Pedágio urbano já existe

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Pedágio urbano em Estocolmo
Pedágio urbano foi solução para o trânsito em Estocolmo, Suécia

 

 

“A população tem de compreender que a cidade é fruto dela própria, a população não é vítima da cidade”. Bem dito por Brito Cruz, presidente do IAB/SP na Folha, e bem anotado por Mílton Jung aqui no blog. De vítima à protagonista, é um passo e tanto para a correta percepção do trânsito pela população de São Paulo, como seu mais grave problema, de acordo com pesquisa publicada agora pela Época. Até então o Ibope e os partidos políticos tinham a saúde como a primeira na lista dos maiores desafios da cidade.

 

Esta mudança de prioridade detectada, originada talvez por universos diferentes considerados, como observou Mílton Jung, mas possível também pelos recentes acontecimentos. Tais como greves ilegais nos transportes públicos, falhas técnicas e operacionais em trens e metrô, ou congestionamentos monumentais se aproximando de 300 km sem nenhum fato excepcional.

 

E, neste panorama de surpresas, surge o Secretário de Transportes do Município, Marcelo Cardinale Branco, em artigo na Folha, lembrando que o custo do congestionamento anual da cidade é equivalente aproximadamente ao seu gigantesco orçamento de 38 bilhões de reais. O que equivale a dizer que o pedágio urbano já está implantado. Assustadora e compulsoriamente distribuído, pois transportes individuais, coletivos, de cargas, quer pobres e ricos, pagam sem se dar conta.

 

Branco sugere então que copiemos os europeus, criando o poluidor pagador. O pedágio urbano sem camuflagem. Direto e planejado para canalizar seus recursos para equilibrar a distorção que vivemos entre a locomoção privada e pública. E abrir um generoso espaço urbano, que higienizará a capital, melhorando todas as relações cidade-cidadãos.

 

Sob o aspecto operacional, a relação entre o transporte coletivo e individual saudável padrão é de 70% para o transporte público e 30% para o privado. Em São Paulo esta comparação está com 55% e 45% respectivamente.

 

A solução, Marcelo Branco recita e receita:
– Favorecer a utilização do espaço pelo transporte público
– Aperfeiçoar e ampliar o transporte de massa
– Disciplinar e restringir o tráfego inclusive com cobrança do pedágio urbano
– Retirar da região central os veículos pesados

 

Tema dos mais importantes para a campanha que se inicia. Esperemos que ao menos a mídia não se deixe levar pela manipulação dos candidatos que não tem programas ou que tem esdrúxulas propostas, como a de matar rios. Verdadeiros “Serial killers”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

14 comentários sobre “Pedágio urbano já existe

  1. Como cidadão, acho não só válido, como justo a implantação de um pedágio urbano.
    Mas há de se garantir que todo o dinheiro arrecadado vá diretamente para transporte público.

    Agora… como fazê-lo com o metrô jorrando gente pelo “ladrâo”?

    Em três dias da semana, venho e volto de carona, somos eu e mais duas pessoas. Já tentei usar transporte público uma semana inteira, mas, pra ser sincero, é inviável. Ônibus cheio, esperas em pontos, espera na plataforma de meia hora, ou até quarenta minutos, na plataforma do metrô, só pra embarcar.
    Trabalho longe, e no meio da semana já estaria cansado como se fosse uma sexta feira.

    Então, aos formuladores da implantação do pedágio, cabe pensar em como e qual o momento de faze-la.

    Sugiro uma transição… uma campanha por carona, por exemplo.
    Vejo muitos carros, com apenas uma pessoa dentro. Se vinte por cento desses carros derem carona pra uma pessoa e mais dez porcento der carona pra duas, só aí já terímaos tirado da rua quarenta por cento de carros. Ou então um esvaziamento no transporte público.
    As coisas têm de ser concomitantes… uma oferta maior de transporte público deveria vir antes, principalmente ônibus, que é mais barato e rápido de incrementar.

    Mas a prefeitura está mais preocupada com valets.

