O luxo na Argentina morre aos poucos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

A crise no Mercado do Luxo na Argentina não é novidade. Desde o ano passado, diversas lojas de marcas internacionais fecharam suas portas em Buenos Aires, capital do país, por conta da intensificação das medidas adotadas pelo governo argentino para restringir importações e operações com dólar. Marcas prestigiosas como Empório Armani, Escada, Cartier e Louis Vuitton são algumas das que já deixaram o país por conta dessa situação. Ao que parece, o cenário tende a piorar.

 

Com o objetivo de desencorajar o consumo extravagante, a presidenta Christina Kirchner anunciou novos impostos sobre produtos de luxo. A medida é a última de uma série de movimentos governamentais destinados a conter a inflação. A Argentina sofre com a queda mensal de US$ 1 bilhão nas reservas do Banco Central e com a alta dos preços varejistas que as consultorias privadas apontam em quase 30% ao ano. No segmento automotivo, um dos que mais serão afetados, argentinos de alto poder aquisitivo compram veículos importados cotados em pesos à taxa de câmbio oficial, mas com dinheiro que trocam no mercado paralelo a 10 pesos por dólar americano. Assim, quem possui um carro de luxo consegue pagar a metade do valor em dólares ou euros. As reservas do Banco Central caíram de US$ 42 a US$ 31 bilhões este ano, na pior sangria desde 2001.

 

A falta de produtos nas lojas de luxo da capital portenha foi um dos principais problemas para as marcas. A limitação às importações afetou as marcas de luxo que, impedidas de abastecer suas lojas com artigos que chegam do exterior, começaram a fechar as portas. Sem produtos em suas prateleiras, consumidores, muitos deles brasileiros e com sede de consumo, frustravam-se por não poder comprar. A loja da Louis Vuitton, localizada na prestigiosa Avenida Alvear, no bairro nobre da Recoleta, até então vizinha de outras grifes como Hermès e Ralph Lauren, foi a primeira loja da grife francesa na América do Sul.

 

Se no varejo de luxo a crise está assustadora, para os hotéis de luxo a situação é menos drástica. Buenos Aires ainda é uma cidade atrativa para os amantes de gastronomia, arte e cultura. Os hotéis de luxo tem investido em programas com temáticas ligadas a temas como gastronomia, caso do hotel Palacio Duhau Park Hyatt Buenos Aires, que além de seus pratos de alta gastronomia em seus restaurantes, é criador do Masters of Food & Wine, programa especial que reúne eventos gastronômicos no hotel.

 

É triste ver um país que, no passado, foi um dos principais alvos do segmento de luxo na América do Sul. Em um movimento contrário, países vizinhos como Brasil e Chile estão avançando sua participação nesse segmento e com perspectivas de crescer ainda mais.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Um comentário sobre “O luxo na Argentina morre aos poucos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s