Conte Sua História de SP: fiz uma música para as caras da cidade

 

Maricéa Martins Zwarg
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci na Maternidade São Paulo, e minha mãe contou-me a história de meu nascimento, e fui lá, eu mesma, conferir o fato há 20 anos, pois meu pai registrou-me falsamente como nascida em Itanhaém, onde moravam, e constatei a verdade: a entrada de minha mãe na maternidade, à Rua Frei Caneca, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, Capital, até a hora de meu nascimento e nossa saída. Mas a Maternidade São Paulo fechou as portas, o Banco Safra comprou seu prédio e os arquivos de milhares de nascimentos estão no Fórum da Barra Funda aguardando seu destino. Mas São Paulo, onde nasci, onde morei, trabalhei e vivi por mais tempo, 22 anos, e onde vivo atualmente, é muito mais que uma grande mãe acolhedora amorosa, muito mais que um grande pai provedor material de muitas almas e seres. São Paulo, ou Sampa, é “como o mundo todo”, como bem compôs e cantou Caetano, uma grande fraternidade que abriga uma enorme variedade de tipos humanos de todas as raças, cores, credos, tribos, culturas e expressões. O que Sampa dá-nos diariamente é isso: cultura, conhecimento, variedade de experiências e informação sob à luz da fraternidade, de sabermos que aqui todo mundo é bem-vindo, e o ser incomum, singular, “diferente”, aqui é só mais um, tantas as caras e tipos. Por isso, nessa grande fraternidade, sinto-me , mais que em qualquer lugar, em liberdade, necessidade básica de minha natureza, mais uma em meio a tantas “Caras urbanas”, título de uma letra que compus e que Moacyr Filho musicou, sem aqui perder a naturalidade jamais, e sim, frente à concretude, autenticá-la , e mais, transformá-la, minha natureza, em arte! À São Paulo, à Paulicéia Desvairada dos modernistas, à Sampa de Caetano, terra de todas e todos nós, caras urbanas, minha gratidão, carinho, afetividade, fraternidade devolvida em canção.

 

CARAS URBANAS
Letra de Marycéa
Música Moacyr Filho

 

Caras de São Paulo são todas as caras do mundo
São faces londrinas, nova iorquinas, são tão nordestinas,
mineiras, sulinas, caras do Japão
Caras tão urbanas, são todas as caras humanas
Tão várias as cores, tão densas as dores
Tão raras histórias, profundas memórias, seladas no chão
Cenas de São Paulo são tantas as raças, 
são traços e máscaras nuas nas ruas
Sedentas de espaços, famintas de abraços, carentes de pão
Caras paulistanas são caras sem nome
Das bocas caladas, cansadas, febris
Dos olhos ardentes de fé e de fome, caras de um país,
Caras de um país, caras do Brasil…

 

Maricéa Martins Zwarg é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou marque uma entrevista no Museu da Pessoa: contesuahistoria@museudapessoa.net. Mais histórias de São Paulo você encontra no meu Blog, o Blog do Milton Jung, que você acessa pelo site da rádio CBN.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s