    Um outro detalhe. Pq que a Prefeitura, ao invés de incentivar a construção de um estádio em Itaquera, não incentivou a ida de uma mega empresa, que tenha forte demanda de mão de obra, como seria o caso de um call center?

    É preciso pensar em várias alternativas de forma integrada. Implantar pedágio isoladamente não resolve.

  2. Há no mínimo 02 problemas iniciais na adoção do pedágio urbano:
    Segregação econômica e Caixa Único da PMSP.
    Mesmo que se adote um valor baixo, como pretendido pela PMSP, quem terá a vida facilitada serão aqueles com melhor renda.
    Outro ponto é que todo o dinheiro que entra nos cofres públicos é necessariamente direcionado ao caixa único, no caso, da Municipalidade.
    Não será diferente com o valor arrecadado com o Pedágio Urbano, que ao final NÃO SERÁ revertido para qualquer política de melhoramento do sistema viário, ou transporte público da cidade.
    Adotar o Pedágio Urbano SEM alternativas de transporte coletivo público é covardia, e mais um modo de se criar um imposto disfarçado!
    Mencionar países europeus que adotam o Pedágio Urbano, é ser malicioso ante a realidades tão distintas.

    • Interessante verificar como a falta de confiança no gestor público pode prejudicar algumas ações. Boa parte dos comentaristas que nos ajudam a pensar sobre o tema publicando seus comentários aqui no Blog chama atenção para a forma como o dinheiro arrecadado seria investido. Como não confiamos nos gestor, temos medo de que o dinheiro se perca pelos ralos abertos nas repartições públicas – aqueles que desembocam nos bolsos privados.

  3. Penso que a cobrança de pedágio urbano é mais uma falacia do poder público para solução de nossos problemas viários. É mais um imposto a ser agregado a nossa extensa lista de tributos. Enquanto não detivermos a exploração imobiliária indiscriminada, a falta de investimento sério no transporte público, a recuperação de ferrovias pelo país afora e uma revisão competente e com participação cidadã do plano piloto da cidade, viveremos em estado de calamidade.

  4. Renato, concordo com suas dúvidas. Parece que está se tornando evidente que uma grande preocupação dos paulistanos advém da honestidade da aplicação do dinheiro arrecadado.
    Quanto ao aspecto da falta de transporte público, se houver imediata redução do´número de veículos, a velocidade mais alta será uma da aliadas da diminuição do congestionamento.
    De qualquer forma quando um secretário de transportes começa a fazer colocações racionais, é também um aspecto auspicioso.
    O que precisamos evitar é a continuidade da atual situação sem ação nenhuma.

  5. Sergio H. Yariwake, concordo com sua posição, apenas acho que a conta mais dolorosa do congestionamento quem está pagando é o menos favorecido . Daí a acelerar processos como o pedágio urbano como fonte de receita e solução de congestionamento.
    O problema congestionamento na minha ótica é o mesmo em todas as cidades. Carros que não se locomovem. É por isso que Londres usa, Cingapura usa e Bogotá já tem seu projeto. Vamos esperar o que?

  6. Bom Dia Milton e seus colegas blogueiros.

    Srs. eu disse em outro comentario que o problema de implantar mais um impostromentro em SP, é a gestão do dinheiro arrecadado. Tenho plena convicção que se tivesse transparencia na sua aplicação e esse retorno fosse visto e sentido pela população, pagar mais esse, não seria problema. É claro desde que não fosse um preço aviltante.
    Mas como tudo nesse estado é uma cx. preta, uma cx. de pandora, não dar dar para assumirmos essa fatia do bolo. Mesmo por que não sabemos se essa é a melhor solução para melhorar do transito da cidade.Afinal, nunca ouvir falar ou li algo por exemplo um projeto que falasse sobre esse assunto.
    O que sabemos, é que todas ações que eles tomaram para melhorar o transito da cidade/estado, foram inoquas.
    Não sou especialista no assunto mas, vendo experiencia de outros país, a forma mais correta para resolver o transito da região é investir em transportes publicos e isso, eles não fazem. Vão empurrando o problema com a barriga e vão apagando fogo aqui, ali e assim vai tocando.
    De uma coisa eu tenho certeza, se eles não fizerem nada, vão acontecer acidentes gravissimos com o trens/metrôs e mortes de centenas de pessoas.
    O primeiro indicio já teve que foi o choque entre os trens na estação carrão. Esse foi o primeiro aviso do que vai acontecer.
    Falo isso por que sou especialista nessa assunto e trabalho na área de prevenção de acidentes do trabalho e ambientais há 30 anos.
    Só esses incompetentes que não ver que esse, é indincio de uma catastrofe anunciada.
    fico pensando nas pessoas que vão tar la e sentido de não poder fazer nada. Infelizmente.

