, irritados, criticam fiscalização do Voto Consciente

 


Texto publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Vereadores no plenário da Câmara Municipal de São Paulo (foto: Arquivo da CMSP)

 

A proximidade do período de campanha eleitoral parece estar mexendo com os nervosos dos vereadores de São Paulo que, nessa semana, protestaram em plenário contra divulgação da lista de presença deles em audiências públicas. Um dos mais revoltados era Antônio Carlos Rodrigues (PR), ex-presidente da Casa, que não se contentou em usar o microfone em plenário para reclamar, agrediu verbalmente – e aos gritos – a coordenadora do Movimento Voto Consciente, Sonia Barboza, ao encontrá-la na sede da Câmara Municipal. O comportamento de ACR assustou as pessoas que estavam próximas, algumas temiam que algo pior pudesse acontecer tal o tom da reclamação do parlamentar. A dirigente, ao se sentir agredida, não deixou o vereador falar sozinho e exigiu que fosse tratada com respeito. Durante a sessão, ACR voltou a criticar o trabalho de fiscalização da ONG e pediu que a Mesa Diretora tomasse providências contra a entidade.

 

Além de ACR, os vereadores Aurélio Miguel (PR), Chico Macena (PT), Paulo Frange (PTB) e Tião Farias (PSDB) fizeram críticas, em plenário, à lista de presença nas audiências públicas, divulgada pelo Movimento Voto Consciente, com base em informações publicadas no site da Câmara Municipal de São Paulo. O vereador Adilson Amadeu (PTB) divulgou nota contestando declaração de Sonia Barbosa de que as audiências públicas são de mentirinha, apenas para cumprir o regulamento, no entanto, no próprio texto ele afirma que de oito reuniões nas quais deveria estar presente participou de apenas três: “Levando em consideração o peso dos temas e as características dessas audiências, não acredito que tenha deixado de atender aos anseios daqueles que represento”. Amadeu sugere que os veículos comunicação e o Movimento Voto Consciente façam campanha para promover as audiências públicas e aumentar a participação popular.

 

A irritação dos vereadores aumentou porque durante a quarta-feira, integrantes do CQC, programa da TV Bandeirantes comandado por Marcelo Tas, estiveram na Câmara e com a irreverência de sempre questionaram a ausência dos parlamentares nas audiências públicas, para reportagem que vai ao ar na próxima segunda-feira.

 

Algumas considerações finais: a agressividade de ACR não espanta, quando era presidente da Câmara expulsou integrantes do Voto Consciente da galeria do plenário por que a ONG protestava contra a falta de acesso a informações da Casa; retirar os dados do site será um desrespeito ao cidadão que tem o direito de saber o desempenho de cada um dos 55 parlamentares; promover as audiências públicas e aumentar a participação popular é obrigação da Câmara Municipal que tem, inclusive, verba para publicidade; o cidadão tem todo o direito de fiscalizar o trabalho do legislativo; e, por último, mas não menos importante, cara feia pra mim é fome – como dizia minha saudosa mãe.

Cruz credo, más notícias

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Das múltiplas informações que me chegam pela mídia,pelo meu PC e por tantos outros meios ao alcance das pessoas, hoje em dia, existem algumas que me irritaram profundamente, outras que me estarreceram. Vou citar três para não extrapolar o espaço que o Mílton, bom filho que é, me reserva em seu blog nas quintas-feiras. Em férias, não enviei textos nas duas últimas. Sei que ele, porque avisado por mim, se deu conta de que eu não compareceria.Se mais alguém notou minha breve ausência, agradeço.

 

