A escritora de romances policiais que enganou leitores machistas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Gosto muito de romances policiais. Maria Helena,minha mulher,que também lê muito,prefere os de Nora Robert,mas não desdenha,é claro, dos escritos por outros autores. Ultimamente temos devorado tantos livros que a nossa biblioteca particular tomou conta de todos os armários aqui de casa e está ficando difícil arrumar lugar para as compras mais recentes. Não é fácil,igualmente,evitar que compremos livros já lidos. A nossa livraria predileta providencia,porém, em trocá-los.

 

Escrevi, na primeira frase do meu texto, que gosto muito de romances policiais.Não me furto,entretanto,de ler– e Malena me acompanha – livros de outros tipos. A propósito,pensei que houvesse lido todos os grossos volumes produzidos por aquele que considero o Mestre desse gênero: Stephen King. Ledo engano ou,se preferir,alegre engano. Por quê? Porque imaginei que a verve de King houvesse se esgotado. Não foi e,pelo jeito,está longe de ocorrer. Já encontrei à venda,embora ainda não tenha comprado,O Iluminado (continuação), mais vendido nos Estados Unidos, e “Joyland”,que é um romance policial,uma história sobre crescimento e amadurecimento e acerca daqueles que não têm a oportunidade de alcançar nenhum dos dois,porque a morte chega antes do tempo.

 

É bom saber que o Mestre do Terror está vivo e produzindo novos livros. Muitos deles viraram filmes,mas pouco superaram as suas obras. King é mais para ler e imaginar o que se lê nos seus romances. Que Deus lhe conceda vida longa.

 

Vida longa teve a Dama do romance policial, escritora P.D.James,que morreu com 94 anos.Ela nasceu em Oxford. Escreveu 19 romances (socorro-me do obituário dela publicado por Zero Hora). Dos 19, 14 tiveram como protagonista o detetive Adam Dalgliesh.Três de seus livros foram de não ficção. O ensaio Segredo do Romance Policial (que para ela não chegou a ser um segredo).Death Comes to Pemberley,escrito em 2011,transformou-se em série da BBC. Em sua longa carreira James conquistou vários prêmios destinados a romances policiais,entre eles,Crime Writer’s Association’s Diamond Dragger,em 87,e o Grand Master Award from Mistery Writers of America,em 1999. Um livro de P.D.Jame que me lembro de ter lido foi O Enigma de Sally.Vou fazer uma confissão,mesmo que me envergonhe de a relatar:comecei muito cedo a tomar conhecimento dos seus livros. Prestei atenção no nome de quem o escreveu e fui traído pelo P.D.James. Imaginei que se tratasse de um escritor inglês. Era mulher,porém,e uma grande escritora. Talvez tenha usado Phillis Dorothy James para que,em uma época que os romances policiais eram dominados por homens,P.D.James lhe tenha soado mais apropriado para atrair babacas machistas. Eu,inclusive.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seus textos no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Um comentário sobre “A escritora de romances policiais que enganou leitores machistas

  1. Bom dia,
    Gosto muito dos livros do King, e já “passei” pelos livros da P.D. James, e o que percebo em relação aos dois autores é o seguinte: Ambos tem um publico apaixonado, este publico aliás, vai dos 16 aos 80 anos.

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