Crise de abastecimento e de confiança

 

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Caminhões bloqueiam rodovia Raposo Tavares/SP em foto de Renata Carvalho/Helicóptero CBN

 

O posto de combustível está fechado. O supermercado está vazio. A feira livre tem apenas algumas barracas. A faculdade suspendeu a aula. O aluno não tem van para chegar na escola. O trabalhador tem pouco ônibus para chegar ao trabalho. O paciente teve o atendimento suspenso. Os clientes não apareceram. Enquanto isso, na estrada, parte dos motoristas de caminhão segue parada a despeito das concessões feitas pelo Governo Federal.

 

Sem força para negociar, Temer entregou o que pode — porque o cargo ele não solta de jeito nenhum. Anunciou redução de imposto, vai controlar o preço do diesel, tabelar o valor do frete, reduzir o pedágio e tirar dinheiro de onde já não havia. Vai aumentar o nosso imposto, também. Mandou as Forças Armadas para liberar estradas e escoltar caminhão de combustível. Investigou empresários que incentivaram a greve e está de olho em líderes de caminhoneiros que se recusam a recuar apesar das demandas atendidas.

 

Na boleia do caminhão tem de tudo um pouco. Motorista que não consegue mais pagar as contas porque o frete está barato e o diesel cada vez mais caro.
Tem empresa que não quer pagar a conta e força a mão para reduzir os custos.
Tem gente que não aguenta mais este governo.
Tem quem não aguente mais nenhum governo.
Tem quem que queira chegar ao governo.

 

Chegamos ao nono dia de paralisação. Alguns já deixaram o caminhão na empresa e voltaram para casa. Outros, entregam o que restou na carroceria. Há os que estão sem rumo, na expectativa que as negociações cheguem a bomba de combustível e ao seu bolso. Apesar de o número de manifestantes ter diminuído, os focos de protestos permanecem — são radicais, baderneiros ou resistentes, depende do seu ponto de vista.

 

No cenário que levou a essa situação, está uma economia que ficou aos frangalhos, tomada pela corrupção e má-gestão. E se o país não cresce, não tem carga para entregar. Sem carga, o frete é pouco e barato. O Governo reluta em cortar gastos, mantém uma máquina muito cara e não encara os problemas estruturais. Para sustentar tudo isso, cobra alto através de impostos na produção, na distribuição, na venda, na compra e na contratação.

 

Tem também o olhar errado — erro histórico — que nos levou a concentrar o transporte de cargas nas rodovias — responsável por mais de 60% do que se leva e traz no Brasil — quando todo país que se preze divide o peso também com ferrovias e hidrovias.

 

O que está descentralizado é o tipo de liderança por trás dos movimentos sociais — e essa característica se transforma em encrenca para quem quer negociar e desafio para a própria sociedade. Por isso, mais uma vez somos surpreendidos com manifestações que surgem nas redes e se espalham pelas ruas — desta vez, pelas rodovias.

 

Assim como em 2013, quando não havia líderes para negociar em nome das massas, em 2018 os líderes negociam sem o apoio das massas. Comandam sindicatos, associações, federações e confederações, mas não lideram as pessoas.

 

A crise no abastecimento é também a crise de confiança — e de liderança.

 

Enquanto chefes discutem no gabinete e assinam acordos, o WhatsApp corre solto de um celular para o outro e se transforma em uma enorme rede de intrigas, sem controle e sem limite. Todos os desejos cabem nas mensagens enviadas, ilusões circulam livremente e salvadores da pátria são elencados.

 

Confia-se muito mais no que circula na rede do que se publica no Diário Oficial.

 

O abastecimento se resolve com caminhão circulando — e não se sabe ainda quando isso voltará a ocorrer com regularidade —; a confiança, por sua vez, vai demorar para chegar — e temo que partidos e políticos estejam prontos para desperdiçar a oportunidade que as eleições desses ano nos abriria para essa mudança de comportamento.

 

Lá vamos nós para o nono dia de greve dos caminhoneiros.

