Jorge Marimon Mendes, um repórter esportivo inesquecível

 

Por Milton Ferretti Jung

 

 

O meu pai foi assinante durante muitos anos da Revista Selecções Reader´s Digest. Ele começou a lê-la na época da Segunda Grande Guerra. Claro, suas edições estavam sempre recheadas com histórias do conflito, nas quais as tropas dos Estados Unidos e de seus aliados protagonizavam batalhas fantásticas em que, via de regra, saiam vitoriosas. Já naquela época eu costumava ler desde revistas em quadrinhos – Gibi, Globo Juvenil e congêneres – a romances cujo conteúdo nem sempre era apropriado para adolescentes. Nas Selecções Reader’s Digest eu não deixava de ler, “O Meu Tipo Inesquecível”, presente em todos os números. Sob tal título, havia histórias acerca de pessoas que, de alguma forma, marcaram a vida e ficaram na lembrança de quem as relatava. Na manicure em que todas as quartas-feiras levo Maria Helena, minha mulher, existem revistas de vários tipos – Cláudia, Caras, Contigo etc. – mas, enfiadas numa pequena estante, meio escondidas, existem Selecções. São de meses passados,é verdade, o que não chega a ser problema, porque não se desatualizam, o que, por exemplo, ocorre com a Veja. Abro um parêntese para dizer que destesto as enormes revistas, repletas de fotos de pessoas que nunca vi mais gordas ou tão magras quanto as “top models” dos dias atuais.

 

Ao abrir a primeira das Selecções com que me deparei, procurei imediatamente, uma história sobre ”O Meu Tipo Inesquecível”. Folheei o exemplar e nada encontrei. O que fazer? Talvez o atual editor da Revista tenha entendido que não é fácil encontrar quem queira escrever acerca desse assunto. Ocorreu-me, nessa segunda-feira, que, se Selecções ainda tivesse “O Meu Tipo Inesquecível”, eu teria um capaz de preencher o espaço agora inexistente. Ao chegar à Rádio Guaíba, fiquei sabendo que Jorge Marimon Mendes fora encontrado morto, no sofá de sua casa, por sua filha Rosângela. Essa, viera a Porto Alegre para buscar o seu pai e levá-lo para comemorar, em Santa Catarina, o seu nonagésimo aniversário, que completaria nesta quinta-feira. Aparentemente, Jorginho, como era conhecido carinhosamente por seus colegas e amigos, aparentemente foi vitimado por um ataque cardíaco fulminante. Ao vê-lo a última vez, cheguei a pensar que o meu colega havia descoberto o elixir da eterna juventude. Prestes a fazer 90 anos, parecia ter pouco mais de 60, magro enxuto, disposto. Colorado, não perdia jogo do Inter e, pasmem, nem do Grêmio, desde que ambos não jogassem no mesmo dia.

 

Jorginho, que era o último ex-atleta vivo do Bambala, clube amador de Porto Alegre nos bons tempos dos campos de arrabaldes, começou sua carreira de jornalista em 1939, na Rádio Farroupilha. Teve passagens pelo Diário de Notícias, Zero Hora e Jornal do Comércio, em Porto Alegre; Jornal dos Sports e Globo, do Rio de Janeiro; Jornal da Semana, de Novo Hamburgo. Foi meu colega, na Guaíba, em 1958. Lembro-me que, quando Mendes Ribeiro era o principal narrador dessa Emissora, Jorginho tinha, nas nossas jornadas esportivas, uma única função: era ele quem informava as escalações das duas equipes e os nomes do árbitro e seus auxiliares. Jorge Marimon Mendes foi, também, presidente e vice-presidente da ACEG – Associação dos Cronistas Esportivo Gaúchos. Presto ao saudoso e insubstituível Jorginho minha última homenagem ao adotá-lo como “O Meu Tipo Inesquecível”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

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