Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Arte na Igreja do Calvário

 

A Igreja é de 1926; o grafite, obra recente, assinada por Eduardo Kobra. Para a ouvinte-internauta Tina Kalaf, a “Igreja do Calvário emprestando sua face para o novo” é a Cara de São Paulo aos 459 anos, série fotográfica promovida pelo Blog do Mílton Jung. A reunião destes dois tempos em uma mesma cena pode ser encontrada na rua Cardeal Arcoverde, 950, bairro de Pinheiro.

 

Veja o álbum de imagens coma Cara de São Paulo aos 459 anos.

 

PS: Por descuido deste blogueito, ao publicar o post, troquei o nome do autor da foto, que já está corrigido, o que não me exime de culpa.

Conte Sua História de SP: meus passeios antes do Minhocão

 

Por Ivson Miranda
Ouvinte-intenrauta do Jornal da CBN

 

Ouça o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Vista do Minhocão

 

Quem passa pela região de Santa Cecília e arredores e vê o estado de degradação, não tem ideia que lá já foi um local sofisticado, antes de o Governador Paulo Maluf cometer um atentado urbanístico, o pior que a cidade sofreu, no século 20: o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão.

 

Durante um período da minha infância, morei na Barra Funda e meu pai trabalhava na Rua Rosa e Silva, travessa da Av. General Olímpio da Silveira. Ele nos levava nos fins de semana para passear naquela região.

 

Começávamos o passeio na loja Clipper, o primeiro magazine a ter escadas rolantes no Brasil, do lado da Igreja de Santa Cecília. Íamos cortar o cabelo, sentados em pequenos jeeps vermelhos. Corte curto dos lados e topete saliente, que ficava duro com um produto que era passado com ajuda do pente. Depois, o lanche, com direito a um delicioso misto quente e sorvete. Satisfeitos, saíamos caminhando pelas ruas arborizadas onde senhoras elegantes traziam no colo cachorros pequines, a raça da moda na época.

 

Na Praça Júlio de Mesquita, eu gostava de ficar procurando detalhes na Fonte Monumental, que funcionava, e ainda tinha as lagostas de bronze. Em dias de sol, os jatos d’água transformavam-se em múltiplos arco-íris. Perto dali, havia o Cine Metro, diversão era garantida nas manhãs de domingo com desenhos animados de Tom e Jerry. Confesso que mais de uma vez fiquei torcendo para que o gato finalmente pegasse o rato. De lá, visitávamos a feira de numismática e filatelia da Praça da República.

 

Passeávamos também pelos Campos Elíseos. Eu ficava admirado com os casarões, construções cheias de detalhes, de um tempo em que um mestre de obras tinha que ser um artista. Numa dessas casas havia várias camélias plantadas rente ao muro, exalando aroma muito diferente do cheiro permanente de dejetos humanos que agora persiste. E não havia uma multidão de zumbis sem controle vagando pelas ruas.

 

Fico imaginando se a minha cidade não tivesse sido profanada por aquela serpente de concreto e asfalto, se desde aquela época a opção fosse o transporte coletivo. Seria uma metrópole melhor e mais humana.

 

Ivson Miranda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore os 459 anos de São Paulo.

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

LDU 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Quito (EQ)

 

Os anos de luta nos deixam calejado, ensinam a entender os fatos por uma perspectiva mais ampla, nos afastam da frustração comum nos resultados negativos tanto quanto da ilusão provocada pelo sucesso fugaz. Por isso, independentemente do placar e do desempenho desta noite a 2,8 mil metros acima do nível do mar – o que deveria impedir jogos de futebol por se transformar em uma espécie de doping sem droga -, saímos de campo com a consciência de que nada se decide agora e se sonhamos seguir em frente na Libertadores temos que saber superar nossas carências e nosso adversário dentro da Arena, que, esperamos, se transforme em novo templo de conquista.

 

Quis os descuidos de 2012 que começássemos esta temporada sob o signo da decisão, nos obrigando a superação desde o primeiro momento, seja pelos dez dias afastados de casa, na tentativa de se adaptar a altitude, seja pelo esforço extra de correr por 90 minutos com menos gás à disposição, seja pelo risco de jogarmos fora todos os investimentos do ano ainda quando para alguns o ano sequer começou. A diretoria trouxe os jogadores que o técnico pediu, os jogadores ganharam tempo para se preparar, mesmo com o calendário apertado, e o time, claro, ainda precisa se conhecer. Vargas nem foi apresentado a todos seus companheiros, por exemplo.

 

Nosso próximo compromisso será dia 30 de janeiro, em Porto Alegre, na partida de volta com a LDU. E estaremos em campo tentando não ser influenciado, nem para o bem nem para o mal, pelo resultado dessa noite. Temos de ter os pés no chão, a cabeça no lugar e o coração na ponta da chuteira, não importando quantos gols precisamos fazer, quantas dificuldades ainda teremos de encarar, por que o Grêmio sempre tem de jogar desta maneira. Faz parte da nossa alma tricolor.

