O ministro e sua teológica carinha

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os caros leitores – caríssimos seria ainda mais correto para o tratamento que dispenso – que se dão ao trabalho de ler os textos por mim postados às quintas-feiras no blog do Mílton, segundo imagino,no mínimo,quando vão tomando conhecimento dos nomes que o presidente(a) de seu país escolhe para ocupar os seus ministérios,têm não apenas a esperança,mas o direito de ver os detentores dos mais importantes cargos ,aqueles mais aptos,por serem, na cabeça do presidente,os maiores especialistas nos assuntos com os quais vão lidar. Nem sempre é assim.

 

Às vezes – eu diria que nem tantas – os nomes dos escolhidos não são,exatamente,preenchidos por verdadeiros especialistas. Com o andar dos Rolls-Roices,porém,os preferidos na instância inicial podem mostrar jeito para o cargo e os seus desmandos relevados por interesse político-partidário. Outros, pelas mais diferentes razões,acabam dando sorte. Claro que tal hipótese é a mais difícil de se concretizar. Afinal,estamos tratando dos homens e/ou mulheres mais importantes depois do presidente,mas nem todos com as mesmas aptidões ou,no mínimo,boas intenções para o exercício de funções tão complexas como se espera (ou no se espera)de um ministro.

 

Cheguei a duvidar,ao ler o ZH do fim do ano quando,ao ler a manchete que gritava nos meus ouvidos virtuais “Peixes bem fora d’água”. Pensei,de imediato,que o periódico se referisse a peixes que morrem aos milhares,como acontece volta e meia. Não se tratava,no entanto,de peixes mortos,mas de alguma coisa mais estranha,o que descobri logo abaixo da manchete ao ler este texto:”Teólogo Comandará esporte no país (o restante,diante do fantástico anúncio, não passava de café pequeno nem vale a pena repetir).Tenho certeza de que se houvesse no Vaticano,um Ministros dos Esportes esse não seria um teólogo. Eu,pelo menos,estou certo que Francisco,por entender de futebol como poucos não cometeria tal asneira.

 

O pior,todavia,vem aí:”O ministro do Esporte,George Hilton, chegou ao primeiro escalão de Dona Dilma Roussef debaixo de uma vasta enxurrada de críticas. O fato de ele não ser familiarizado com a área que passou a comandar – o que ele mesmo admitiu em recente entrevista – foi a razão de uma das ressalvas feitas ao seu nome. A outra decorre do seu passado por atitudes,no mínimo,questionáveis.Em 2005,Hilton desembarcou num jato particular no Aeroporto da Pampulha,em Belo Horizonte,transportando 11 caixas de dinheiro”. Chamo a atenção dos que não estão por dentro da história que George Hilton e suas “caixinhas de dinheiro” foram salvas ou coisa que o valha pela pronta ação do delegado federal Domingos Pereira Reis,primeira autoridade informada sobre o caso, que foi bastante camarada com aquele que acabaria sendo, anos depois, ministro do Esporte. Desculpem-me,mas este ministro deveria ir para uma pasta mais condizente,pelo menos,com a sua teológica carinha.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o pai dele)

3 comentários sobre “O ministro e sua teológica carinha

  1. Milton, esta questão dos ministérios e seus ministros é uma das maiores aberrações administrativas.
    Tanto em grau quanto em gênero.
    A quantidade de ministros supera em muito o possível. A pertinência é levada a zero.
    Peguemos, por exemplo o comunista Aldo. Na agricultura se comportou como um latifundiário. No esporte como um sedentário. Na tecnologia como um retardatário. Vem com a bagagem de quem pretendeu impedir qualquer inovação tecnológica que substituísse a mão de obra.

  2. Infelizmente essa é uma prática comum dos nossos governates, nomear criminosos e parentes para cargos publi os, sendo coerentes apenas com as facilidades ilicitas obtidas com a nomeação. É frustrante e humilhante ser obrigado a pagar impostos, saber que o dinheiro arrecadado é destinado ao enriquecimento alheio, e diariamente assistir pessoas morrerem por falta de atendimento médico, saneamento básico, segurança e tantos outros problemas que aceitamos pacificamente, fazendo “vista grossa”, como fomos doutrinados de forma sórdida por nossos dirigentes com suas cuecas e calcinhas recheadas com nosso dinheiro.

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