Conte Sua História de São Paulo 463: as cocheiras dos Matarazzo, na Pompeia

 

Por Osnir G. Santa Rosa

 

 

Vi e participei de fatos dignos de nota desde que nasci na capital de todos os paulistas. Isso lá no início dos anos de 1940. Naquela época, milhares, milhões de famílias vinham para a cidade de São Paulo. A luta por moradia era terrível. Ainda não havia favelas. As pessoas se amontoavam em horrorosos cortiços.

 

Meu pai ingressou nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, na Vila Pompeia, zona Oeste da cidade, para dirigir os caminhões da Ford que substituiriam, como de fato substituíram, os veículos de tração animal.

 

Lá, havia 80 cocheiras muito bem preparadas para os muares que seriam, diríamos assim, despedidos. Ao mesmo tempo, a dona da casa em que nasci, na rua Duílio, no bairro da Lapa, também zona Oeste, pressionava minha família a devolver o imóvel porque havia quem estivesse disposto a pagar mais …

 

Meus pais estavam em polvorosa.

 

Foi quando meu pai soube que os animais já tinham sido dispensados do trabalho. Ele voou para lá a fim de assegurar uma das 80 cocheiras onde entendia ser possível viver com a família até conseguir outra casa.

 

Teve uma das maiores decepções de sua vida, que seria repleta de tantas outras decepções: todas as cocheiras já estavam ocupadas por outras famílias que, assim como a nossa, não encontravam um lugar decente para morar.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung.

Desligar é preciso!

 

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Foi-se o tempo em que nas férias tínhamos permissão para o isolamento,  era o momento de descansar o corpo e a mente. Do trabalho ficava-se afastado. Dos problemas do cotidiano, também. Todos a quilômetros de distância, que podia ser medida por linhas telefônicas precárias e caras. Para ligar em casa, ficávamos horas na fila e a conversa tinha de ser rápida para não inviabilizar o orçamento das férias. Estivéssemos no exterior, era mais fácil enviar um cartão postal, que tendia chegar ao destino depois de nós.

 

As notícias não circulavam. Quando muito apareciam estampadas na banca de jornal. Dependendo o lugar, chegavam à tarde. Em outros, só se alguém estivesse chegando à cidade. Lembro que em Nova York costumávamos ir até a rua dos brasileiros onde algumas tabacarias vendiam o Estadão, único jornal que desembarcava por lá nas asas das extintas Varig e Vasp. O que líamos tinha o sabor da novidade.

 

Hoje, assim que acordo, a tela do celular estampa as últimas do dia. O Twitter já me contou pedaços da história. E a caixa de correio eletrônico está cheia de pedidos e ofertas enviados por quem não sabe que você tem direito a férias.

 

Nestes últimos dias, os primeiros das férias, tenho sido bombardeado por tragédias.

 

Aqui na Itália, dois trens se chocam e 27 pessoas morrem. Teria havido falha humana, dizem os investigadores. Um agente de tráfego ferroviário não avisou ao outro que deixou passar despercebido e todos permitiram que dois trens pegassem a mesma via em sentidos contrários. Falha desse diacho da comunicação, o que nos remete a uma contradição moderna: ao mesmo tempo que estamos sufocados de informação, deixamos as essenciais de lado.

 

Além da comunicação, o acidente pode ter sido provocado pela corrupção, também. É o que diz a Autoridade Nacional Anti-Corrupção, Raffaele Cantone: o dinheiro roubado deixa de financiar obras de infraestrutura como as que duplicariam a linha onde ocorreu o acidente, que deveriam ter sido concluídas até o ano passado. Ainda não se iniciaram. Para ele, este é “um problema atávico do nosso país”. Do nosso também.

 

A imagem dos dois trens fundidos em ferro e morte destacada nos jornais e internet em seguida foi substituída pela de um caminhão conduzido por um terrorista, em Nice, na França. Ele atropelou e atirou contra a multidão que comemorava o 14 de julho, feriado nacional para celebrar os valores da Revolução Francesa. São 84 mortos até a última atualização. O motorista é um franco-tunisiano e foi morto por policiais.

 

Claro que eu poderia simplesmente desligar-me de tudo. Ao menos tentar. Deixar o computador fora do alcance ou o celular sem bateria. Talvez tivesse de restringir meu contato com as pessoas a um buongiorno ou uma buona sera, sem abertura para conversas do tipo: “che cosa succede?”.