Vou enumerá-las em ordem inversa. Ouvi, na manhã de hoje, ao acompanhar, como faço sempre, as notícias locais do Jornal da CBN, além é claro, das do restante do Brasil e do Mundo,apresentadas pelo meu filho, que foram 19 as vítimas fatais de acidentes de trânsito registrados apenas nesse fim de semana aqui no Rio Grande do Sul. Este número é maior do que as ocorrências deste tipo que se verificaram durante o prolongado feriado do carnaval. Não pretendo ser injusto com as Polícias Federal e Estadual às quais está afeta a segurança das rodovias gaúchas. Creio que a redução do número de acidentes nos feriados mais longos se deve ao aumento dos efetivos das duas polícias, o que facilita a fiscalização, seja a feita com radares, seja as que preveem, em determinados locais, a vistoria de veículos. Estamos todos cansados de saber que, com o crescimento estupendo do número de carros, muitos saem para as estradas sem as melhores condições e, outos tantos, dirigidos por neófitos, com experiência zero em rodovias. Seria interessante que o policiamento nas estradas federais e estaduais fosse, pelo menos nos fins de semana, parecido com o que é programado cuidadosamente para os feriados prolongado.s Não reparem se não uso o termo feriadões, que acho um aumentativo horroroso, pura mania de grandeza de quem se serve deles.

 

Embora eu seja velho e digite debaixo do peso de meus 76 anos, revolta-me saber que todos os aviões que transitarem nos céus deste país deverão oferecer, a cada voo, dois assentos gratuitos para velhos com mais de 65 anos e renda de até dois salários mínimos. Isso se for aprovado o demagógico projeto do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). O projeto prevê outras asneiras. O pior dele é que, se entrar em vigor, ”jovens de 15 a 29 anos” (agora um cara com 29 anos é jovem. Se fosse profissional de futebol seria considerado semiveterano). Esta é a tal de “bolsa-avião”, como se já nas bastasse as demais criadas pelos último governos.

 

Prometi tratar de três notícias que, para mim, foram, no mínimo, desagradáveis. Esta eu li no dia 22 de fevereiro, por infeliz coincidência quarta-feira de cinzas, o início da quaresma. Prédios da Justiça do Rio Grande do Sul não poderão mais ostentar crucifixos nas suas paredes, uma decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça. Tenho ganas de escrever “justiça”. O TJ atendeu solicitação da Liga Brasileira de Lésbicas e de grupos de defesa dos direitos dos homossexuais. Foi chutada, escorraçada a botinadas, uma das mais puras tradições do nosso estado. A quem faz mal, num tribunal, olhar para um crucifixo? Nunca a presença de um emblema como este causou qualquer espécie de constrangimento a não ser para quem possui, para tal, razões que fogem ao meu envelhecido e revoltado alcance. A desculpa absurda é que respeita a diversidade de religiões. E li isso de um jesuíta. Deus me livre de precisar entrar num tribunal gaúcho. A militância anticristã está em festa, escreveu o advogado e jornalista Cleber Benvegnú,na Zero Hora do dia 8 do corrente. E eu concordo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O preconceito de Kill Bill, Jérôme Valcke e Glória Kalil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Kill, Jérôme e Gloria protagonizaram e polemizaram temas que ganharam efetivo destaque na mídia. Assuntos heterogêneos, mas convergentes pelo evidente preconceito demonstrado, e algumas vezes atribuídos a mal entendidos.

 

A propaganda da União Europeia produz um filme com uma mulher branca vestida de Kill Bill cercada por um chinês mestre do kung fu, por um indiano de luta marcial e um capoeirista brasileiro. Ao ameaçá-la os três guerreiros são cercados pela mulher que se multiplica em 12. Surgem as 12 estrelas que representam os países da Comunidade Europeia e a frase: “Quanto mais de nós houver, mais força teremos”. Stefano Sannino autoridade da Comissão Europeia pediu desculpas e disse que a intenção era de uma mensagem de paz e harmonia, que foi mal interpretada. O filme já foi retirado, mas vale uma visita ao You Tube.

 

 

O secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, amigo íntimo do ex-presidente da CBF e do COL Ricardo Teixeira, disse que dado o atraso nas obras para a COPA 14 era preciso “dar um pontapé na bunda do Brasil”. Preconceituoso, rancoroso e malicioso, pois dada a intimidade já existente com a nossa terra, bem sabe ele que esta é uma das partes mais visadas pela cultura local. A repercussão foi enorme e, espertamente, as desculpas caíram em cima do vernáculo, tentando explicar que na França estas palavras são usadas para apressar tarefas. E ainda não se tem ideia do tamanho do estrago.

