De covardia

Por Maria Lucia Solla

 

 

Somos caixas feitas de tudo, do que está além e do que está no mundo.
Pena que delas sabemos tão pouco, não por não podermos acessá-las, mas porque a danada da covardia não nos permite.
Covardia, uma das senhoras que partilham o controle, no comando da nave. Sempre disponíveis. Na delas.
Não são os banqueiros, os culpados pelos males do mundo.
Não são os bandidos e assassinos, a única fonte de desespero e insegurança.
Não são os adolescentes, os velhos ou os doentes, os políticos e seus partidos que já nascem comprometidos.
É você, e sou eu quando damos à covardia o lugar de honra à mesa do banquete em que nos entregamos em sacrifício do nada pelo nada; do vazio pelo mais vazio ainda.
É o conformismo com a uniformidade insossa da sociedade, que brota do abismo de entranhas ocas, que nos mantém afastados de nossa essência, que nos mascara com egos vaidosos e mentirosos, para que não percebamos que a vida nos dilacera para que possamos renascer a cada tic e tac do coração.
A vida nos sacode, quando resistimos a ela, para nos alertar a sobressairmos, não pela grandeza, mas pela profundeza.
A vida nos incita a evitar a conformidade covarde com o status quo do mal dito social, em detrimento da sociedade fraternal.
Assim nos tornamos, cada um, apenas mais um remador dentre bilhões a remar um barco que mira o desastre previsto.
É por isso que tiro o meu chapéu para poucos, como Einstein que mostrou a linguona para o mundo.

 

É isso.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

4 comentários sobre “De covardia

  1. Querida Lú, olha a coincidência, hoje escreves sobre covardia, e a Martha Medeiros, uma das escritoras gaúchas que mais admiro, escreve sobre coragem em seu texto para ZH, duas faces, duas abordagens da mesma moeda. Se puderes dá uma lida, é na Revista ZH. dominical. Bjs, Maryur

  2. Amiga Maria Lucia,
    Bom dia.Espero que esteja muito bem consigo.
    Nosso problema é que temos uma questão CHAMADA EDUCAÇÃO,o dia que equacionarmos esta questão tudo estará resolvido.
    Abraço
    Farininha.

  3. Maryur, querida,

    sou fã confessa da ZH e da Martha Medeiros.
    Vai ser uma festa!
    Vou entrar no site assim que a turma for dormir. Fico aqui no silêncio, do que eu também gosto.

    E você, amiga, é companheira de jornada. Os caminhos te levam pra Brasília, e lá vou eu. Vou a Porto Alegre e lá está você, sempre de braços e coração abertos. Vamos nos saboreando e aprendendo uma com a outra, ao longo do caminho.

    Amo você,

  4. Farina,

    e quem poderia discordar de você que tem oferecido durante toda a vida uma fatia gorda e saborosa do teu dia para o Dante Alighieri? De presente e de coração?

    Concordo que a Educação seja fundamental, de mãos dadas com a saúde, mas muito tem que mudar (me sinto estranha dizendo “tem que”, já que sou avessa ao termo), muito, muito!

    Mas quem sou eu, não é?

    Obrigada e um beijo pra você e pra Vivi que continuam me abraçando durante fase mais áspera, digamos.

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