 

Quem disse que consigo?

 

Aqui estou no computador, atualizando o blog para compartilhar com você, caro e raro leitor, as coisas que se sucedem – como se você não soubesse de tudo isso e mais um pouco. A impressão é que se não fizer isto, o cérebro vai transbordar de informação, o que me remete a percepção de Alain de Botton, filósofo do cotidiano, que  diz sermos todos viciados em notícia.

 

Para relaxar talvez a opção seja se ligar na sensação do momento e se transformar em um caçador de Pokemon. Aqui na Itália, aí no Brasil, ou em qualquer lugar que você navegar no noticiário, vai se deparar com informações sobre o novo jogo da Nintendo. Até autoridades públicas entraram na brincadeira como o prefeito Eduardo Paes pedindo que os monstrinhos cheguem para a Rio2016.

 

O problema é que pra se divertir tem de se conectar. E desligar é preciso!

A pracinha em frente de casa e o Citroën de cano reto

 

Milton Ferretti Jung

 

Recém havia sentado e preparado o meu computador a fim de escrever o texto para o blog do Mílton, que não é uma obrigação,mas,isso sim, uma satisfação para um pai aposentado cujo único compromisso,nos últimos tempos,é visitar médicos das mais variadas especialidades. Aliás, são tantos que deixo parte da organização dessa tarefa à Maria Helena,minha mulher,filha de farmacêutico, que trabalhou alguns anos na farmácia paterna e é bem mais afeita,por isso, a lidar com os que cuidam da minha saúde. Este escriba de Facebook que,talvez,alguém leia,seja por curiosidade ou amizade,sempre acha assim tempo para redigir esta coluna,nem sempre nas quintas-feiras,conforme minha combinação com o filho,este sim um escritor de verdade. Por falar nisso,recentemente,ele lançou um livro em parceria com a fonoaudióloga Lenny Kyrillos,com este título:”Comunicar para liderar”.Recomendo a sua leitura e não é por corujice paterna,mas porque já o estou lendo e é muito bom.

 

Não era bem este o meu assunto,mas os caminhões que durante um dia inteiro subiram e desceram a rua onde moro. Acontece que os tais caminhões passaram fazendo isso por pelo menos dez dias. Retiravam terra e restos de árvores de um terreno baldio,o último existente, por sinal,na Dr.Possidônio da Cunha, em Porto Alegre. Um pensamento,às vezes,corre atrás do outro ou mesmo dos outros. Este me veio à cabeça ao assistir à azáfama dos caminhões,que chegavam vazios ao terreno que limpavam e saíam carregadíssimos,fazendo um barulho ensurdecedor. Não são eles,porém,os protagonistas da historiazinha que vou contar e da qual me lembrei quando escrevi que os monstrengos ruidosos levavam o que chegou a ser um espaço arborizado e não um simples barral. Ainda,no entanto,tergiverso e,com isso,deixo entrar no que interessa ou pode interessar.

 

Na minha infância e até casar,morei com os meus pais em uma rua que,bem na frente da casa paterna,se unia a outra. A minha era a 16 de Julho,a vizinha dela,Zamenhoff. As duas,por muito tempo,possuíam,entre as suas casas,terrenos baldios. Os terrenos baldios eram os locais onde brincávamos de esconde-esconde e,principalmente,jogávamos as nossas peladas.Para desespero dos nossos pais, chegávamos em casa com os sapatos em pandarecos. Naquela época não haviam ainda inventado sequer as alpargatas e os sapatos não eram baratos. Os espaço livres foram terminando.Recebiam casas modernas e acabavam, principalmente,com o futebol que a gente jogava. A única bola que usávamos – bola de tento – como eram conhecidas,tinha um dono,o Airton Stein. No bom do jogo,a mãe do dono da bola o chamava para tomar café ou dar um pulo no armazém para comprar isso ou aquilo.

 

Escrevi que os espaço livres para se brincar foram,aos poucos,virando casas.Sobrou a “pracinha” que ficava na junção das duas ruas a que já me referi. Em roda da “pracinha”,ficavam as casas mais próximas dela.Volta e meia,a bola do Airton ia parar dentro de uma dessas casas. E a bronca do residente era imediata. Alguns faziam de conta que nos deixariam sem bola.

