Avalanche Tricolor: Parabéns ao Inter!

 

Inter 4 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Centenário (Caxias do Sul)

 

Você, caro e raro leitor deste Blog, talvez estranhe o título desta Avalanche sempre disposta a identificar do lado gremista méritos, inclusive quando estes praticamente não aparecem. A paixão que tenho pelo Grêmio, declarada desde sempre e escancarada em qualquer oportunidade que surge, me faz, mesmo diante dos maiores fracassos, fechar os olhos para nossas fraquezas e identificar como heróicos lances insignificantes. Quantas vezes, você já deve ter colocado em dúvida minha razão por elogios ao chutão que despacha a bola pela lateral, ao carrinho destemido de um dos volantes, à coragem do atacante que, isolado, briga aos trancos e barrancos com seus marcadores. Nunca fiz questão de escrever estas linhas com a razão, prefiro deixar este papel para os entendidos em futebol, aqueles que enxergam os times pela formação tática e posicionamento em campo, que tentam dar lógica para movimentos de um jogo que é, na essência, improvisação. Eles é que têm de justificar o bom e o mau futebol, apesar de muitas vezes não me convencerem com o que dizem e escrevem. Seja lá como for, não estou aqui para reclamar dos comentaristas, e é bom voltar logo para a origem desta minha conversa, antes que você abandone meu texto imaginando que esteja sofrendo alucinações (convenhamos, não faltariam motivos para tal). Estou aqui é para justificar a manchete deste post em espaço sempre destinado ao azul, branco e preto. E o farei com mais precisão e sem delongas no parágrafo seguinte.

 

O Inter fez por merecer o título que conquistou em mais esta temporada do futebol gaúcho. Desde o início da competição liderou seu grupo com boa vantagem em relação a seus adversários diretos, a ponto de encerrar a fase inicial com a melhor pontuação, o que lhe ofereceu o direito de jogar as partidas finais em casa, se não em sua própria casa, que passa por reformas, ao menos naquela que escolheu jogar. Apesar de não ter os números em mãos, e prefiro não acessar os sites de futebol para confirmá-los (peço-lho licença para não fazer isto neste fim de domingo, por razões que me parecem óbvias), sei que o melhor ataque do campeonato foi o colorado; se não teve a melhor defesa em número de gols tomados, era, sem dúvida, a mais bem postada e organizada. Chegou à decisão tendo vencido todas as partidas nas quais disputou com o time titular, a única derrota em toda a competição foi quando atuou com os reservas. Foi assim até a final, onde fez dois jogos impecáveis. O primeiro venceu de virada na casa do tradicional adversário e o segundo, desfilou em campo. Como diriam os mais antigos do futebol, fechou com chave de ouro e fez a volta olímpica no Estádio Centenário, de Caxias do Sul, no interior, diante de pouco menos de 20 mil torcedores. O Inter foi grande no campeonato estadual e mereceu ser campeão pela quarta vez consecutiva, no Rio Grande do Sul. Poderia até ser rebatizado de Interregional.

 

O Grêmio segue firme e forte na Libertadores.

8 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Parabéns ao Inter!

  1. Valeu,Mílton, o esforço que fizeste para consolar – consolar,pelo menos – os gremistas que viram o nosso time perder de goleada. Destacaste a campanha dos vermelhos,sem negar os méritos deles.Do que mais gostei,porém,foi da penúltima frase da Avalanche Tricolor. A equipe que conquistou quatro regionais tem mesmo tudo para ser rebatizada de Interregional.

  2. Prezado Milton,

    Você com a propriedade de sempre conseguiu retratar o espírito de toda a nação do Imortal Tricolor. Certamente o Inter foi merecedor de ganhar o Gauchinho e não deixou dúvidas ao ratificar ontem o que já havia conseguido na semana passada em plena Arena. Penso que agora a Direção Gremista deva voltar o seu olhar para a nossa linha defensiva, especialmente na ala direita, pois se levamos 4 de He Man e Rafael Sóbis imagina quando enfrentarmos Ribérry, Muller e Cia Ltda em dezembro??? Boa semana!

    • Danier,

      Gostei da sua preocupação para o fim do ano. Creio que até lá, consigamos corrigir o posicionamento da defesa e estaremos mais amadurecidos para a decisão.

  3. Méritos todos do adversário. Com placar agregado de 6 a 2 não tem nem o que discutir. Agora, também não é por causa de um placar atípico, construído em dez minutos de bobeira no segundo tempo, que todo o trabalho feito até aqui pelo técnico Enderson Moreira deve ser esquecido. A campanha na Libertadores em seis jogos deve ser reconhecida. Quatro vitórias, dois empates, nenhuma derrota, apenas um gol sofrido. E isso no chamado “Grupo da Morte” (morte dos adversários, eu diria). Esse GREnada tem que ser um divisor de águas na temporada, não pode deixar afetar. As mudanças, de postura, devem acontecer agora. Contra o San Lorenzo, e nas próximas fases da Libertadores, tem que jogar como vinha jogando. Tenho esperanças de que foi apenas um descuido e as coisas voltarão ao normal em breve.

    Abs

    • Bruno,

      Em 2005, o Gremio foi goleado por 4 a 0 do Anapolina, na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Foi um baque para um time que imaginava voltaria correndo para a primeira divisão. Mano Menezes, nosso técnico na época, disse que aquele jogo foi crucial para a campanha que fizemos na sequência e nos levou a Batalha dos Aflitos. Foi lá que o time colocou a cabeça no lugar, passou a entender melhor seu papel e a necessidade de mudar o comportamento diante dos desafios. Quero crer que o resultado de ontem nos ofereça esta oportunidade, também. Ao menos isto temos de ter levado do placar elástico deste domingo.

  4. Penso que exaltar os méritos colorados está correto, com uma ‘pitada’ de ironia obviamente. Contudo, não podemos esquecer de questionar os erros e fragilidades gremistas. Por que um time que estava jogando bem a Libertadores com times razoáveis para bons caiu tanto em seu rendimento e organização? E por que o técnico gremista demorou para reagir no primeiro jogo segundo tempo após sofrer a virada? E por que estava treinando a substituição com Derreti e colocou Maxi Rodrigues? Enfim, penso que além do elenco insatisfatório como Para, Werlei, Maxi Rodrigues… há também que ser analisado a atuação do treinador. Minha opinião é que ele vacilou, foi inseguro e contribuiu consideravelmente para o vexame que o tricolor sofreu ontem. Talvez não seja a solução mudar o técnico, mas ele deve ser muito cobrado e sofrer uma avaliação crítica pela direção do Grêmio.

    • Olá, Sérgio

      Obrigado pelos questionamentos em relação ao Enderson. Lembro que na temporada passada, perdeu de maneira incrível a classificação para a Libertadores quando decidia a vaga em casa na última rodada do Brasileiro, no comando do Goiás. Até aqui ele acertou muito mais do que errou. Parece, também, que precisa amadurecer com o time. E, tenho certeza, aprendeu de maneira dura nestas últimas semanas lições que nos serão úteis para a temporada. Ele chega a um momento crucial no comando do Grêmio, pois houve uma queda de rendimento nas últimas partidas, alguns jogadores não conseguiram render o esperado no time titular, caso do Ruiz, e sofreu revés que, para muitos, poderia ser fatal na carreira. Quando ao Maxi, ele teria usado o uruguaio nos treinos da semana como opção no time, portanto não me pareceu incoerência.

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