Fifa quer proibir rádio de pilha em estádio da Copa

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Foi com surpresa que,na semana passada,recebi uma ligação de um moço da TV Record me perguntando se eu aceitaria conceder entrevista sobre assunto que provocou estranheza na mídia: a FIFA,uma dama que está mandando e desmandando nesta ano em que teremos a Copa do Mundo aqui em nosso país,resolveu proibir que torcedores ingressem nas Arenas,cujas construções custaram os olhos não só de uma,mas de várias caras,seja de estados,municípios e do próprio governo,portando rádios de pilha por menores que sejam. Demorei a acreditar que a entidade, que comanda o futebol mundial,se preocupasse com a presença de tão inocentes dispositivos,imaginando que possam ser mal usados,isto é,que sejam jogados para dentro dos gramados,tendo como alvo quem trabalha neles:árbitro,os seus auxiliares e jogadores. Os estádios recém inaugurados ou reinaugurados,caso do Gigante da Beira-Rio,não possuem mais alambrados.

 

Duvido que,em Porto Alegre,pelo menos,algum torcedor vá assistir a um dos cinco jogos que serão aqui realizados,disposto a atirar uma radiozinho em algum profissional que esteja nas proximidades ou dentro do campo de futebol. Imagino que essas partidas serão assistidas,principalmente,por torcedores da nacionalidade das seleções participantes. A minoria brasileira não teria razão para atirar qualquer objeto para dentro do gramado,eis que verá os jogos com sangue doce. Os estrangeiros,com certeza,sequer pretendem levar rádios de qualquer tamanho para os estádios. Afinal,não têm o hábito de portar esses aparelhos em estádios de futebol.Quem não vive sem rádio é o brasileiro,que se acostumou a ouvir as narrações,os comentários e as reportagens radiofônicas. Os radiozinhos,ainda por cima,estão perdendo o seu espaço, no bolso dos torcedores,para os telefones celulares. Esses,conforme informaram as concessionárias de telefonia móvel,estarão finalmente aptos para captar o som transmitidos pelas rádios,o que não era possível no Beira-Rio.

 

Não esqueço que na minha longa carreira de radialista,na qual atuei apenas em duas emissoras porto-alegrenses,somando 60 anos de trabalho,rádios de todas espécies,dos grandes aos de bolso,fizeram parte da minha vida. Nos estádios,tínhamos de ser caprichosos,eis que os nossos ouvintes,em boa parte,queriam que,no mínimo,não errássemos os nomes dos jogadores e gritássemos eventuais gols com total vibração,às vezes,com a voz distorcida pelo berro exagerado. Narrei o gol mil de Pelé,no Maracanã. Quando ele marcou,de pênalti,o estádio inteiro gritou enlouquecido e fez-me levantar demasiadamente a voz.Até hoje não gosto de ouvir a minha desafinada narração.

 

As narrações,no rádio,pautaram as que são feitas,hoje,nas televisões. Os que relatam os jogos parece que estão falando para quem não está na frente de um televisor FULL HD.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

5 comentários sobre “Fifa quer proibir rádio de pilha em estádio da Copa

  1. Depois ainda dizem que esta é a nossa Copa….. No máximo essa é a nossa alienação da nação para um grupo de pessoas que só pensam no Lucro e não nas pessoas.

  2. Milton Pai, a voz do Rio Grande!
    Mas se tem uma coisa que não consigo entender é isso. Como pode um narrador de TV querer falar mais que um narrador de rádio! Será que não existe alguém que os oriente?

  3. Milton pai, não tem senso esta questão do radio, pois se haverá celular o perigo é o mesmo.
    Quanto às narrações, precisamos no futebol copiar o tênis. Antes os locutores falavam durante o jogo, até que entenderam que o o cliente, ou seja, o tele espectador queria ter a sensação de estar jogando. Para tanto ouvir o som da bola era fundamental.
    No futebol seria muito mais vibrante ouvir o barulho da bola sendo chutada e não a fala de quem em boa parte dos jogos está assistindo outra partida. No pay per view então , alguns “profissionais” não são do ramo.

  4. Caros Wagner,Gunnar,Maria Lúcia Solla e Carlos Magno Gibrail:creio que,nós quatro,pelo menos,estamos contra mais essa das muitas proibições inventadas pela FIFA. Quanto às narrações de locutores das emissoras de televisão,gostei da opinião do Gibrail. Os que fazem cobertura do tênis estão realizando um trabalho que,de fato,chama a atenção.Tenho acompanhado os jogos de tênis e me dei conta de que esses sim, não nos tratam como se fôssemos deficientes visuais.

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