 

Encontrávamos,entretanto,novos “esportes”. Bola de gude,bolinhas de tênis muito usadas,etc. A “pracinha”,que a prefeitura tentava transformar em praça de verdade, nunca passou do diminutivo. As flores da prefeitura nunca chegaram a crescer e inventávamos,a casa dia ou durante algum tempo,toda a espécie de “esportes”. Jogou-se nela desde futebol,vôlei e até tênis,com rede e tudo.

 

A “pracinha” teve,inclusive,os seus personagens. Um deles,de repetente,sofria um ataque e o remédio era lhe pôr na mão a bola do Airton. O outro menino problemático não jogava. Apenas nos olhava e segurava entre dois dedos folhas de trepadeiras e as sacudia incansavelmente. Era na minha casa que a turma pedia licença para beber água da pena. No Dia de São João,os esportes davam lugar a uma imensa fogueira. Lembro-me que o meu pai enchia de água a banheira,o tanque,enfim,todos os baldes da residência,temendo que a fogueira soltasse fagulhas capazes de incendiar a nossa casa.

 

Crescemos quase todos e continuamos morando nas casas que nossos pais haviam construído. Um vizinho,que morava no fundo da minha casa,numa rua paralela chamada São Pedro,bem mais velho do que eu,tinha comprado um Citroën e colocado nele um cano de descarga reto. Esse fazia um ruído tão encorpado que parecia uma Ferrari.Fiquei doidinho por ter um carro com tal tipo de descarga e consegui convencer meu pai a me deixar imitar o cano do Citroën que ele comprara direto da fábrica, na França e era igualzinho ao do Valnei Law. O cano reto foi um presente por eu ter passado de ano,no colégio. Eu retirava uma tampa da boca do cano reto (o original era mantido e ficava depois de uma curva que deixava a descarga fluir pelo lado esquerdo do carro). O meu pai me emprestava o Citroën para ir às missas dominicais. Nunca fui. Em um desses domingos um carro de praça (assim chamavam os carros de aluguel na época), em um cruzamento perto da minha casa, bateu no paralama traseiro do Citröen. Como não tinha carteira dispensei o taxista e fiquei sem poder dirigir por um bom tempo.

 

Contei todas essas histórias,a partir do dia de hoje e daí para trás por uma razão:não suporto mais ler ou ouvir notícias de crimes,estupros e de mortos por balas perdidas,afora o inesgotável Lava-Jatos e safadeza de políticos.

Conte Sua História de SP: chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar

 

Por Inês Scarpa Carneiro

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Inês Scarpa Carneiro:

 

Sou a décima terceira filha de Dona Ana, somos em sete homens e seis mulheres. Minha mãe Ana chegou viúva com seus 13 filhos aqui em São Paulo, em 1959. Quando aqui chegou ficou tão encantada que gritou: isso é o paraíso!

 

Paraíso porque saímos de uma cidadezinha do interior chamada Echaporã – um chinês falava é sapo e o outro japones dizia é rã, então, ficou Echaporã.

 

Fomos morar em Vila Formosa. Chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar. Logo, ela colocou meus 5 irmãos a trabalharem no Moinho Santista e tudo melhorou. Os outros foram morar no comércio, na feira … Não deu  para nenhum fazer faculdade, mas todos vivem bem aqui em São Paulo.

 

Eu senti muito pois não conheci meu pai, morreu com 51 anos com complicações de uma mordida de escorpião que estava dentro do saco de arroz.

 

Aprendi a amar São Paulo como minha mãe amou, fiz um curso técnico agropecuário e  hoje sou produtora rural do Sítio da Felicidade e vendo meus produtos dentro de um galpão no parque da Água Branca. Tenho ovos verdes, coloridos, de “galinhas felizes”. Soltas, alegres, botam ovos quando querem, namoram o dia inteiro porque tem vários companheiros galos.

