Tô de saco cheio: quem mandou me acostumar mal !?

 

 

Este texto publiquei, originalmente, na coluna “Mais ou Menos” da revista MacMais de Abril/13, a convite do editor Sérgio Miranda, a quem agradeço pela oportunidade. O artigo se encaixa na coluna ‘Tô de saco cheio’, que sai às segundas-feiras aqui no Blog e se dedica a falar da relação empresas e prestadores de serviço com o consumidor:

 

Uma Olivetti de teclas grandes cercada por laudas e papel carbono decoravam minha primeira mesa de trabalho em uma redação. Ainda era protótipo de jornalista, contratado como estagiário para trabalhar na Rádio Guaíba de Porto Alegre, em 1984, e já realizava o sonho de produzir e redigir programa dedicado ao esporte amador. Também levava comigo mania incômoda e pouco produtiva: uma letra errada ou frase mal escrita não podiam ser retocadas, jogava-se a lauda fora e começava-se tudo de novo. Os textos tinham de estar sempre limpos e respeitando a margem. Perdia tempo e papel, mas teimava em não rebater as letras ou usar o pincel corretor.

 

Comecei minha carreira no mesmo ano em que, nos Estados Unidos, era lançada uma máquina que iria revolucionar a forma de nos relacionarmos com os computadores e tornaria meu trabalho muito mais simples – você não imagina o alívio que sinto ao corrigir uma frase ou justificar o texto com apenas um ou dois toques. Gosto de lembrar desta coincidência de datas, em minhas palestras, para mostrar a evolução da comunicação nestes quase 30 anos de jornalismo. Se ao começar na profissão, o computador que era um sucesso rodava a 8 Mhz e estava há milhas de distância, hoje escrevo este artigo diante de um MacBook Pro que acelera a 2,8GHz. A evolução da tecnologia e a alta velocidade com que os dados são trocados colocaram de cabeça para baixo os meios de comunicação, mexeram no cotidiano dos jornalistas e mudaram o hábito do consumidor de informação. Poucos têm paciência para o jornal do dia seguinte ou o telejornal da noite; todos querem a notícia aqui e agora.

 

Tenho certeza de que Steve Jobs pensava em mim quando criou o Macintosh II. E sabia que, mesmo que levasse 20 anos para me encontrar com um Apple, ali estaria a máquina que iria resolver os meus problemas. Meu batizado foi em um PowerBook G4, que ainda guardo em casa, apesar do problema na tela que nenhum técnico é capaz de resolver. No teclado confortável para um notebook escrevia textos com rapidez e clareza. As ideias fluíam com facilidade. Percebi que o Keynote era um espetáculo quase tão significativo quanto o conteúdo da palestra. E era possível manipular arquivos de maneira simples, direta e objetiva.

 

Contaminado pelas máquinas prateadas – tive ao menos mais três modelos de Mac, inclusive o primeiro MacBook Air -, imaginava ter todas minhas necessidades atendidas. O tempo me mostrou, porém, que o reino encantado de Jobs tinha limites, em especial quando dependia de terceiros. A começar pela dificuldade de algumas empresas em fazer rodar seus programas – e não me refiro a games, hoje um problema menor. Por exemplo, tenho de manter um pequeno HP na mesa para acessar minha conta jurídica no Bradesco, que me promete há meses uma solução, sem sucesso. As certificadoras digitais me obrigam a manter versão antiga do Firefox para emitir notas fiscais. Pior mesmo são as assistências técnicas que se apresentam como autorizadas.

 

Nestes dez anos em que me acostumei a ser bem servido pela Apple, nas vezes que precisei de um conserto fiquei muito frustrado. O usuário Mac tem computador de alta qualidade, programas que satisfazem e performance de deixar qualquer colega da mesa ao lado de boca aberta. Infelizmente, as assistências técnicas da marca constroem um padrão de atendimento que vai na contramão da imagem de qualidade embarcada nos produtos da Apple. E não se trata de pedir nada de excepcional, apenas que respeitem o direito do consumidor.

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