Conte Sua História de São Paulo: o Sargento salvou meu casamento

 

Por Bernadete Areias Borges
Ouvinte-internauta

 

Mosteiro de São Bento

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Rodrigo e eu marcamos nosso casamento no Mosteiro de São Bento, centro da cidade, para o dia 17 de janeiro de 2004. A escolha do local foi feita depois de termos rodado São Paulo inteira a procura de alguma igreja diferente de todas que já tínhamos ido. Visitamos a Capela da PUC, mas era pequena para os 300 convidados. A Catedral da Sé, mas era grande demais… Enfim, decidimos com um ano e meio de antecedência que o Mosteiro de São Bento seria a igreja ideal. Durante este período, nos aproximamos dos monges e aprendemos a apreciar ainda mais as belezas do Mosteiro. As exigências foram cada vez mais fazendo sentido. Eram proibidas velas para não estragar as madeiras, flores grandes para não diminuir a beleza … Tivemos muita dificuldade de contratar um coral que não tivesse voz feminina, pois mulheres não poderiam passar pela clausura, acesso até o lugar das vozes.

 

Tudo estava perfeito, atendendo nossos sonhos e respeitando a importância do Mosteiro de São Bento, até que recebi uma ligação do meu avô Roberto. Paulistano de 80 anos, aposentado do Jockey Club de São Paulo, conhecia o Centro de São Paulo como ninguém e foi ele quem me alertou: – “Você está sabendo que haverá uma caminhada pelo Centro Histórico de São Paulo para comemorar os 450 anos da cidade no dia do seu casamento?”.  Pronto, já não sentia mais minhas pernas e meus sonhos tinham desabado!

 

 
Procurei mais informações e descobri que todo o Centro seria fechado para carros e a caminhada passaria pelo Mosteiro de São Bento por volta das cinco horas da tarde. Meu casamento estava marcado para as seis, impreterivelmente, após as 18 badaladas dos sinos da Igreja. Falei com todas as secretarias envolvidas, prefeitura, DSV, até que descobri uma Base da Polícia Militar em frente ao Mosteiro. Liguei, expliquei para um Sargento minha situação e ele, provando de que ainda existe gente boa neste mundo, de a solução. Uma vez que os acessos estariam fechados, pediu que eu comunicasse a todos meus convidados que viessem pela Rua Florêncio de Abreu e subissem a ladeira lateral ao Mosteiro (que é contramão e tem trânsito proibido), pois haveria um acesso permitido apenas aos convidados do casamento.

 

 
Claro que não acreditei que isso funcionaria, mas como não havia nenhuma outra opção, fizemos as comunicações devidas  e começamos a rezar para São Bento. A semana foi longa, mas a espera foi compensada: ao seguir as instruções, passei pela caminhada como alguém famosa, com toda a pompa dentro de um Rolls Royce (que pertenceu a Getúlio Vargas), sendo fotografada por todas pessoas que estavam admirando e prestigiando a mais linda das cidades brasileiras, São Paulo. Ao chegar no Largo São Bento, quem veio me receber? Ele, o Sargento. Mesmo estando de folga fez questão de organizar a chegada dos convidados e me dar todo suporte para o grande dia. Batedores da Polícia Militar escoltaram meu carro, que ficou parado em um isolamento da PM até a entrada na Igreja. Infelizmente – seja pelo nervosismo seja pela emoção – não me lembro do nome do Sargento que tanto me ajudou, mas é a ele que dedico minha homenagem à São Paulo.

 

Bernadete Areias Borges é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore conosco os 459 anos de São Paulo.

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