 

Esse foi meu grande sonho realizado aqui na cidade, pois eu pegava esses ovinhos coloridos lá em Echaporã para minha mãe quando tinha meus três aninhos…

 

Obrigado, São Paulo por nos acolher. Você sempre vai estar em meu coração. Cada vez que viajo não vejo a hora de voltar.

 

Inês Scarpa Carneiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br.

Falta de respeito à lei causa morte e acidentes de caminhão, no Rio e São Paulo

 

 


A terça-feira se iniciou encrencada para os motoristas de São Paulo e Rio de Janeiro devido a acidentes de caminhões em algumas de suas principais vias de tráfego. Logo cedo, assim que o Jornal da CBN entrava no ar, noticiamos que as marginais Pinheiro e Tietê apresentavam problemas na circulação em função dos acontecimentos. Aparentemente, foi o acidente na Pinheiros que causou maiores problemas depois que um carreta de 40 toneladas transportando plástico tombou na via expressa, em direção à rodovia Castelo Branco. Houve necessidade de equipamento especial e operação cuidadosa para destombar o veículo e liberar as faixas. O motorista não se feriu, mas terá de dar explicações do motivo de estar rodando na Marginal Pinheiros dentro de horário de restrição, que se inicia às quatro horas da manhã e foi criado com o objetivo de diminuir os congestionamentos e os riscos aos motoristas de carro que usam a via.

 

Nada do que aconteceu em São Paulo se compararia com a notícia que chegou do Rio de Janeiro assim que o Jornal da CBN se encerrou. Recebemos a informação de outro caminhão que havia provocado acidente ao se chocar com uma passarela de pedestres, na Linha Amarela. Desde as primeiras notícias na rádio, assim como as imagens que a GloboNews transmitia ao vivo, davam a ideia de que o caso carioca seria ainda mais grave. No decorrer da cobertura, infelizmente, nossa percepção se confirmou e soube-se que quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas após o caminhão, que estava com a caçamba levantada, derrubar a passarela. Na Linha Amarela, os caminhões só podem rodar após às 10 horas da manhã, mas o motorista disse à polícia que estava atrasado e para ganhar tempo decidiu cortar caminho.

 

As duas maiores cidades brasileiras têm buscado soluções para reduzir o impacto do trânsito e aumentar a segurança restringindo a circulação e a velocidade de carros e caminhões em horários e áreas específicos. Porém, a falta de respeito de motoristas – muitas vezes profissionais como os personagens das notícias desta manhã – e a fiscalização capenga impedem que os resultados sejam efetivos. Enquanto todos acreditarem que a vida em sociedade carece de respeito às regras, mortes e transtornos se repetirão seja no trânsito, como hoje, seja nas obras, como no Itaquerão há dois meses, seja nas boates, como na Kiss, em Santa Maria, há um ano.

Cuidado, caminhões à vista!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A cidade de São Paulo no intervalo de quatro dias vivenciou dois acidentes com veículos pesados que geraram custos financeiros, operacionais e emocionais, que não podem ser considerados aleatórios. O fato é tão mais preocupante quanto se percebe que se não bastasse a desatenção do poder público, a mídia, importante instrumento para intervenções de melhoria, tem se restringido a cobrir tais ocorrências apenas momentaneamente.

 

Quinta feira, na Marginal Pinheiros, um caminhão com produtos de higiene tombou às 3h30m e foi retirado ás 10h30m. Na segunda-feira outro caminhão com carga de pedra britada colidiu com a passarela da rodovia Régis Bittencourt no Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, às 17h20m, e a liberação ocorreu às 2h40m do dia seguinte.

 

Na Marginal Pinheiros foram 43 km de congestionamento absoluto, onde os técnicos ainda ressaltaram a paralisação da pista gerada pela curiosidade de motoristas ávidos por olhar, fotografar e, pasme-se, filmar a carreta tombada. Às 8h, a pista da Marginal no sentido Castelo Branco, onde aconteceu o acidente, tinha 13 km de bloqueio. No sentido contrário, da Eusébio Matoso até a Ponte do Socorro eram 10 km de lentidão.

