15 quilômetros na contramão e sem fiscalização

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Levar-me de volta a um assunto sobre o qual já escrevi várias vezes neste blog – trânsito – só mesmo um fato inusitado e, ainda por cima, ocorrido em rodovias que passam pelo Rio Grande do Sul,de onde, se é que algum leitor ainda não saiba, envio os meus mal digitados textos para o Mílton. Rendeu manchete nos jornais de Porto Alegre e nos demais veículos de comunicação daqui a façanha do motorista de um automóvel Pálio que trafegou 15 quilômetros na contramão. Olhem que não cometeu a estrepolia dirigindo em estradinhas vicinais. Não, ele começou seu tresloucado passeio (ou coisa que o valha) dirigindo na BR-116, no trecho entre Porto Alegre e São Leopoldo, depois de ingressar na rodovia em Esteio, e conduziu o seu carro até as proximidades do aeroporto Salgado Filho. Por muita sorte, o único acidente cometido por Leo Deimling, 55 anos, aconteceu em Canoas. Uma motorista, que vinha para Porto Alegre, dirigindo em sentido correto, foi ofuscada pelas luzes do Pálio e, para fugir de uma batida frontal, jogou o seu carro contra uma mureta. Ela e seus caroneiros sofreram ferimentos leves. Daimling fez um retorno na altura do aeroporto e entrou na freeway na mão certa,mas deu meia volta e retornou a dirigir na contramão. Para não cansar a beleza dos meus raros leitores, como costuma acentuar o Mílton, acrescento que a saga perigosa vivida pelo contraventor ocorreu em hora de pouco movimento, seja na BR-116, seja na freeway, onde teve a sua trajetória bloqueada, finalmente, por uma viatura policial. Ao tentar desviar dessa, chocou o seu Corsa no guard-rail. Foi encontrada, no automóvel de Leo Deimling, uma lata de cerveja. O bafômetro acusou consumo de bebida alcoólica nove vezes acima do tolerado. Leo foi preso em flagrante por tentativa de homicídio doloso. Disse ter bebido uma cerveja e não queria acreditar que andara 15 quilômetros na contramão.

 

As câmeras, que controlam o trânsito, detectaram parte do temerário trajeto do protagonista dessa história real. Não seria o policiamento, tão bom e muito presente nos feriados prolongados,insuficiente nos dias úteis? Ou, quem sabe, no período em que o motorista faltoso andou na contramão – 1h45min às 2h – o efetivo policial não precisa estar mais presente? Perguntar, não ofende.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Um comentário sobre “15 quilômetros na contramão e sem fiscalização

  1. Não Milton F. Jung, não é falta de policiamento, isso só aumento o custo, pois com mais policiais é necessário mais dinheiro para salários e certamente, mais impostos.
    É falta de aplicação de multas duras. Em caso de bebida, por exemplo, o motorista teria que perder a carteira por um bom tempo (1 ano?) e pagar um valor em dinheiro (R$5.000.00, R$10.000,00) e enquanto a multa não fosse paga, não teria direito a habilitação e o CPF do cara teria que constar na Receita Federal como inadimplente.
    E multas assim para todos as infrações.
    Quando dói no bolso, a gente sente!

    Abraços

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