O desafio de escrever com antecedência

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Desde que assumi com o meu filho o compromisso de escrever um texto por semana para o blog que ele assina,o que venho fazendo religiosamente sempre que não estejamos ambos gozando férias,nunca havia acontecido de eu não encontrar um assunto capaz de interessar quem se dá ao trabalho de ler o que digito. Como o Mílton,também atuo no rádio,mas,ao contrário dele,não preciso,faz muitíssimo tempo,acordar de madrugada para trabalhar. Fiz isso durante meses, logo depois de passar no teste para locutor “pau-para-toda-obra”. Semana passada,ao escrever sobre os carros do meu pai,lembrei que ele me emprestava o seu Citroën a fim de que eu fosse até a vila Rio Branco,na Grande Porto Alegre,situada às margens do Rio Guaíba (existe,agora,quem entenda que o velho Guaíba não é rio,mas estuário,só que eu não engulo essa). O estúdio da Canoas ficava à beira da água e ao pé da torre que espalhava o som da emissora. A diferença entre o meu começo em rádio e o que faz o Mílton na CBN,hoje em dia,porém,embora grande em vários sentidos,em um,pelo menos,não é.

 

Depois de passar anos apresentando o Correspondente Renner,a partir do dia em que o Mílton assumiu a primeira edição do Jornal da CBN,às 6 da manhã,quando ele dá bom dia aos seus ouvintes,eu me inscrevo entre os que acompanham o noticiário. Afinal,tal qual o meu filho,mas bem mais tarde,isto é,às 13h00,apresento uma síntese informativa. Bem cedo,portanto,é necessário que vá tomando conhecimento das notícias do dia. Nada melhor,então,do que sintonizar a CBN. E unir o útil ao agradável,isto é,as informações transmitidas pelo Mílton.

 

Várias vezes recordei que os meus textos,apesar de serem postados às quintas-feiras,têm de ser enviados com antecedência. Nisso,sou exigente comigo mesmo,tanto que trato de os mandar dois dias antes. Assim,nem sempre posso abordar assuntos que,no dia da postagem do meu texto,estejam vencidos. Talvez até me atrevesse a escrever sobre o Mensalão, assunto tão importante que merece ser grafado com eme maiúsculo.Restrinjo-me a imaginar que as pessoas envolvidas nele, entre outros erros,foram egoístas,porque foram tomadas pela paixão humana fundamental,que consiste na submissão do dever ao interesse particular,em detrimento da obediência à lei moral.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

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