 

Já é hora de considerar a complexidade da operação de carretas na cidade, pois o fluxo de veículos, produtos e passageiros que circulam precisam estar inseridos num sistema de tráfego integrado, segmentado e pré-estabelecido. Caminhões e ônibus, principalmente os de grande porte, necessitam de pré-requisitos, inerentes ao veículo e ao condutor. É similar ao tráfego aéreo.

 

Controlar a entrada de veículos pesados, estabelecer regras severas para a circulação com relação a locais, horários e condução, exigir habilitação adequada para os motoristas, controlar e punir severamente moral e financeiramente as empresas transportadoras infratoras e os condutores, é o mínimo para começar.

 

Quanto deve ter custado à cidade o acidente da Marginal? Quem pagou?

 

Caminhões à vista. Cuidado!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: o caminhãzinho do meu pai

 


Por Elza Conte
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Uma história de São Paulo dos anos 1950. Éramos quatro irmãos. Domingo à tarde era dia de passear no caminhãozinho de meu pai. Todos apertadinhos, cabíamos na sua cabine, mais minha mãe, que sempre levava um de nós no colo. Conforme fomos crescendo, e a cabine já não agüentava seis pessoas, o irmão mais velho e, às vezes, o mais novo, iam em cima do caminhão com orgulho da coragem de enfrentar uma viagem com todos seus perigos.

 

Quando chegávamos ao destino era sempre uma grande festa. Todos se divertiam muito com os passageiros que o veículo conseguia transportar. Cinto de segurança? O que é isto? Nem sabíamos da sua existência. Quando íamos à casa da Tia Angelina, irmã de meu pai, na volta o nosso primo Orlando, irmão postiço e sempre presente em nossa casa e vida, voltava junto no caminhãozinho, aumentando para sete o número de passageiros. Amado e inesquecível caminhãozinho.

 

Há muitas histórias sobre ele para contar-lhes.

 

Neste aniversário de São Paulo, hoje muito diferente das tardes de domingo passeando com nossos pais, sintam a diferença da segurança em que vivíamos e vivemos.

 

O nosso grande medo, nestes passados mais de 50 anos, era o Homem do Saco, um pobre infeliz que carregava um saco de estopa, estilo Papai Noel, cujo mal odor sentia-se de longe. Eu, sempre questionadora, argumentava porque Papai Noel não era mal cheiroso como o Homem do Saco. Seria porque no saco do Papai Noel havia presentes, e vindos do céu? Destaque-se que eu acreditei no bom velhinho até os nove anos de idade.

 

Lindas lembranças perceptivas que as conservo como recursos mentais para utilizar sempre que memórias menos agradáveis invadem minhas lembranças. Hoje, minha vivência de Coaching e Programação Neurolinguística tem explicações sistêmicas sobre essas fantásticas percepções, fundamentais e importantes para nossa saúde mental.

 

Quando a noite caía, na Rua Conselheiro Lafayette daqueles anos, um senhor de alcunha Mimi, que tivera morado nas proximidades, e sem teto, como hoje o chamaríamos, vinha dormir no caminhãozinho, devidamente autorizado por meu pai. Em um dos compartimentos do caminhão ficava guardado um velho cobertor, que era usado pelo Mimi e que, respeitosamente, no silêncio da noite, pegava o protetor de seu corpo maltratado pela bebida e pelo desgosto da solidão e se acomodava nas poltronas da cabine do veículo. As portas do caminhão não tinham fechadura. Podiam ser abertas a qualquer momento e por qualquer pessoa. Todavia, apenas o Mimi o fazia.

 

Às quatro horas da manhã, quando as luzes da casa já estavam acesas (meu pai era feirante e saia muito cedo para o trabalho), Mimi já se preparava e esperava sentado meu pai chegar, para tomar um cafezinho que ele lhe oferecia, religiosamente, todas as madrugadas. Às vezes, e por não ter destino a seguir, enquanto Mimi tomava seu café, meu pai o tinha como companhia para trocar algumas palavras dentro da madrugada de São Paulo, onde se conseguia ter um automóvel parado à frente de casa com as portas sem fechadura.

 

Para ocupar o tempo, Mimi voltava andando do local onde meu pai o havia deixado. Sentava-se à beira da recém-inaugurada Radial Leste, esperando que lhe fossem oferecidas algumas moedas. Sempre lembro dessa criatura que, espero, tenha tirado alguma aprendizagem dessa vivência e siga em paz onde estiver (minhas vibrações e pensamentos mais positivos a você Mimi).

