Minha devoção pelo Padre Reus

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Tenho muita pena de quem se confessa ateu. A recíproca é verdadeira: aceito, sem reclamar, que um ateu, que porventura esteja lendo esta coluna, me espinafre por ser um crente. Os meus raros e caros leitores, como costuma salientar o meu filho nos seus textos, neste blog, talvez estejam estranhando o meu assunto nesta quinta-feira. Explico:o Mílton, em uma de nossas conversas telefônicas nas quais o futebol sempre faz parte da pauta, sabedor que sou devoto do Servo de Deus João Batista Reus, sugeriu-me que escrevesse sobre o alvo da minha devoção. Afinal, o santinho, com a imagem do Padre, me acompanha quando sento à frente do televisor para assistir a um jogo do Grêmio, que é o time da nossa família, com uma honrosa exceção, o meu cunhado Luiz Carlos, colorado de quatro costados. O Servo de Deus apenas não fica comigo quando me disponho a “secar” alguma equipe. Seria exigir demasiado dele que me prestasse ajuda em algo, reconheço, não muito ou nada cristão.

 

Padre Reus esteve presente, agarrado com força por minhas mãos e beijado com insistência, na Batalha dos Aflitos, quase de minuto a minuto. Na hora do pênalti, chorei ao ver a defesa maravilhosa do goleiro Rodrigo José Gallato, e por pouco não estraguei o santinho ao o agradecer pela sua preciosa ajuda. Essa foi a tarefa mais difícil, imagino, cumprida pelo meu caríssimo Padroeiro. Houve outras, muitas outras, em que rezei convicto de que Padre Reus não nos abandonaria na pior. Nem mesmo naqueles jogos em que não me brindou com o seu socorro, deixo de lhe agradecer. Ora essa, não se pode ganhar sempre. Às vezes, os disparates cometidos pelos jogadores e técnicos são tão grandes que eu olho para o santinho e sou obrigado a concordar com ele.

 

Padre Reus nasceu na Alemanha, na cidade de Pottenstein, na região da Baviera, no dia 10 de julho de 1868. Lá, entrou na Companhia de Jesus e foi enviado para o Brasil, radicando-se no Rio Grande do Sul. Por muitos anos foi professor de teologia no Colégio Cristo Rei, de São Leopoldo. Como ex-estudante do Colégio Anchieta, em Porto Alegre, ouvia frequentemente histórias sobre o Padre Reus, contadas pelos meus professores, padres jesuítas. Reus foi um homem místico, que recebia visões quando celebrava missas. Escreveu inúmeros livros em português, espanhol, alemão e italiano. Hoje, o Santuário Sagrado Coração de Jesus, no cemitério do qual descansa o seu corpo, é um dos principais pontos turísticos de São Leopoldo. Em Porto Alegre, seu nome foi dado a uma das principais vias da Zona Sul, que atravessa três bairros: Tristeza, Camaquã e Cavalhada.

 

Se querem saber a razão de eu ter escolhido o Padre Reus para proteger o Grêmio, digo que se deveu a um técnico de futebol, o Capitão Carlos Benevenuto Froner. O primeiro time a ser treinado por ele foi o Grêmio Esportivo Leopoldense, coincidentemente ou não, na cidade em que o Padre Reus se estabeleceu e viveu até falecer. Froner era devoto do Servo de Deus João Batista Reus. Tanto falava nele que me levou a acompanhá-lo na devoção pelo Padre Reus.
Enfim,acho que este tipo de crença, que me perdoem os incréus, nos ampara nos momentos difíceis que todos precisamos enfrentar. Acreditar é preciso e só faz bem.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

2 comentários sobre “Minha devoção pelo Padre Reus

  1. Fui muito pelas mãos de pai e mãe ao Santuário Sagrado Coração de Jesus, em São Leopoldo, e rezei no túmulo de Padre Reus. Era pequeno e, confesso, não sabia bem o porquê da preferência pelo referido. E eu, apesar desse cacoete de jornalista, jamais tive a curiosidade de perguntar, acredita? Talvez porque mesmo sem saber desta ligação “clubística”, tinha a percepção do quanto fazia bem à família estar naquele local e rezar.

  2. Olá Sr. Milton:

    Acredito, fielmente, que a fé é a maior herança que você pode receber de sua família. Meu avô Ovídio, gaúcho de Santo Ângelo, deixou esse grande legado a todos nós, seus filhos e netos.

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