 

A jornalista Glória Kalil, autoridade em Moda, com ampla produção literária no setor, sempre chamou a atenção sobre o tratamento mais estético aos cabelos brancos. No manual masculino: “Vá por mim, é esquisito homem de cabelo pintado. Mas, se você não suporta a ideia dos cabelos brancos saiba antes de tudo que não vai enganar ninguém. E recuse tinturas que dão efeito avermelhado e acaju, ultra evidentes”. Como vimos o preconceito da Glória Kalil era com as tinturas, até que a notícia do tardio abandono de Sílvio Santos pelo acaju avermelhado, há tempos sugerido pelo Jassa, dá uma reviravolta: “Será que o Silvio e o Jassa não se dão conta de que criaram uma imagem que é uma referência estética para o povo do Brasil? O vermelho Sílvio Santos entrou para a nossa cartela de cores do mesmo modo que o amarelo da camiseta canarinho. Assumir o branco, Seu Sílvio? Só me faltava essa”.

 

Na verdade o que não falta é preconceito. E para evitá-lo é necessário admiti-lo. Sem preconceito. Chic.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Renunciar a prescrição do crime, quem aceita esta ideia?

 

Uma reunião sem pauta e uma conversa descontraída costumam fazer parte dos encontros da rede Adote um Vereador, todo segundo sábado do mês, em torno de uma mesa de bar do Pateo do Collegio, no centro de São Paulo. Ao contrário do que ocorre em muitas organizações, a informalidade é nossa marca pois nossas ideias não exigem CNPJ para se tornar realidade. A fiscalização do trabalho dos vereadores é um dos papéis do cidadão, enquanto eleitor – ops, me desculpe pelo sindicalês. Somos responsáveis por nossas escolhas e, portanto, nos cabe ficar de olho naqueles que nos representam. A intenção desta rede, prestes a completar quatro anos, não chega a ser tão pretensiosa, por isso sugerimos que cada pessoa cuide do seu vereador, aquele que ajudou a eleger, apesar de que com o tempo criamos um grupo que praticamente adotou toda a Câmara Municipal de São Paulo. E, sem exagero, há os que adotaram a política como tema. Portanto, sem ata nem registros, usamos os intervalos entre um prato de quiche, umas garrafas de água mineral e muitas xícaras de café para bater papo sobre o que fizemos, deixamos de fazer e adoraríamos fazer para controlar os políticos – às vezes, para controlar nossa vida, também, pois assuntos caseiros surgem a todo momento.

 

Nesse sábado à tarde, enquanto o temporal se armava para estragar a vida dos paulistanos, conversamos sobre vários temas, muitos dos quais em diálogos simultâneos, o que torna impossível a tarefa de querer registrar tudo em documentos oficiais, assim como de lembrar de todos para publicar neste post. Pelo que pude perceber, a Consocial_SP teve destaque especial, pois no conselho integrado pela sociedade, no qual o Adote um Vereador tem representantes (sem direito a verba, diga-se), criou-se a oportunidade de se apresentar todo tipo de projeto para aumentar a transparência no serviço público e o controle sobre a corrupção. Há um mês, inclusive, em parceria com o Movimento Voto Consciente, e participação de representantes do Nas Ruas – grupo que mobilizou a sociedade pelas redes sociais para se manifestar contra os “malfeitos” e “malfeitores” – fizemos uma espécie de assembleia livre de onde tiramos 10 propostas para a organização nacional da Consocial.

 

Não é que quando a chuva já despencava na cidade, no sábado, e estávamos quase prontos para pagar a conta, surgiu mais uma ideia que deverá ser levada ao próximo encontro da Consocial ? Tudo porque lembrei de comentário do meu colega Walter Maierovitch, no Justiça e Cidadania, que vai ao ar às segundas-feiras, no Jornal da CBN, no qual ele falou de um mecanismo que existe na Europa, esquecido pelo legislador brasileiro. Lá, diferentemente daqui, é um direito do réu renunciar à prescrição do crime. Sabe-se que a prescrição, ao contrário do que alguns costumam dizer, nem condena nem absolve ninguém. Sob a imagem do réu fica a dúvida da sociedade, portanto ele pode pedir que o julgamento vá em frente para provar que é inocente. Imagine o caso, apenas como exemplo, de um dos réus do Mensalão, crime que corre o risco de prescrever. Ao perceber que o tempo passa sem que a Justiça decida sobre a acusação de que ele teria se beneficiado de dinheiro sujo, poderia pedir pela continuidade do processo, afinal quem mais estaria interessado em provar que suas mãos estão limpas se não o próprio inocente.

