Por Milton Ferretti Jung
Há muitas coisas sem as quais, hoje em dia,não conseguiria viver. Claro que não me criei usufruindo as satisfações e os benefícios que elas me trouxeram ao longo da minha vida. Já escrevi neste blog, por exemplo, que considero indispensável o telefone celular. Para mim, as facilidades oferecidas aos seus usuários por este aparelho, cada vez mais sofisticado, são infinitamente superiores aos incômodos que provoca. Antes que a telefonia móvel estivesse à nossa disposição, tudo era mais difícil. Como, porém, nem só de criações tecnológicas se sobrevive no dia-a-dia, existe um invento bem mais antigo que preenche as minhas horas de lazer e têm ainda muitas outras utilidades. Refiro-me aos livros. Minha vida não seria a mesma sem eles.
Comecei a ler muito cedo. No quarto da minha avó paterna, onde eu dormia na minha infância, meu pai mantinha um armário cujo conteúdo me atraía.Entre os que li com tenra idade,lembro-me até hoje, estavam alguns que papai jamais imaginara que pudessem chamar a minha atenção: O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós; |Zadig,novela escrita pelo filósofo Voltaire…e Minha Vida Sexual. Agora, entretanto, prefiro ler livros policiais e, não se espantem, de terror. Sou fã, entre outros autores, de Frederick Forsyth, Stephen King, Scott Turow, Ken Follett, Thomas Harris, James Patterson, Tom Clancy. Essa gente me acompanha no almoço, na janta e em diversos outros momentos.
A biblioteca que Maria Helena e eu montamos em nossa casa está recheada de livros. Não foi uma nem duas vezes que compramos obras que já possuíamos. Agora, enquanto aguardo a chegada de uma encomenda, resolvi ler um livro de uma escritora sobre a qual nunca ouvira falar: Thrity Umrigar. Ela é indiana, cresceu em Bombaim, mas mora atualmente nos Estados Unidos. O título original do livro que recém comecei a ler é Um Lugar para Todos ou, no original inglês, Bombay Time. Como está claro, a história tem Bombaim por ambiente. O primeiro personagem a surgir é um empresário que vai ao um casamento com sua mulher “A bem da verdade – escreveu Thrity Umrigar – ele nem queria ir ao casamento. Os mesmos convidados de sempre, as mulheres cravando seus olhos penetrantes nos dois…” Mais adiante, lê-se o que pensava o empresário sobre a sua cidade: “Quanto mais velho ficava, menos lhe agradava sair de casa, a não ser para ir à própria fábrica. A Bombaim da sua juventude – ao menos aquela que ele guarda na lembrança – dera lugar a uma cidade fétida, apinhada e sufocante, que lhe insultava os sentidos. Pôr os pés na rua equivalia a enfiar uma meia suja, malcheirosa, suarenta e pútrida. Quase em sequência, o homem continua pensando: “E, cada ves mais, a cidade – o barulho, a violência, a poluição, a sujeira – invadia sua casa. Diariamente o jornal aterrissava como um míssil na sua porta. Professora idosa morta em assalto. Ministro envolvido em escândalo financeiro. Ladrões Armados fogem depois de assaltar banco.”
Bombaim – lembro eu – em 2011 abrigava 12.478.447 habitantes. Esse número, hoje, deve ter crescido muito. O que Thrity Umrigar usou no seu romance “Um Lugar para Todos” vale para São Paulo, para o Rio de Janeiro, para a minha Porto Alegre e todas as grandes cidades do mundo. Se não forem buscadas soluções visando, pelo menos, a diminuir os nossos problemas, não sei aonde isso nos levará.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o pai dele)
UM BOM DIA TODOS DA CBN(ACREDITO QUE O MELHOR FILME DA MINHA OPINIAO EO DE
VOLTA PARA O FUTURO 1 2 3)
Milton pai, o economista Edward Glaeser defende o adensamento urbano e a verticalização.
Aliás, o SECOVI também.
Pelo jeito não vai ser fácil estancar essa conjunção de problemas urbanos.