Por Milton Ferretti Jung
Em Porto Alegre, de onde escrevo esta coluna, ano após ano, de maneira indefectível, no dia 20 de setembro, a Guerra dos Farrapos ou, se preferirem, a Revolução Farroupilha, é lembrada pelos rio-grandenses. Uso a palavra lembrada porque não entendo que revoluções ou guerras mereçam ser comemoradas. A Farroupilha estendeu-se de 20 de setembro de 1835 a 1º de março de 1845. Gaúchos de todo o estado reúnem-se durante o mês de setembro inteirinho no Parque da Harmonia. Desta vez, os que vieram acampar na capital, encontraram um parque com vias asfaltadas e livres, portanto, do barral que tinham de enfrentar, eis que sempre chove muito por aqui nesta época do ano.
No dia 20, o desfile dos piquetes na Avenida Edvaldo Pereira Paiva é o ponto alto do tradicional evento. Trata-se de um feriado estadual. Feriados desse e de outros tipos – nacionais, estaduais ou municipais – especialmente se caem em quintas ou sextas-feiras, são mais propícios à ocorrência de acidentes, eis que, ao contrário dos fins de semana normais, aumentam consideravelmente o fluxo de veículos nas rodovias. Às vésperas desses dias, a mídia costuma divulgar recomendações aos motoristas, visando a que não corram, tomem cuidado com as ultrapassagens e não consumam bebidas alcoólicas antes de dirigir, além de outros tipos de cuidados.
Como sempre,porém,nem todos dão a devida atenção aos avisos. Aqui no Rio Grande do Sul, o feriadão do dia 20, deixou saldo de 20 mortos nas estradas gaúchas. Em 2012, 18 perderam a vida nessa data. Não bastassem os acidentes fatais, o número de embriagados ao volante também é assustador: 115 foram flagrados, no Viagem Segura, dirigindo sob efeito de álcool. Desses, 67 foram conduzidos a delegacias porque se negaram a se submeter ao bafômetro.
Sempre que escrevo sobre o assunto, lembro que tem de ser obrigatória matéria versando acerca desse tema, já no curso primário, de maneira que as próprias crianças adquiram condições de influenciar os seus pais a respeitarem as leis do trânsito.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)