 

Aproveito este espaço para convidar integrantes de outros grupos envolvidos no Consocial, em qualquer cidade brasileira, que leve em frente a proposta da renúncia à prescrição, quem sabe assim possamos ser contemplados com um avanço na lei brasileira que tornará inútil, ao menos em parte, a prorrogação dos processos judiciais, como costumam fazer bandidos famosos.

Presidente da Câmara nega informação pública, em Bertioga

 

Próximo de entrar em vigor a lei de acesso à informação pública, é impressionante que Câmaras Municipais ainda tenham a capacidade de produzir ofício como o que ilustra este post. A história começa com o interesse legítimo de um grupo de eleitores da cidade de Bertioga, litoral paulista, em saber como está o andamento de um projeto de lei, apresentado há quase um ano, que pretende implantar a Ficha Limpa na nomeação para cargos em comissão do município, nos mesmos moldes como já se discute em algumas cidades brasileiras. O pedido foi feito por escrito pela coordenadora do Movimento Voto Consciente Kátia Hidalgo Daia ao “Exmo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Bertioga Vereador Marcelo Heleno Vilares”, autor da pérola legislativa que se segue:

 

 

Puxando o traço: para o Exmo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Bertioga Vereador Marcelo Heleno Vilares a informação, que é um direito de qualquer cidadão ou entidade, somente será repassada se a autora do pedido comprovar a legitimidade da organização através de documentos – talvez a ata de constituição, assinada e autenticada em cartório. O mais irônico é ler ao fim do ofício que o vereador tem “estima e apreço”. Só se for pela burocracia e obscuridade no serviço público. (E não se entusiasme, não; é bem provável que na sua cidade o comportamento dos vereadores seja o mesmo).

Mundo Corporativo: Empreendedorismo e inovação

 

Temos mais empreendedores no Brasil do que em outros países, por necessidade. O brasileiro tem esta capacidade de criar. No entanto, a deficiência do ensino leva a perdade de oportunidade. As afirmações são de Ronald Degen, um dos principais responsáveis pela difusão do empreendedorismo no Brasil, tendo criado nos anos de 1980 o primeiro curso sobre o assunto, na Fundação Getúlio Vargas. Nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da Rádio CBN, Degen fala sobre a importância da inovação em dois eixos principais: o da tecnologia e o da comunicação. “um dos problemas do Brasil é na ter um empreendedorismo por inovação tão forte como deveria”, alerta Degen que atualmente é coordenador dos cursos de pós-MBA da HSM Educação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Avalanche Tricolor: Guerreiro, gladiador, craque e goleador

 

Grêmio 5 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental

 


 

Um guerreiro não desiste nunca, ao menos é o que dizia a publicidade, e no caso de André Lima não deixa de ser uma realidade. O atacante já esteve fora do Grêmio por duas vezes, voltou e, mesmo com um futebol questionável, entra no time quase sempre. Neste domingo marcou o primeiro gol e mesmo quando não o faz sempre se esforça para mostrar a torcida que tem alguma relação de amor com o clube. É entusiasmante o quanto ele guerreia contra suas próprias limitações.

 

Em campo, poucos jogadores apanham tanto como Kleber, e parece que todos estão sempre a espera de uma reação violenta por parte dele. Quem sabe para dizerem: viu, só podia ser o Kleber, este cara não presta, não tem cabeça. Desde que está no Grêmio, incorporou nosso estilo e espírito, brigou apenas pela bola e já é nosso goleador. Do Gauchão, também. Os dois primeiros que marcamos passaram pelo pé dele, no estilo Gladiador. Aos trancos e barrancos manteve-se com a bola e entregou a Gabriel antes desta chegar a André Lima, no primeiro. E assim também a manteve mesmo com o assédio do zagueiro antes de empurrá-la para dentro do gol, no segundo.

