Sob o domínio do MTST

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O churrasco comemorativo patrocinado pelo MTST na segunda-feira em frente à Câmara Municipal de São Paulo ilustra bem o poder deste movimento dentro do sistema político da cidade. O Plano Diretor aprovado na tarde de 30 de junho contempla o MTST em todas as suas mais otimistas expectativas, tanto genéricas como específicas, tanto atuais como futuras. Pois aumenta as áreas para habitações populares, incluindo terrenos invadidos pelo Movimento e regulariza favelas e loteamentos clandestinos.

 

Até mesmo a ação pontual de Itaquera, a “Ocupação Copa do Povo” foi atendida, assim como a invasão da “Vila Praia” no Portal do Morumbi, realizada com a intenção de aumentar a pressão na votação do Plano Diretor. Em Itaquera e no Morumbi não houve o mínimo cuidado da administração da cidade para cercear inicialmente as invasões, a despeito da ampla divulgação em todas as mídias. As convencionais e as sociais. No Morumbi, ao lado das notas sobre recentes assaltos na tradicional Giovanni Gronchi, surgiram por parte dos moradores muitas fotos sobre a rápida invasão do MTST no Portal, quando houve uma acentuada multiplicação de barracas e tendas. Se os moradores do Morumbi não tiveram resposta do Poder Público, receberam o recado de Guilherme Boulos, líder dos Sem Teto em declaração à FOLHA:

 

“Para desespero das madames do Morumbi, vai ter pobre do lado. Hoje nós provamos que quando o povo se organiza, a vitória vem. Que essa lição de mobilização popular continue para que essa lei vire letra morta”.

 

É hora de perguntar a Boulos não só o que entende por “madames do Morumbi”, mas principalmente por que sua entidade intitula-se Trabalhadores e como ela se mantém financeiramente.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

13 comentários sobre “Sob o domínio do MTST

  1. Eu perguntaria distinto Carlos. Formularia a seguinte pergunta:
    Como é que os representantes do Povo, no Legislativo, deixaram que a cidade inteira chegasse onde chegou?
    Afinal, não é segredo que essa instituição, e todos os seus partidos políticos, recebem farto financiamento de uma indústria que age na cidade transformando-a, sem nenhuma regra que não a delas próprias, até agora.
    A diferença do MTST e do SECOVI é o lugar onde comem o churrasco e como chamam seus associados. O dinheiro é o mesmo.
    Abraço

  2. Ninguém quer ver morando perto de suas casas as pessoas mais pobres, mas todos querem que as empregadas domésticas, encanadores, porteiros, zeladores, arrumadeiras, babás, ou seja, trabalhadores cheguem 7:00h da manhã para trabalharem…. Muito bonito somente querer ver o trabalho feito, mas nunca ver quem os realiza!!! É lastimável para não dizer preconceituoso.

  3. que disse que esse povo do MST é formado por trabalhadores?
    Se fossem trabalhadores não teriam tempo para fazer algazarra, baderna anarquia.
    Como o caso dos mensaleiros, nunca trabalharam e agora presos querem sair da cadeia para “trabalhar” no regime semi aberto.
    Quem quer casa, trabalhe arduamente como a maioria e compre seu imovel.

  4. Moro na região e pouco me importa se meus vizinhos são ricos ou pobres. O que me importa mesmo, é que paguem impostos como eu pago para viver na região.
    Não sei a que pobres se refere o líder do movimento. Pobre, pra mim, não compra cerveja importada em supermercado de 1a linha e isso é o que têm feito, muitas das pessoas acampadas na região.
    Mas, até ai, eu também não sei quem são os trabalhadores a que se refere o T do mTst.
    Quem trabalha, não tem tempo pra isso, como disse a minha empregada, que aliás, chega pra trabalhar às 9:00hs.
    A moradora do “Morumbi”, cujo marido trabalha mais de 10hs diárias, também gostaria de saber de onde vem todo esse dinheiro.
    Quanto ao madame, só prova que preconceito, tem em todo lugar.

  5. É claro que todo trabalhador tem direito a uma habitação. Só não acho justo uma parte dos trabalhadores entrar numa fila, esperar anos para a tão sonhada casa própria e ai vem uma outra parte invade terrenos, faz movimentação e é contemplado com a a tão sonhada casa. Isso não é uma briga de rico com pobres trabalhadores. É briga de pobres trabalhadores X pobres trabalhadores. Ou seja, um fica na fila, aguarda sua vez enquanto trabalha. O outro invade, fura a fila e ganha no grito. Onde vamos chegar. No futuro será briga de gente sem casa X briga com gente sem casa. Meu irmão trabalha desde 1970 em SP, hj é aposentado com cerca de R$ 1,200 e paga aluguel porque nunca foi contemplado com as casas da COAHB. Sei de um caso de um cara que chegou em Sampa a uns 3 anos, invadiu um terreno em Guarulhos e hj tem casa própria porque a Prefeitura fez acordo. Ou seja, é pobre sacaneando pobre. Uma outra pessoa comprou uma casinha de madeira num terreno invadido por R$ 5 mil. O cara que vendeu disse: vai morando aqui que esse terreno em pouco tempo será regularizado. Tbém se não for. Vc só perde R$ 5 mil. Melhor que pagar aluguel. TEm história de uma mulher que comprou um apto do Cingapura por R$ 13 mil a uns 8 anos. Ela disse que o cara que vendeu já tá num outro terreno invadido. O que me preocupa é isso. Hj se ganha no grito enquanto os que ficam e fazem a coisas tudo certinho mofam nas filas da casa própria. A briga não é Rico X pobres. O rico não tá nem ai para casas populares. E ele tem o dele onde quiser. A briga é pobre sem casa X pobre sem casa. Quem grita mais vence. E com aval das autoridades. E tenho dito.