    Att,

    JSS.

  7. José Sinval, comentário 10
    Solução sempre haverá e, já temos exemplos em outras cidades. Mesmo aqui o secretário dos transportes elenca medidas que certamente se tomadas honestamente irão convergir para a melhoria do trânsito.
    A verdade é que como você coloca esbarramos na corrupção endêmica.
    Por isso, precisamos aumentar o tom e a frequência dele.

  8. Desde o inicio de operações do metro em 1974 ate hoje temos somente 70km de linhas!
    Porque até hoje não temos mais kilometros de linhas no metro?
    a minha conclusão:
    -O metro além de ser obra cara é demorada.
    Politicos só querem realizar obras durante o seu mandato!
    Ja o metro é iniciado em uma gestão, quando termina a tal gestão, passa para a gestão seguinte e assim vai indo o metro
    de mãos em mãos
    E ate hoje so temos 70 km
    E os corredores de onibus prometidos pelo Kassab?
    Aonde estão?
    Onibus novos, mais confortaveis, com ar condicionado, etc?
    Sem esquecer do paulistano fanatico por automoveis que entopem as ruas da cidade e para piorar compram os jipões, utilitarios parecidos com tamques panzers da segunda guerra para ocuopar mais espaço
    E com agravante destes panzer transportar sometne o seu felizardo dono
    Agora é tarde!
    Muito dificil reverter o caos que tomou conta da cidade de SP
    Mesmo que cobre absurdo no pedagio, por sinal não solucionara os problemas gerados pelo caos no transito.
    Nada mais que soluções paliativas
    mais nada
    O resto é pura conversa politica e eleitoreira
    Não acredito nos politicos paulistas e paulistanos.

  9. Armando Italo, acredito que iremos começar a tratar das soluções. A gravidade é tanta que não é possível que todos se omitam.
    Veja por exemplo as recentes manifestações a respeito da mobilidade em São Paulo. Se analisarmos as sugestões publicadas pela Época, há além daquelas enfatizadas pelo Milton Jung, outras de boa qualidade. Roberto Scaringella especialista em trânsito aponta o pedágio urbano, Ignácio de Loyola Brandão o alargamento das calçadas e a ciclovia, tirando uma faixa dos automóveis, um leitor sugere incentivo para as empresas que criarem sistemas que possibilitem o trabalho em casa, etc.

  10. Carlos
    O trabalho em casa é uma das soluções sem duvidas
    Face aos avanços da tecnologia, internet que permite computadores conversarem um com outro on line, troca de arquivos, tem o skype, voip, etc
    O que pega é o fato de ainda existirem empresários, chefes com mentalidade arcaica
    O funcionário tem que estar presente de corpo em alma no escritorio, na empresa!!
    e para completar de terno mesmo tendo que permanecer o dia inteiro trancafiado e enjaulados nestes predios mais parecidos com ratoeiras de vidro.
    Presto serviços para empresa fora do pais!
    Em minha casa, ou em qualquer local onde tiver sinal de internet.
    Mas existem também os funcionarios que preferem trabalhar fora de casa por razões tais.
    a economia com combustivel, menos poluição, menos transito, mais saude seriam os principais resultados para todos.
    Para a cidade.

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