Conte Sua História de São Paulo 463: as cocheiras dos Matarazzo, na Pompeia

 

Por Osnir G. Santa Rosa

 

 

Vi e participei de fatos dignos de nota desde que nasci na capital de todos os paulistas. Isso lá no início dos anos de 1940. Naquela época, milhares, milhões de famílias vinham para a cidade de São Paulo. A luta por moradia era terrível. Ainda não havia favelas. As pessoas se amontoavam em horrorosos cortiços.

 

Meu pai ingressou nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, na Vila Pompeia, zona Oeste da cidade, para dirigir os caminhões da Ford que substituiriam, como de fato substituíram, os veículos de tração animal.

 

Lá, havia 80 cocheiras muito bem preparadas para os muares que seriam, diríamos assim, despedidos. Ao mesmo tempo, a dona da casa em que nasci, na rua Duílio, no bairro da Lapa, também zona Oeste, pressionava minha família a devolver o imóvel porque havia quem estivesse disposto a pagar mais …

 

Meus pais estavam em polvorosa.

 

Foi quando meu pai soube que os animais já tinham sido dispensados do trabalho. Ele voou para lá a fim de assegurar uma das 80 cocheiras onde entendia ser possível viver com a família até conseguir outra casa.

 

Teve uma das maiores decepções de sua vida, que seria repleta de tantas outras decepções: todas as cocheiras já estavam ocupadas por outras famílias que, assim como a nossa, não encontravam um lugar decente para morar.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung.

Sob o domínio do MTST

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O churrasco comemorativo patrocinado pelo MTST na segunda-feira em frente à Câmara Municipal de São Paulo ilustra bem o poder deste movimento dentro do sistema político da cidade. O Plano Diretor aprovado na tarde de 30 de junho contempla o MTST em todas as suas mais otimistas expectativas, tanto genéricas como específicas, tanto atuais como futuras. Pois aumenta as áreas para habitações populares, incluindo terrenos invadidos pelo Movimento e regulariza favelas e loteamentos clandestinos.

 

Até mesmo a ação pontual de Itaquera, a “Ocupação Copa do Povo” foi atendida, assim como a invasão da “Vila Praia” no Portal do Morumbi, realizada com a intenção de aumentar a pressão na votação do Plano Diretor. Em Itaquera e no Morumbi não houve o mínimo cuidado da administração da cidade para cercear inicialmente as invasões, a despeito da ampla divulgação em todas as mídias. As convencionais e as sociais. No Morumbi, ao lado das notas sobre recentes assaltos na tradicional Giovanni Gronchi, surgiram por parte dos moradores muitas fotos sobre a rápida invasão do MTST no Portal, quando houve uma acentuada multiplicação de barracas e tendas. Se os moradores do Morumbi não tiveram resposta do Poder Público, receberam o recado de Guilherme Boulos, líder dos Sem Teto em declaração à FOLHA:

 

“Para desespero das madames do Morumbi, vai ter pobre do lado. Hoje nós provamos que quando o povo se organiza, a vitória vem. Que essa lição de mobilização popular continue para que essa lei vire letra morta”.

 

É hora de perguntar a Boulos não só o que entende por “madames do Morumbi”, mas principalmente por que sua entidade intitula-se Trabalhadores e como ela se mantém financeiramente.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Critérios para construir não são respeitados, diz Whitaker

 

De aprisionamento

Na carta de Maria Lucia Solla, publicada domingo neste blog (leia aqui), a pergunta era simples: quais os critérios que a prefeitura usa para autorizar a construção de prédios ? Muitos ouvintes-internautas deixaram sua contribuição com respostas ou apenas compartilhando suas percepções sobre a maneira como a cidade está sendo ocupada e mal planejada.

No Jornal da CBN, desta terça-feira, fiz a mesma pergunta para o coordenador do Laboratório de Habitação da USP João Sette Whitaker. Para ele, a decisão de se permitir a construção de mais prédios, sejam residenciais ou comerciais, em bairros da capital, tem como base a lei de zoneamento. Os critérios são, aparentemente, simples: capacidade de infraestrutura, de incomodidade e a manutenção das características da cidade.