  6. Sérgio Mendes, é muito ruim saber que pessoas invadem propriedades alheias para tirar vantagens e o Poder Público não age para também obter resultados políticos.
    Pelo que se tem lido na imprensa está havendo uma verdadeira indústria de obtenção de casas ou verbas através destes movimentos de pressão.

  7. Fernando, você acha que esta forma agressiva invadindo áreas e acampando com barracas está legal?
    A continuar assim vão acabar com as regiões valorizadas, pois de uma lado a industria da construção civil e os comerciantes predadores e de outro os sem teto, estarão conseguindo desqualificar os hoje apenas 4% das ZERs.
    Fica bom assim?

  8. Armando Italo, o pessoal das 55 entidades de bairro quando chegaram na segunda feira, para acompanhar a votação do Plano Diretor na Câmara Municipal não conseguiram lugar. O MTST tinha ocupado os espaços. Estavam acampados há dias.
    Os sindicalistas, que tem verbas do fundo sindical, quando fazem greve, param de trabalhar. Mas, o pessoal do MTST não tem verba e não tem trabalho. Como vivem?

  9. Silvia Affiune, obrigado pela sua participação nestes comentários, com palavras consistentes . Eis aí as respostas quanto ao T do mTst, e do preconceito explícito de “madame”. Resta saber agora de onde vem tanto dinheiro para a manutenção desta quantidade de pessoas que não trabalham. Só reclamam e comemoram.

  10. Daniel Martinez, muito importante este aspecto que você coloca em seu comentário. Pobre x Pobre é um ponto que não tem sido destacado . Há dois dias o vereador José Police Neto mandou um recado para o Boulos dizendo que a aprovação das casas populares que foram aprovadas nas recentes invasões irão respeitar a ordem de inscrição. Não sei de onde o Netinho(é o antigo tratamento) está tirando esta certeza. Mesmo porque esta semana o movimento encabeçado pelo Defenda São Paulo das 55 entidades de moradores foi surpreendido por uma posição dele atacando agressivamente a postura de preservação das ZERs. Police Neto, sempre foi um político que atendia as teses de conservação da qualidade de vida da cidade, e de repente descobrimos uma postura totalmente adensadora.

  11. Hoje na FOLHA o vereador José Police Neto relata o episódio do Boulos que em sua linguagem exemplar disse ” Nem a pau vamos respeitar a ordem de inscrição” . Vale a pena ler o artigo .
    Veremos o que irá acontecer na realidade neste embate do MTST e a Prefeitura. É bom lembrar que foi o prefeito que sugeriu ao MTST acampar diante da CÂMARA MUNICIPAL.
    De uma lado Police Neto defendendo posição de Kassab em relação a manutenção das vias mestras do PD, de outro lado ele mesmo propõe emendas que arriscas as ZERs .
    Não é o mesmo Netinho.

  12. É impressionante como no Brasil este tipo de movimento se interessa por áreas valorizadas, acho péssimo o governo de SP favorecer este tipo de ação, e tratar o assunto com a paciência de uma avó de 90 anos, trata-se de um jogo político biltre e toda a população economicamente ativa está ciente deste fato.

    Agora como ficam os valores do metro quadrado dos imóveis lançados recentemente na região, digo isso por experiência própria pois moro muito próximo ao terreno invadido e passo todos os dias no local, ontem tive o desprazer de ver um militante do movimento descer de um Toyota Corola 2013 e entrar no meio do mato, pelo perfil do motorista tratava-se realmente de um participante ativo do movimento.

    Agora aqui cabe uma reflexão, um carro de 50 mil reais, para um ser humano que se julga sem teto ? Madames do Morumbi ?

    O governo deveria fazer um estudo e traçar o perfil de consumo dessas pessoas que se julgam sem teto, talvez possamos encontrar alguns Iphones e Tablets.

    É muito simples, através do cadastro de todos os interessados em um lar digno, com seus respectivos CPF’s , fazemos um cruzamento de informações do banco de dados das lojas varejo, assim podemos saber a renda mensal.

    Com isso a CEF poderia liberar crédito e entregar as chaves de apartamento como os de muitos moradores do Morumbi que pagam 400K, 600K, 700K ou até mais para morar na zona sul e passear com suas madames. Que tal Guilherme Boulos ?

    Tem algo errado.

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