No fim do JCBN: lamparina no morro pra impedir apagão

 

 

A presidente Dilma Roussef convocou cadeia de rádio e TV para reafirmar o compromisso de que a conta de luz dos brasileiros ficará mais barata. Ao mesmo tempo, relatório da Aneel fala em atrasos nas obras que vão garantir energia elétrica nas cidades-sede da Copa do Mundo. Enquanto isso, a turma do morro se arruma como pode para não ficar no escuro, inspirando o encerramento do Jornal da CBN desta quarta-feira, dia 23/01.

 

Ouça o encerramento do Jornal da CBN, produzido pelo Clésio, Thiago, Felipe e Paschoal.

A alma das marcas: Gallery, São Paulo, 1982

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

A Cidade de São Paulo, das décadas de 60 a 80, seguindo uma tendência das grandes metrópoles do mundo, possuiu locais de entretenimento bastante sofisticados e exclusivos, onde a elite paulistana pode desfilar e desfrutar de boa música, shows refinados e gastronomia requintada.

 

Neste concorrido mercado, o Gallery se destacou. Predominou nos anos 1980 de forma absoluta com seus salões que serviram para namoros, casamentos e para o marketing de produtos e eventos de luxo. Foi neste contexto que, dirigindo a marca de moda infantil Caramelo, e tendo filhos ainda pequenos, percebi que também as crianças não estavam alheias ao prestígio do Gallery. Afinal era o lugar que os pais eram sócios, mas elas não podiam ir. Oportunidade e tanta para divulgar a marca dentro do segmento desejado.

 

Convidamos então os filhos dos sócios através do Jornal do Gallery, com uma chamada feita pela Angélica. Naquela época a sensação das passarelas infantis e Top Model da marca Caramelo:

 

 

Bem, o evento ficou como marco da marca Caramelo. Além de provar que as marcas realmente têm alma, pois Caramelo e Gallery já não tem mais corpo, mas a alma permanece. Se duvidar, pergunte a quem as conheceu.

 

Visite o álbum de fotos e veja se você reconhece algumas das personalidades que eram e são destaque da sociedade paulista. Vale a pena ampliar as imagens, clicando no canto inferior à direita, para aproveitar a festa:

 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

O sol nasce na Mooca

 

Um céu colorido pelo dia que começa na Mooca, dos mais tradicionais bairros da capital paulista, foi escolhido pela ouvinte-internauta Ana Lucia Vieira Santos para representar a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Esta vista, ela tem do terraço do prédio onde mora.

 

Veja o álbum completo com fotos enviadas pelos ouvintes-internautas e nossos colegas da CBN com a “Cara de São Paulo aos 459 anos”.

Conte Sua História de SP: cheguei dia 25 para ficar

 

Por George Nogueira de Lima
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

 

Ouça o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Vinte e cinco de janeiro de 1999. Foi exatamente esta data que saí de Fortaleza, no Ceará, para tentar a vida em São Paulo. Viajei por aproximadamente 50 horas em busca de fazer a vida na “cidade grande”. Tinha apenas 19 anos. Se quer tinha concluído o ensino médio. Tão logo cheguei na cidade comecei a trabalhar de office boy em uma pequena assessoria de cobrança, que fechou as portas em menos de seis meses de atividade. Foi aí que comecei a fazer o supletivo para concluir o ensino médio e melhorar as expectativas de vida. Concomitantemente, fui trabalhar na região do Brás, fazendo estoque em uma loja de cama, mesa e banho.

 

Findo o ano de 1999, conclui o ensino médio e emendei o vestibular em uma faculdade de Direito. A partir daí, as coisas melhoraram, e com pouco mais de seis meses de faculdade consegui um estágio, minimizando um pouco o sofrimento de pegar caixas pesadas e percorrer as ruas Orientes, Maria Marcolina e adjacências. Concluí o curso de Direito no fim de 2004 e fui aprovado no primeiro exame da Ordem dos Advogados.

 

São Paulo me propiciou a fazer uma graduação. Também formei família. Hoje, tenho uma vida estável com casa própria, carro novo, faço viagens com a família … Tenho uma vida privilegiada, mas que me custou muito suor, noites em claro, frio, calor, saudades. Não foi fácil, mas não vim em busca de facilidades. Quem quer trabalhar, venha para São Paulo. Aqui tem. Tem trabalho e oportunidades. Hoje, sem renunciar a minha terra natal, me sinto cidadão paulistano. Sempre retorno à Fortaleza para gozar parte das minhas férias, mas sinto que meu lugar é São Paulo.

 

George Nogueira de Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore os 459 anos de São Paulo.

