Avalanche Tricolor: carta de um ouvinte gremista

 

Uma Avalanche, escrita ainda durante o Campeonato Gaúcho, motivou a carta/e-mail do ouvinte Danier Boucinha Viana, gremista como nós que costumamos ler este espaço no Blog. A mensagem chega em semana decisiva para o Grêmio, seja por estarmos diante da fase final da Libertadores seja pelos últimos acontecimentos do time. Por isso, torno pública as palavras e a esperança de Danier para que nos inspirem na partida dessa quarta-feira, contra o San Lorenzo:

 

Prezado Mílton,

 

Faz muito tempo que estou para lhe escrever e aproveito o feriadão para fazê-lo. Espero não incomodá-lo com a extensão do texto mas necessário por misturar vários assuntos represados. A ocasião é propicia face o que temos vivido nesses últimos dias com o nosso Grêmio bem como os dias que antecedem ao jogo de quarta-feira próxima na Argentina.

 

Sou Gaúcho, Gremista de “Quatro Costados”, nascido na fronteira (Dom Pedrito) em 1958. Seu fã incondicional de todos os dias na rádio CBN mas mais ainda do seu querido pai. Coincidentemente no ano em que nasci o seu pai, A Voz do Rádio, iniciou as transmissões na antiga Rádio Guaíba. Atualmente estou com 55 anos. Saí da minha querida Dom Pedrito aos 17. Trabalho no BB e moro em Campinas-SP há 15 anos. Mais Gremista do que nunca!

 

Menino cresci escutando a Guaíba lá no interior, juntamente com meus irmãos mais velhos todos Gremistas, naqueles tempos áureos do nosso Heptacampeonato. No meu imaginário infantil somente existiam Alberto, Airton Pavilhão , Sérgio Lopes , Everaldo, Joãozinho, Flecha , Alcindo, Volmir Massaroca, entre tantos outros. O Meu Grêmio era Imbatível! Adolescente cresci e sofri com o esplendor do tradicional adversário na década de 70 (campanha do octa e bi-brasileiro). Ironicamente naquela época forjei-me como verdadeiro Gremista vindo a entender mais tarde que foi necessário todo aquele crescimento do Inter para impulsionar e tornar-nos a potencia futebolística mais tarde. Meus heróis, embora não vencedores, já eram outros. Mas eram igualmente heróis! Ao ler a sua crônica de 26/03/2014 na CBN intitulada “Pelo Direito de ser Aquele Guri mais uma vez” a emoção foi muito grande. Ali estavam exatamente meus heróis daquela época: Loivo (minha mãe hoje com 95 anos chama-se Loiva) e o maior de todos e que deve ser pronunciado em toda a sua extensão: Atílio Genaro ANCHETA Weigel. Sim o maior de todos os tempos pois tenho uma teoria: Ele foi infinitamente superior ao Figueroa. Por quê? O Figueroa jogou em uma timaço tendo a sua frente nada menos do que Falcão, Carpeggiani, Batista, Caçapava, etc… e o Ancheta ? Bom é melhor não lembrar. E mesmo assim havia a comparação de quem era o melhor. Não há dúvidas. Tivesse o Ancheta jogado no outro lado (sacrilégio) não haveria termos de comparação! Pois bem você teve o privilégio de estar ao lado deles, algo que eu ficava imaginando a minha vida toda poder ter tido a oportunidade naqueles tempos de guri lá no Sul.

 

Essa crônica sua me fez lembrar de tudo o que já vivemos com o Imortal tricolor e que somente quem é Gremista sabe da emoção que é ser Gremista! Da nossa redenção em 77 com a raça Gremista dos inesquecíveis Iura, Ancheta, Tarciso, passando pela categoria de Tadeu Ricci , Éder e culminando lá na frente com o nosso Redentor André Catimba, comandados pelo saudoso Mestre Telê Santana. Como não lembrar do primeiro Brasileiro em 03/05/81 em cima do poderoso São Paulo em pleno Morumbi lotado? E da noite fria de 28/08/83 com o cruzamento mágico do Renato e o gol de peixinho do César em cima do não menos poderoso Penharol? Adentramos ali madrugada adentro comemorando na certeza de que com a conquista da América pela primeira vez no Sul nada poderia ser maior. Mas poderia sim: vieram o Mundial, outra Libertadores, as incontáveis Copas do Brasil, novamente o Brasileirão.

 

Como é bom ser Gremista! Poderia escrever um livro para descrever todo o meu sentimento e emoção ao falar do Grêmio mas em consideração ao seu tempo vou terminar por aqui mas não sem antes fazer uma referência toda especial ao seu pai, o grande Milton Ferretti Jung. Do seu inicio na antiga Guaíba em 58 até abandonar as narrações em 88, voltando a narrar em 98 desde que fosse somente em jogos do Grêmio (isso é demais Cara!). Acompanhar então sua preparação para narrar o último Gre-Nal do Olímpico em 02/12/2012 foi emocionante. Você é um privilegiado por ter um pai como esse. Parabéns!

 

Apesar dos últimos acontecimentos e mesmo lendo a coluna de hoje do Wianey Carlet na Zero Hora “O Grêmio não vai longe” que apontam exatamente ao contrário, continuo acreditando que o Tri virá com o espírito e a garra de sempre do Imortal Tricolor.

 

Grande abraço e ótimo trabalho.

 

Danier Boucinha Viana

3 comentários sobre “Avalanche Tricolor: carta de um ouvinte gremista

  1. Texto emocionante do Danier, feito de gremista para gremista. Eu que sempre morei longe do Grêmio, em minha Foz do Iguaçu, precisei acompanhar o time pelas ondas do rádio, seja Guaíba ou Gaúcha. Infelizmente não peguei os bons tempos do Milton Ferretti, mas também ouvi/ouço uma geração que marcou época.

    É justamente esse o sentimento. Quando todos não consideram o Imortal (por mais que tenha feito uma campanha quase que perfeita na fase de grupos, os resultados recentes são motivos de dúvidas) é aí que ele se sobressai e surpreende. Tomara que seja assim nesta quarta-feira e em todas as próximas fases da Libertadores, até o Mundial, em Marrocos.

    Abs Danier e Milton!

  2. Marcante a narrativa do Danier. Também nasci e cresci nesta época e igualzito a ele, sempre ouvindo a voz da então poderosa Guaíba.
    Que as derrotas nos deem sempre mais força e que apesar delas, nos fçam novamente vencedores!

    Abraço

  3. Obrigado pela parte que me tocou no teu texto,caro Danier. Estou triste com o resultado desta quarta-feira,mas confiante no que faremos no segundo jogo.Um abraço apertado!
    Milton,o pai

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