 

Na volta do trabalho, meu pai trazia a xícara do Mimi, que era lavada para ser ocupada no dia seguinte. Esta história se repetiu até o dia que Mimi morreu tragicamente. Ainda me lembro da xícara em um cantinho de nossa pia, como que fazendo uma homenagem ao fiel guardador noturno do caminhãozinho de meu pai.
Histórias de uma São Paulo cheia de calor humano e com a segurança que nunca mais iremos encontrar.

 

Elza Conte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Foto-ouvinte: caminhão cai em buraco do Metrô

 

Por Devanir Amâncio

 

Caminhão cai em buraco do Metrô

 

Por volta das 12h20 desta segunda-feira(27) um caminhão VUC fica preso em um bueiro sem tampa da Sabesp ,na esquina da rua São Francisco com a rua José Bonifácio – no calçadão do Metrô Anhangabaú, centro de São Paulo. O dono do caminhão de placa de São Bernardo do Campo – Aritano Alves Machado – com as mãos na cabeça pediu socorro à CET. O bueiro de mais de dez metros desemboca no Córrego das Almas, no Vale do Anhangabaú. Segundo os moradores , o problema do bueiro transbordar e ficar sem a tampa no local é recorrente.

Córrego está engolindo rua, em São Miguel

 


Por Marcos Paulo Dias
Ouvinte-internauta e jornalista

Ao passar pela  Rua Ubirajara Pereira Madeira, na  Vila Rosária, São Miguel Paulista, zona Leste de SP, fui surpreendido por uma placa artesanal com a mensagem: “proibido passar caminhões – perigo não entre”. De imediato fui  “garimpar”, apurar os fatos, e encontrei o autor da sinalização pirata, Sr. Antonio Alves Soares,  72 anos, comerciante.   Da iniciativa, explicou: “a rua está desbarrancando, ficando  estreita, há muito lixo , ratos e alagamentos, esgosto,mal cheiro e moradores de rua também tomam banho  neste local, por isto resolvi tomar esta iniciativa”.

Córrego na RosáriaOutro morador,  Marcelo  Helano, no bairro há 15 anos, disse que percebe que com o passar dos anos a situação só vem piorando, o trânsito de caminhões como o de coleta de lixo, entregas de gás, entre outros, terá de ser interrompido devido ao desmoronamento da rua. Ele também pontuou que acontece com frequência descarte irregular de lixo e entulho de todo tipo de material como sofá, armários, pedras, areia, garrafas, roupas velhas, animais mortos durante a madrugada. “A falta de consciência e desrespeito dessa parcela da população contribui para a proliferação de insetos e até mudança do percuso do corrégo, assoreando as bordas”. Acabou tornado-se perigoso, pois é muito comum queda de animais como cavalos  e veículos afirmou o morador que mostrou-se indignado com a situação.

A  moradora Ednéia Santana aproveitou para lembrar que há uma creche municipal paralela ao Córrego e, mesmo assim, nenhuma providência foi tomada pelo Poder Público. informou ainda  que há alagamentos na avenida Rosária, próximo dali, por conta do corrégo e bueiros entupidos. Nesta avenida,  há grande movimentação de pedrestres, veículos e ponto de parada de ônibus. Disse que já  recebeu  visitas de candidatos em tempo de eleição, prometendo a limpeza e canalização do córrego e nada foi feito até agora.  “Somos Cidadãos e pagamos impostos ” desabafou a moradora.

No local observei que foram executadas obras apenas em um trecho mais a frente ou seja ainda falta canalizar a parte de cima, onde está a Rua Ubirajara Pereira Madeira. Moradores já fizeram abaixo-assinado e registraram protocolo (o último deles de número 9707 695 em 12 /01/ 2011) na subprefeitura da região. Eles também me mostraram uma pastinha com cartas, registros, documentos e fotografias –  inclusive de acidentes ocorridos recentemente.

Que saber o pior, na subprefeitura o córrego de nome de batismo Una consta como canalizado.