No fim do JCBN: a balada do Obama

 

 

A simpatia do casal Obama segue conquistando o público americano como se percebeu nas homenagens pelo início do segundo mandato, nos Estados Unidos. Mais de 600 mil pessoas lotaram os jardins diante da sede do Congresso, onde Barack discursou para fortalecer o que pretende que sejam suas marcas nos próximos quatro anos: defesa das igualdades, com ênfase aos direitos dos homossexuais e das mulheres, respeito aos imigrantes e investimentos em energia renovável e na ideia da sustentabilidade. No baile inaugural, o primeiro casal voltou a esbanjar elegância e talento ao dançarem coladinhos “Let’s Stay Together”. A cerimônia se estendeu pela noite em diversas festas muito concorridas, como já é tradição em Washington. Os DJ’s do Jornal da CBN fizeram uma pesquisa no playlist do presidente e descobriram algumas das suas músicas preferidas:

 

Ouça a charge que encerrou a edição desta terça-feira, no Jornal da CBN, produzida pelo Clésio, Thiago, Felipe e Paschoal Júnior

Minha visita à Coimbra portuguesa

 

Por Julio Tannus

 

Coimbra, Portugal

 

Em tempos longínquos o local foi ocupado pelos Celtas, mas foi a romanização que transformou esta região culturalmente. A sua presença permanece nos vários vestígios arqueológicos guardados no Museu Nacional Machado de Castro, construído sobre o criptopórtico da Civita Aeminium, o fórum da cidade romana. Depois vieram os visigodos entre 586 e 640, alterando o nome da localidade para Emínio. Em 711, passa a ser uma cidade mourisca e moçarabe. Em 1064 é conquistada pelo cristão Fernando Magno e governada pelo moçarabe Sesnando. 

A cidade mais importante ao Sul do Rio Douro foi durante algum tempo residência do Conde D. Henrique e D. Teresa, pais do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que ali nasceu. Por sua mão é integrada em território português em 1131. Datam desse tempo, em que Coimbra foi capital do reino, alguns dos monumentos mais importantes da cidade: a Sé Velha e as igrejas de São Tiago, São Salvador e Santa Cruz, em representação da autoridade religiosa e das várias ordens que aqui se estabeleceram.

 

Foi em Coimbra que aconteceu o amor proibido de D. Pedro I (1357-67) e da dama de corte D. Inês, executada por ordem do rei D. Afonso IV, que viu nesse romance o perigo de uma subjugação a Castela. Inspirando poetas e escritores, a sua história continua a fazer parte do património da cidade. 

Durante o Renascimento, Coimbra transformou-se num lugar de conhecimento, quando D. João III (1521-57) decidiu mudar definitivamente a Universidade para a cidade, ao mesmo tempo que se criavam inúmeros colégios em alternativa ao ensino oficial. 

No séc. XVII os jesuítas chegaram à cidade, marcando a sua presença com a construção da Sé Nova. No século seguinte, a obra régia de D. João V (1706-50) enriquecerá alguns dos monumentos de Coimbra e sobretudo a Universidade e o reinado de D. José I (1750-77) fará algumas transformações pela mão do Marquês de Pombal, sobretudo no ensino. No início do séc. XIX, as Invasões Francesas e as guerras liberais portuguesas iniciaram um período conturbado, sem grandes desenvolvimentos para a cidade. Desde então foram os estudantes que a recuperaram e a transformaram na cidade universitária por excelência em Portugal.

 

História da Universidade

 

Coimbra, Portugal

 

Ao assinar o “Scientiae thesaurus mirabilis”, D. Dinis criou a Universidade mais antiga do país e uma das mais antigas do mundo. Datado de 1290, o documento dá origem ao Estudo Geral, que é reconhecido no mesmo ano pelo papa Nicolau IV. Um século depois do nascimento da nação, germinava a Universidade de Coimbra. Começa a funcionar em Lisboa e em 1308 é transferida para Coimbra, alternando entre as duas cidades até 1537, quando se instala definitivamente na cidade do Mondego.

 

Inicialmente confinada ao Palácio Real, a Universidade espraiou-se por Coimbra, modificando-lhe a paisagem, tornando-a na cidade universitária, alargada com a criação do Pólo II, dedicado às engenharias e tecnologias, e de um terceiro Pólo, devotado às ciências da vida. Estudar na Universidade de Coimbra é dar continuidade à história da matriz intelectual do país, que formou as mais destacadas personalidades da cultura, da ciência e da política nacional.

 

Com mais de sete séculos, a Universidade de Coimbra conta com um património material e imaterial único, peça fundamental na história da cultura científica europeia e mundial.

 

Coimbra
Amália Rodrigues

 

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua a faculdade
O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer saudade
Coimbra do choupal
Ainda és capital
Do amor em Portugal, ainda
Coimbra onde uma vez
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês tão linda
Coimbra das canções
Coimbra que nos põe
Os nossos corações, à luz…
Coimbra dos doutores
Pra nós os teus cantores
A fonte dos amores és tu.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve, às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

Ponte Estaiada do alto

 

A Ponte Estaida, a despeito das polêmicas em torno de sua construção e funcionalidade, é o mais novo cartão postal da cidade. Inaugurada em 2008, batizada Octávio Frias de Oliveira e construída sobre o rio Pinheiros, é das imagens que mais chamam atenção em São Paulo. Na novela, na televisão, nas fotos feitas por ouvintes-internautas e, não poderia ser diferente, no foco da nossa colega Isabel Campos, que além de boa voz e repórter de rádio, tem olho clínico para captar as imagens da cidade, a ponte é a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Esta foto foi feita em um sobrevoo com o helicóptero da CBN.

 


Veja o álbum completo com as imagens enviadas pelos ouvintes-internautas para a série “A Cara de São Paulo aos 459 anos”.