Complexa é a execução destas regras. O professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Urbanismo da USP e do Mackenzie disse que, no caso de São Paulo, os critérios acima não são respeitados, além do fato de a legislação ser branda com as construtoras. Cobrar compensações e usar este recurso para melhorar o ambiente urbano seria um dos caminhos para dar mais qualidade de vida ao cidadão, na sugestão dele.


Acompanhe a entrevista de José Sette Whitaker, ao Jornal da CBN

Fim do São Vito é um pecado contra São Paulo

“Querido São Vito! A vós recorro porque em vós eu vejo uma esperança para a minha saúde, uma luz para a minha vida. Sinto que a vossa proteção me reanima na minha fraqueza. De vós espero alívio na minha aflição, calma nos momentos de irritação, equilíbrio na perturbação, força de vontade para superar tudo o que é negativo. A vossa bênção me dará um pensamento positivo, paz, segurança, tranquilidade”

Da oração de São Vito, padroeiro dos epiléticos, destaco trecho acima em um rasgo de imaginação no qual o Centro de São Paulo estaria a clamar de joelhos por uma ajuda desesperada do combalido prédio, batizado com nome santo, na avenida do Estado.

Bem sabemos que nem o Centro fala, nem o São Vito ouve. Menos ainda a prefeitura haverá de mudar seus planos para a edificação. Sem fé na recuperação do espaço, aguarda a demolição total do São Vito e seu vizinho Mercúrio até o fim deste mês de março para construir em seu lugar parque e estacionamento de carro (é lógico !).

Alucinação pós-carnavalesca esta minha, talvez. Provocada não pelas ideias mirabolantes cantadas nos sambas-enredo das escolas paulistanas, mas pela foto enviada, nesse feriado, pelo jornalista Marcos Paulo Dias que passou pelo que resta do São Vito. Coberto por uma rede de proteção, deste ponto de vista o prédio parece um gigantesco carro alegórico a homenagear não sei bem a quem e ao que.

Destruição do São Vito

A boa intenção do São Vito – o prédio -, projetado por Aron Kogan e Waldomiro Zarzur, era permitir que um número maior de famílias morasse no centro da cidade, onde haveria mais estrutura e serviço à disposição, evitando os custosos deslocamentos que enxergamos atualmente. Ao ser inaugurado em 1959, tinha 624 pequenos apartamentos, comércio no térreo e sobreloja, e auditório na cobertura (moradia, serviço e cultura). Seguia os mesmos moldes de prédios paulistanos famosos como o Conjunto Nacional (de 1956) e o Copam (de 1961).

Leia este post completo no Blog do Adote São Paulo (Épocas SP)

Hackers trabalham com moradores de rua e imóveis vazios

 

Na semana em que cinco prédios abandonados foram invadidos por integrantes de movimentos sociais, São Paulo será cenário de encontro de hackers que vão se debruçar sobre o problema da falta de moradia na maior cidade do País. Os vazios urbanos e os moradores de rua serão tema da edição 2010 do Transparência HackDay, encontro de dezenas de especialistas e admiradores da tecnologia digital. no domingo, dia 10.

A intenção é desenvolver ferramentas que permitam mapear os espaços e imóveis que não cumprem sua função social e o local onde se concentram moradores de rua, na capital. Com o levantamento da oferta e demanda de moradia, os participantes entendem que se torna mais eficiente o desenvolvimento de políticas públicas para a questão da moradia.

O encontro dos hackers, designers, blogueiros, jornalistas, pesquisadores, gestores públicos e mais um mundo de gente interessante e interessada, será na Casa de Cultura Digital, na rua Vitorino Carmilo, 459, em Santa Cecília, São Paulo, das duas da tarde às oito da noite.

Para se inscrever basta preencher o formulário que você encontra aqui.

A foto a seguir é de um dos prédios na avenida Ipiranga ocupados pelo Movimento dos Sem Teto do Centro e foi feita pelo colaborador do Blog, Sérgio Mendes

 

Prédio invadido