Cuidado, caminhões à vista!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A cidade de São Paulo no intervalo de quatro dias vivenciou dois acidentes com veículos pesados que geraram custos financeiros, operacionais e emocionais, que não podem ser considerados aleatórios. O fato é tão mais preocupante quanto se percebe que se não bastasse a desatenção do poder público, a mídia, importante instrumento para intervenções de melhoria, tem se restringido a cobrir tais ocorrências apenas momentaneamente.

 

Quinta feira, na Marginal Pinheiros, um caminhão com produtos de higiene tombou às 3h30m e foi retirado ás 10h30m. Na segunda-feira outro caminhão com carga de pedra britada colidiu com a passarela da rodovia Régis Bittencourt no Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, às 17h20m, e a liberação ocorreu às 2h40m do dia seguinte.

 

Na Marginal Pinheiros foram 43 km de congestionamento absoluto, onde os técnicos ainda ressaltaram a paralisação da pista gerada pela curiosidade de motoristas ávidos por olhar, fotografar e, pasme-se, filmar a carreta tombada. Às 8h, a pista da Marginal no sentido Castelo Branco, onde aconteceu o acidente, tinha 13 km de bloqueio. No sentido contrário, da Eusébio Matoso até a Ponte do Socorro eram 10 km de lentidão.

 

Já é hora de considerar a complexidade da operação de carretas na cidade, pois o fluxo de veículos, produtos e passageiros que circulam precisam estar inseridos num sistema de tráfego integrado, segmentado e pré-estabelecido. Caminhões e ônibus, principalmente os de grande porte, necessitam de pré-requisitos, inerentes ao veículo e ao condutor. É similar ao tráfego aéreo.

 

Controlar a entrada de veículos pesados, estabelecer regras severas para a circulação com relação a locais, horários e condução, exigir habilitação adequada para os motoristas, controlar e punir severamente moral e financeiramente as empresas transportadoras infratoras e os condutores, é o mínimo para começar.

 

Quanto deve ter custado à cidade o acidente da Marginal? Quem pagou?

 

Caminhões à vista. Cuidado!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

2 comentários sobre “Cuidado, caminhões à vista!

  1. Já que agora a onda é reduzir velocidade sempre argumentei com meus amigos: Velocidade para caminhões dentro da cidade de SP e nas rodovias que cruzam a cidade: 40km/h. É melhor uma caminhão a 40Km/h do que parado porque bateu na mureta, derrubou passarela, bateu em outro carro, capotou na curva etc.Tbém sempre digo: é melhor motos a 50Km/h na cidade do que vários acidentes. Como a moto nunca pára num congestionamento de carros porque passa ao lado ou entre carros, então 50km/h tá de bom tamanho. Reduziria acidentes todos os dias.

  2. Daniel Lescano, a cidade de SÃO PAULO, pela complexidade e quantidade de veiculos e passageiros, não pode suportar mais amadorismo. Os caminhões e ônibus tanto quanto os seus operadores precisam estar habilitados para esta função.
    Nas entradas da cidade será preciso um controle e posterior monitoramento. Podíamos começar pelos trajes. Bermuda, camisa regata e chinelo, vamos convir que não é a roupa adequada e segura para se pilotar uma carreta, ás vezes com cargas pesadas e perigosas.

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