 

Facundo Bertoglio é genial. Driblou, recebeu falta e marcamos um. Ludibriou a defesa inteira, disparou, recebeu, passou e fizemos outro. Ignorou os marcadores, limpou a jogada, chutou e marcou mais outro. Ao fim da partida, após ouvir seu nome gritado pelos torcedores, confessou: “vai ser difícil dormir nesta noite”. Pelo jeito, o menino ainda vai jogar muita bola daqui pra frente, portanto seria legal se os locutores, repórteres e comentaristas ao menos aprendessem a dizer o nome dele corretamente: Bertolio (sem o som do “g”), por ser italiano, é a pronúncia certa. Quanto a mim e a torcida gremista não haverá problema algum, vamos chamá-lo apenas de craque.

 

De craque, de guerreiros, de gladiadores e de goleadores começamos a construir nossa história nesta temporada. Que sejam bem-vindos.

De anjos e confortos

 

Na necessária folga da Maria Lucia, aproveito para reproduzir o primeiro texto desta companheira de primeira viagem no Blog, quando começamos em junho de 2007 a escrevê-lo. Esta coluna foi publicada no dia 10 de junho daquele ano e reproduzia seu espírito naquele momento:

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

Você já percebeu que estamos cercados de anjos de carne e osso, e que em vez de prestarmos atenção neles, e no que dizem, ficamos escarafunchando os céus e procurando dentro de igrejas?
Santa ingenuidade!
Os anjos de outras dimensões vivem recebendo pedidos, de nós humanos, por uma vida melhor para nos sentirmos felizes, e para que nos protejam do mal.

Vamos pensar juntos. Em primeiro lugar, alguém fora de nós, mesmo tão poderoso quanto um anjo, não poderia saber o que cada um considera uma vida melhor e do que exatamente precisa para se sentir feliz; até porque vivemos mudando de opinião. Vida melhor é um conceito diferente para cada indivíduo e muda ao sabor da época e circunstância. No entanto, nosso pedido vai sem especificação. Queremos uma vida melhor, e pronto. Como se pudesse chegar por Sedex, num lindo pacote.


 

Ora, estamos cansados de saber que se não avaliamos muito bem cada passo, acabamos no buraco.


 

E falando em buraco, pensei na minha cidade, que justiça seja feita, não é só feita de buracos. A Operação Cidade Limpa, aqui em São Paulo, por exemplo, me deixa feliz, e portanto melhora minha qualidade de vida. Poluição visual me faz muito mal. No entanto, tenho um amigo que adorava os gigantescos outdoors da Marginal Pinheiros e sente falta deles.


 

Pobres dos anjos, debatendo-se para satisfazer o desejo dele e o meu. Precisam sair lá da Cidade dos Anjos onde não deve ter poluição visual e nem buracos, e onde há paz – e se digladiarem por nós. Não é justo levarmos anjos, seres divinos e pacíficos, a se digladiarem. Uns tentando arrancar os outdoors e outros tentando mantê-los bem firmes, nos seus gigantescos e horrendos suportes metálicos.

 

Mas, conversando com um anjo-homem, domingo pela manhã, ouvi dele que se queremos sucesso, em qualquer área de nossas vidas, precisamos sair da zona de conforto. Incrível. Nem ele percebeu o impacto da frase, em mim. Não foram necessárias orações, nem velas de sete dias. Simplesmente, numa fração de segundo, ele me deu de presente um mapa para uma vida melhor. Deu uma sacudida na minha consciência, que tirava um bom cochilo, e sorriu. Fez-me lembrar que só eu tenho a varinha de condão e que sou arquiteta e decoradora da minha própria vida. A cada passo, decido o caminho. Faço escolhas e me dou conta de que cada uma delas implica em abrir mão de outra direção. Sou assessorada por anjos incríveis que me cercam e que eu mesma atraio para a minha vida.


 

Quanto aos anjos nos protegerem do mal, tenho cá as minhas dúvidas. Não que eu abra mão de uma oração, de um papo direto com o Criador, seja ele quem for, como for, que formato tenha. Mas a cada oração, tento manter presente uma certeza. A de que estou aqui com a missão de ser feliz, e de que a responsabilidade é minha e de mais ninguém.


 

Minha zona de conforto andava espaçosa demais, mas já estou dando um jeito nisso.


 

Pense nisso, e até a semana que vem.